Tiririca, pior que tá não fica
Por Lelê Teles, do blog do Lelê, http://fastosenefastos.blogspot.com/
Vejo com profunda consternação a propagação do preconceito contra a candidatura do humorista Tiririca pelos veículos de maledicências. Chamam-no Palhaço Tiririca. Dizem palhaço porque a palavra remete ao imaginário do circo popular, da coisa periférica, tornada pejorativa e jocosa. Didi, que faz graça na Globo, é o humorista Renato Aragão. Jô Soares é igualmente humorista. Mas Tiririca é o palhaço.
E que mal fará à democracia a eleição de Tiririca? Sua candidatura é legítima. Nos Estados Unidos, Reagan, um ator de faroeste, foi eleito presidente em 1984. A porn star húngara Cicciolina foi eleita para o parlamento italiano em 1987. No mundo democrático isso não é novidade e nem é palhaçada.
Plínio, que adora ser engraçado, não tem suas tiradas tidas como palhaçadas, uma vez que chega de gravata aos debates televisivos. E seus eleitores são qualificados, são os do voto de protesto. Protesto contra quem, contra o quê? Com um partido exíguo, sem quadros, contra tudo e contra todos, sem uma plataforma de governo clara, sem uma política exterior definida, sem uma proposta econômica coerente, o que quer o Plínio, fazer graça? E palhaço é só o Tiririca?
Heloísa Helena, que outrora cometeu suicídio político, ao fundar o Pissol, foi elevada ao píncaro pelos veículos de maledicências porque era anti-Lula. Mas a sua candidatura era apenas uma piada. Como é a de Plínio. Helô arrancava gargalhadas com o seu vão palavrório, com as suas frases construídas para animar plateias. E sua candidatura de protesto(?) serviu para eleger Collor em Alagoas, uma vez que Helô preferiu rodar o Brasil a bravatear contra Lula do que lutar para que seu estado não voltasse para os braços de Collor de Melo.
Quem é palhaço, os eleitores de Tiririca? O Congresso não é um grande circo? A figura da fachada do Congresso não é mesmo a de um Grande Agá? Não é lá que dão plantão os jornalistas pipoqueiros, os colunistas que fazem acrobacias para desinformar a população sobre o que de fato se passa naquela casa?
Quando a turma do Gabeira elegeu Severino Cavalcanti como presidente da Câmara para dar o golpe no Lula, não foram esses pipoqueiros e malabaristas que bateram palmas? E não foram estes mesmos funâmbulos que se regozijaram quando o mesmo Gabeira, dedo em riste, abriu mão de sua fleuma para tornar-se um macho viril e ameaçar surrar o pequeno Severino, o Jabuti sobre a árvore?
Por que quando se apresentam candidatos dissimulados que irão representar o agronegócio, as empreiteiras, o lobby das armas – esses engravatados e engomadinhos – ninguém pergunta o que será do Congresso e da democracia? Por que essa pergunta só se faz quando o candidato é popular e sua candidatura é explícita?
Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos, um bandido que saiu a 4 anos da prisão e construiu um patrimônio avaliado em 100 milhões de reais, acusado de ter ligação com o PCC (que o PSDB diz ter desmantelado), investigado por adulteração de combustível, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, pode ser eleito deputado federal em São Paulo. Esse escroque vai representar o PCC na Câmara Federal, no entanto o Tiririca é quem incomoda.
Tiririca, embora a mídia esteja contra a sua candidatura, poderá ter um milhão de votos! Por que a mídia não questiona a si mesma como formadora de opinião? Acho que a mídia deveria tratá-lo com mais respeito, deveria procurar entender o que realmente significa a sua maciça votação, o que querem dizer os seus eleitores, avaliar o real significado de sua campanha, que é engraçada, inteligente e deliciosamente popular.
Lelê Teles – Do blog Fala que eu discuto!
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