Apologia de Brasília

Por Gilberto Freyre

José Adirson de Vasconcelos escreveu sobre Brasília um livro liricamente apologético. Quase um poema em prosa.

Brasileiro de Pernambuco (… cearense) integrado em Brasília, nele há alguma coisa daqueles “cantadores” do Nordeste cuja espontaneidade e cujo talento de improvisação vêem exaltados numa das páginas do seu “Julgamento de Brasília”. Sua atitude em face de Brasília é a do lírico, a do cantador, a do trovador que louva a bem amada.

De modo que o título do livro parece a alguns de nós inexato: apologia é o que ele é. Louvação. Exaltação. Nunca um julgamento. Nem julgamento nem análise: apologia.
Apologia que Brasília merece da parte dos jovens que, vindo de diferentes partes do Brasil, estão encontrando na nova Capital da República uma espécie de “happy end” para a sua busca romântica de uma cidade sem os defeitos das antigas. Nova. Novíssima. Com os seus próprios defeitos ao lado das suas próprias virtudes. Condição que Brasília realiza: seus principais defeitos são especificamente seus. Suas principais virtudes também são peculiarmente suas.

Capa do livro "Conheça Brasília lendo Adirson Vasoncelos"

José Adirson de Vasconcelos exalta essas virtudes. E o faz com a sinceridade de quem ligou a mocidade à Brasília como a uma dama que o acolhesse com o seu melhor amor.
Conheci, mais de perto em Brasília, esse admirável José Adirson de Vasconcelos. Ele não é em pessoa senão a confirmação do que é como autor de livro: um constante apologista de Brasília.

Levou-nos, a mim e a minha mulher, a ver meia-Brasília, como quem nos revelasse aspectos de uma cidade ideal. E confesso que quando nos fez visitar uma das escolas primárias da nova Capital brasileira senti-me verdadeiramente numa cidade ideal. Nunca me esquecerei da manhã que passamos nessa escola encantadora: tão de Brasília, tão dos Brasis, tão do Brasil. Nem da escola nem de José Adirson Vasconcelos, espectador do meu encantamento diante da escola a que nos conduzira. Era como se dissesse o tempo todo: “Veja que não exagero quando exalto Brasília”. Naquele particular, não exagerava. Escolas de Brasília como aquela fazem que até os pessimistas confiem em Brasília: no seu futuro.
O seu destino de cidadão de Brasília, é o de viver Brasília amorosamente, liricamente, voltado intensamente para o futuro da cidade.

Pela voz desse livro falam muitas vozes de jovens brasileiros de diferentes origens, agora cidadãos de Brasília. É bom que eles sejam, como José Adirson de Vasconcelos, entusiastas, amorosos, quase fanáticos, da sua cidade ideal. E saibam mostrar aos visitantes de Brasília as escolas primárias: as encantadoras escolas primárias de Brasília. Aquelas escolas em que Brasília está se formando para dar exemplos da ética e da arte da cidadania às demais cidades do Brasil.

Gilberto Freyre é  sociólogo, nome brasileiro de projeção internacional, escreveu este Prefácio em 1966. Adirson Vasconcelos considera-se um seguidor do mestre Dr. Gilberto, a exemplo do que ocorre com muitas outras personalidades brasileiras, entre as quais o senador Marco Maciel e o ministro Marcos Vinicios Vilaça, este atual presidente da Academia Brasileira de Letras.

Consulte os nomes que fizeram e fazem a história de Brasília no site: www.adirsonvasconcelos.com.br




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