Jogo de espelhos
Tudo que não parece ser é porque não é mesmo. O País vive inédita “rave” populista – desastre ambiental no pré-sal, mortos em desabamentos recolhidos aos pedaços em lixões, atores que despencam e músicos que encerram a carreira lisérgica aos palavrões, juízes que agem em causa própria. No palco, luzes e bonança.
Se algum militante dos direitos humanos sonhou que Dilma faria diferente de Lula ao visitar a ditadura cubana, ofuscou-se sob os holofotes. Antiga imagem sua, fardada e fumando charuto ao lado de Fidel, em visita oficial do então Presidente Lula à Ilha, explica tudo. O democrata Obama não fecha Guantánamo e não peita o desumano embargo econômico que pune as pessoas, mas sem efeito sobre a dinastia fardada dos Castro: auto concederam-se mais 10 anos para a “aposentadoria”.
As famílias de Pinheirinho vivem no miserê a céu aberto. O poder público, em todas as instâncias republicanas, não mexeu uma palha a seu favor nesses últimos oito anos. O drama agora virou objeto no jogo de empurra pautado eleitoralmente. Alto funcionário federal exibe, com sorriso beatífico, a cápsula da bala de borracha que o atingiu na desocupação. Troféu de palanque de uma geração lulopetista que se maldiz por não ter vivido os heróicos tempos de 68 quando as balas nas ruas eram de verdade e precediam o pau-de-arara do AI-5.
E as metas? Mais de 6 mil creches foram prometidas. Nenhuma foi inaugurada até agora, um desafio para o super-gestor Mercadante. Contas públicas em dia? O rombo no saldo comercial só é coberto pelos dólares de investidores estrangeiros.
A previdência dos servidores federais aguarda votação do Congresso desde 1992 quando foi criado o Regime Jurídico Único – o desconto de 11%, inclusive dos aposentados, é unhado há 20 anos e jogado no “buraco negro” do Tesouro Nacional. Cevados nos cargos de confiança e nos biliardários fundos de pensão, quem diz que os mega-sindicalistas se importam? Nesse jogo de espelhos da confederação de partidos no poder, melhor seria eleger Poliana como a próxima presidente. Não sofreria tanta gastrite tentando gerenciar a herança cinzenta do caos.
José Roberto da Silva – jornalista e escritor. Conheça os livros do escritor clicando aqui.
In “Diário de Brasília” – 05 fevereiro 2012.
Livre divulgação, citado o autor.
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