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><channel><title>Nós - Fora dos Eixos &#187; Artigo</title> <atom:link href="http://www.nosrevista.com.br/categoria/artigo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.nosrevista.com.br</link> <description>Revista Cultural e Literária</description> <lastBuildDate>Thu, 09 Feb 2012 15:07:33 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator> <item><title>Jogo de Espelho</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/03/jogo-de-espelho/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/03/jogo-de-espelho/#comments</comments> <pubDate>Fri, 03 Feb 2012 12:52:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category> <category><![CDATA[Cultura]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18353</guid> <description><![CDATA[Tudo que não parece ser é porque não é mesmo. O País vive inédita “rave” populista – desastre ambiental no pré-sal, mortos em desabamentos recolhidos aos pedaços em lixões, atores que despencam e músicos que encerram a carreira Se algum militante dos direitos humanos sonhou que Dilma faria diferente de Lula ao visitar a ditadura [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que não parece ser é porque não é mesmo. O País vive inédita “rave” populista – desastre ambiental no pré-sal, mortos em desabamentos recolhidos aos pedaços em lixões, atores que despencam e músicos que encerram a carreira</p><p>Se algum militante dos direitos humanos sonhou que Dilma faria diferente de Lula ao visitar a ditadura cubana, ofuscou-se sob os holofotes. Antiga imagem sua, fardada e fumando charuto ao lado de Fidel, em visita oficial do então Presidente Lula à Ilha, explica tudo. O democrata Obama não fecha Guantánamo e não peita o desumano embargo econômico que pune as pessoas, mas sem efeito sobre a dinastia fardada dos Castro: auto concederam-se mais 10 anos para a “aposentadoria”.</p><p>As famílias de Pinheirinho vivem no miserê a céu aberto. O poder público, em todas as instâncias republicanas, não mexeu uma palha a seu favor nesses últimos oito anos. O drama agora virou objeto no jogo de empurra pautado eleitoralmente. Alto funcionário federal exibe, com sorriso beatífico, a cápsula da bala de borracha que o atingiu na desocupação. Troféu de palanque de uma geração lulopetista que se maldiz por não ter vivido os heróicos tempos de 68 quando as balas nas ruas eram de verdade e precediam o pau-de-arara do AI-5.</p><p>E as metas? Mais de 6 mil creches foram prometidas. Nenhuma foi inaugurada até agora, um desafio para o super-gestor Mercadante. Contas públicas em dia? O rombo no saldo comercial só é coberto pelos dólares de investidores estrangeiros.</p><p>A previdência dos servidores federais aguarda votação do Congresso desde 1992 quando foi criado o Regime Jurídico Único – o desconto de 11%, inclusive dos aposentados, é unhado há 20 anos e jogado no “buraco negro” do Tesouro Nacional.  Cevados nos cargos de confiança e nos biliardários fundos de pensão, quem diz que os mega-sindicalistas se importam? Nesse jogo de espelhos da confederação de partidos no poder, melhor seria eleger Poliana como a próxima presidente. Não sofreria tanta gastrite tentando gerenciar a herança cinzenta do caos.</p><p><span
style="font-family: Calibri;"><span
id="more-18353"></span><em><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-roberto-da-silva">José Roberto da silva</a> &#8211; jornalista e escritor de vários livros confira <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-roberto-da-silva">clicando aqui</a>.</em></span></p><p><em> </em><span
style="font-family: Calibri;"><em>in &#8220;Diário de Brasília&#8221;  &#8211; 05 fevereiro 2012 </em>-</span></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/03/jogo-de-espelho/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Mulher de sonho (conto)</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/02/mulher-de-sonho-conto/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/02/mulher-de-sonho-conto/#comments</comments> <pubDate>Thu, 02 Feb 2012 16:39:22 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category> <category><![CDATA[Geral]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18349</guid> <description><![CDATA[Por Vinícius Bertoletti* Engraçado, era tudo tão real, mas ele sabia que estava sonhando, só poderia ser um sonho. Era muito bom para ser verdade. Começara em um baile de gala num navio russo. Ele em um alinhado smoking e sua acompanhante em um belo vestido de baile. Agradecera ao comandante pela gentileza do convite, [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p
style="text-align: left;">Por <a
title="VInicius Bertoletti" href="http://www.thesaurus.com.br/autor/vinicius-bertoletti" target="_blank">Vinícius Bertoletti</a>*</p><p
style="text-align: left;">Engraçado, era tudo tão real, mas ele sabia que estava sonhando, só poderia ser um sonho. Era muito bom para ser verdade. Começara em um baile de gala num navio russo.</p><p>Ele em um alinhado smoking e sua acompanhante em um belo vestido de baile. Agradecera ao comandante pela gentileza do convite, apresentara Natália e logo se dirigiram para o salão, onde a festa corria animada. Brincaram um pouco, mas ela desaparecera sob o pretexto de ir ao toalete. Pegou uma taça de champagne em uma bandeja e passou a tomar a deliciosa bebida em pequenos goles.</p><p>Procurou-a com os olhos, mas não a encontrou. Lindas mulheres, deliciosas mesmo, passavam por ele e o miravam, demonstrando interesse. Em plena forma física, ele estava acostumado com esses olhares demorados. Não tomou nenhuma iniciativa, estava acompanhado, ou pelo menos assim pensava, mas nesse momento era bem provável que a bela Natália estivesse acompanhando outro em um dos inúmeros camarotes do navio.</p><p>Decidiu voltar para o hotel. Talvez ela tivesse regressado primeiro. Um desencontro, pensamento vão, mas possível. Chegou à portaria.</p><p>− Por favor, alguém retirou a chave do 403?</p><p>O rapaz examinou o chaveiro atrás do balcão.</p><p>− Não senhor, ela está aqui.</p><p>Entregou-lhe a chave, ele a pegou e dirigiu-se para o local dos elevadores, mas resolveu subir pelas longas escadas, passando pelo mezanino e mais três andares. Tornou a pensar em um sonho.</p><p>Para fazer uma burrice dessas só em sonho mesmo.</p><p>Depois do que lhe pareceu um longo tempo, conseguiu chegar ao seu andar, mas ele estava diferente. Em um grande hall havia muitas pessoas da marinha. Uma mulher belíssima, com um uniforme estranho por sua exigüidade, estava sentada a uma pequena mesa. Ela trajava um curto short branco, uma camiseta da mesma cor, sapatos de salto alto e um quepe branco da marinha. Dirigiu-se a ela:</p><p>− Por favor, acho que estou no andar errado, meu apartamento é no quarto andar, número 403.</p><p>− Você está no andar certo, mas vindo pelas escadas sai aqui, que é uma sala da marinha. Deveria ter tomado o elevador.<br
/> Depois ela o apreciou demoradamente.</p><p>− Você está muito alinhado, foi a alguma festa?</p><p>− Sim, em um navio russo. Havia mulheres belíssimas.</p><p>Ela retrucou, com um olhar malicioso:</p><p>− Você não precisa procurar mulheres bonitas fora do Brasil, aqui mesmo você pode encontrar uma. Eu vou lhe ensinar o caminho para o seu apartamento. Venha comigo.</p><p>Levantou-se e ele a seguiu. Que mulher! Alta, longilínea, seios pequenos e firmes esticando a blusa, rosto e corpo perfeitos. Uma mulher de sonho. Ao final da sala ela parou, encostou o corpo no seu, roçou a face em seu rosto e disse:<br
/> − Apartamento 403, não é? Estou quase terminando meu horário de serviço&#8230;</p><p>Afastou-se levemente, quase deslizando. Virou a cabeça de leve e piscou-lhe o olho. Puxa, que sonho maravilhoso!<br
/> A chave ao girar na fechadura fez um barulho muito alto e ele acordou sobressaltado, ainda desejando a mulher, cujo nome nem sabia. Devia ter sido um barulho externo, que ele interpretara como sendo da fechadura.</p><p>Que droga! O serviço dela estava quase acabando&#8230;</p><p>Vive tentando sonhar com ela de novo, mas ainda não conseguiu. Esse é o problema do mundo dos sonhos, ele é instável e sem continuidade. Mas o desejo de revê-la continua. Quem sabe, algum dia&#8230;<br
/> <span
id="more-18349"></span><br
/> <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/vinicius-bertoletti" target="_blank">*Vinicius Bertolett</a>i é  Mineiro, de Barbacena, escritor de vários livros e vive em Guarapari.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2012/02/02/mulher-de-sonho-conto/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Reféns da Incompetência (novo desacordo ortográfico)</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/31/refens-da-incompetencia-novo-desacordo-ortografico/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/31/refens-da-incompetencia-novo-desacordo-ortografico/#comments</comments> <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 07:35:55 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18345</guid> <description><![CDATA[Por José  Augusto Carvalho O novo desacordo ortográfico, deixou-nos reféns dos dicionários e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), não apenas por causa do hífen, mas também por causa dos dicionaristas, nem sempre preparados para a função que exercem. Acredito mesmo que, à exceção do falecido  Antônio Geraldo da Cunha, que colaborou com o [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div><div><div><p>Por <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-augusto-carvalho/?affid=nosrevista" target="_blank">José  Augusto Carvalho</a></p><p>O <strong>novo desacordo ortográfico</strong>, deixou-nos reféns dos dicionários e do <em>Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa</em> (Volp), não apenas por causa do hífen, mas também por causa dos dicionaristas, nem sempre preparados para a função que exercem. Acredito mesmo que, à exceção do falecido  Antônio Geraldo da Cunha, que colaborou com o Dicionário Houaiss, nenhum colaborador ou autor de dicionário  de língua tenha ou ponha em prática noções básicas de lexicografia.</p><p>O <strong>emprego do hífen</strong> não tem  lógica e oferece dificuldades  de normalização. Nos pares abaixo, a primeira palavra é hifenizada; e a segunda, de formação idêntica, não: planta-mãe/planta matriz; célula-tronco/sequestro relâmpago; pé-de-meia/pé de moleque; afro-brasileiro;/afrodescendente; norma-padrão/desvio padrão; bom-senso/bom gosto; pronto-socorro/pronto atendimento; histórico-cultural/infantojuvenil; passa-tudo/passatempo; perde-ganha/ vaivém; ano-novo/ano velho, etc.</p><p>O Aurélio ensina que o verbo <em>explodir</em>  não se conjuga integralmente por lhe faltar a 1ª pessoa do singular do pres. do indicativo e, portanto, todo o pres. do subjuntivo. No entanto, no próprio verbete <em>explodir</em>, onde consta essa informação, o verbo aparece conjugado em todos os tempos e pessoas. O Houaiss conjuga integralmente o verbo <em>adequar</em>: eu adéquo, tu adéquas&#8230; No entanto, gramáticos como Domingos Paschoal Cegalla (<em>Dicionário de dificuldade </em><em>s da língua portuguesa</em>. Rio: Nova Fronteira, 1996, s.v.) ensinam que: “Não existem as formas <em>adéqua</em>, <em>adéquam</em>, com <strong>e</strong> tônico”.</p><p>Na minha gramática, denuncio arbitrariedades do Volp. Todas as gramáticas ensinam que <em>azul-celeste</em> e <em>azul-marinho</em>, por exemplo, são adjetivos invariáveis. O Volp inova: azuis-celestes, azuis-marinhos. As gramáticas ensinam que o nome   formado por adjetivo com nome de cor mais substantivo comum é invariável: verde-mar, vermelho-brasa. O Volp inova: verdes-garrafas, verdes-mares. Que critérios seus autores adotam para ir de encontro às lições tradicionais?</p><p>Em julho de 2010, ao explicar <em>Gálico</em>, como a “Palavra do Dia”, o Caldas Aulete colocou como sinônimos os adjetivos <em>pátrio</em> e <em>gentílico</em>. Mandei um e-mail para a Lexikon Editora Digital, citando a <em>Nova Gramática do Português Contemporâneo</em>, de Celso Cunha e Lindley Cintra, editada pela Nova Fronteira em 1985, mesma editora do Calda Aulete: “Entre os adjetivos derivados de substantivos cumpre salientar os que se referem a continentes, países, regiões, províncias, estados, cidades, vilas e povoados, bem como aqueles que se aplicam a raças e povos. Os primeiros chamam-se PÁTRIOS; os segundos GENTÍLICOS, denominações estas que foram omitidas na <em>Nomenclatura</em> <em>Gramatical</em> <em>Brasileira</em> e na <em>Nomenclatura</em> <em>Gramatical</em> <em>Portuguesa</em>, mas que nos parecem necessárias” (Versais e grifos dos autores). E expliquei: Assim, <em>semita</em> é gentílico que compreende diversos pátrios (hebreus, assírios, aramaicos, fenícios e árabes); <em>mesopotâmico</em> é gentílico que compreende assírios, caldeus, sumérios e babilônicos;  mas <em>pátrio</em> diz respeito à região: brasileiro, português e francês são pátrios.</p><p>A resposta, assinada por Luiz Roberto Jannarelli, é um atestado de submissão ao erro:  ele reconhece a lição de Celso Cunha e Lindley Cintra, mas prefere seguir o que dizem os principais dicionários de língua: o Houaiss e o Aurélio. Mesmo reconhecendo o erro, insiste em mantê-lo.</p><p>O  Houaiss, no verbete “macho”, contraria  as gramáticas ao explicar seu emprego da seguinte maneira: “<strong>a)</strong> como adj., aceita as flexões habituais da língua: <em>javali macho</em>, <em>jacaré macho: toutinegra macha, formiga macha</em>; <strong>b)</strong> por ser masculino na significação, o feminino (<em>macha</em>) do adj. é menos us. do que o substantivo <em>macho</em>, para formar femininos compostos; tal emprego exige, porém, o uso de hífen, por passar a tratar-se de palavra composta por dois substantivos: <em>toutinegra-macho, formiga-macho</em>; esse subst., colocado após outro subst. denominador de um ser sexuado, é um <em>determinante específico</em> invariável em gênero, mas não em número, e indica que o ser é do sexo masculino (<em>a cobra-macho, as aranhas-machos</em>) ou um ser viril (<em>um cabra-macho</em>) ou um ser masculinizado (<em>mulher-macho);</em>” Isto é:  tanto faz dizer “toutinegra macha” quanto “toutinegra-macho”, variando apenas o uso do hífen. Assim, em “toutinegra macha”, “macha” é adjetivo; em “toutinegra-macho”, “macho” forma com “toutinegra” um substantivo composto. Quer dizer: o hífen é que vai indicar se “macho” é adj. ou parte de subst. composto! As gramáticas, contudo, ensinam que “macho” e “fêmea” são sempre invariáveis em gênero quando se trata de nomes epicenos. Ademais, “macho” e “fêmea”, quando não formam substantivos compostos,  não podem ser considerados adjetivos, mas apostos especificativos. Nesse caso, “mulher macho” se escreveria sem hífen. O Aurélio dá lição pior: no verbete “macho” exemplifica “cobra macha”, como se “macha” fosse adjetivo e não como se fosse o segundo elemento invariável em gênero na formação da palavra composta. A mesma lição espúria se encontra no verbete “epiceno”. Felizmente, o Houaiss não comungou dessa lição nesse verbete.</p><p><strong>Só me resta rezar para que os portugueses, dando prova de inteligência e discernimento, continuem lutando para que esse acordo ortográfico  seja rejeitado por Portugal.</strong></p></div></div></div><p><span
style="font-size: x-small;">        *</span> <span
style="font-size: x-small;">publicado em 28 jan. 2012  no suplemento <em>Pensar</em>, do jornal<em> A Gazeta, </em>de Vitória (ES).</span></p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-augusto-carvalho/?affid=nosrevista" target="_blank">José Augusto de Carvalho</a> e autor de vários livros e <em><a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2794/gramatica-superior-da-lingua-portuguesa/?affid=nosrevista_tg" target="_blank">Gramática superior da língua portuguesa</a></em> , publicado pela <a
href="http://www.thesaurus.com.br/?affid=nosrevista" target="_blank">Thesaurus Editora de Brasília</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/31/refens-da-incompetencia-novo-desacordo-ortografico/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>6º PIB, 1ª pior política econômica</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/30/18342/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/30/18342/#comments</comments> <pubDate>Mon, 30 Jan 2012 14:32:38 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18342</guid> <description><![CDATA[Houve muita fanfarra com a estatística que apontou ter o Brasil a sexta maior economia do mundo pelo enganador critério do PIB (produto interno bruto). Na maioria dos países o PIB real é superestimado, para dar a impressão de que a economia está indo bem. 2. Para isso, usam-se vários truques, em muitos países, que [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Houve muita fanfarra com a estatística que apontou ter o Brasil a sexta maior economia do mundo pelo enganador critério do PIB (produto interno bruto). Na maioria dos países o PIB real é superestimado, para dar a impressão de que a economia está indo bem.</strong></p><p>2. Para isso<strong>, usam-se vários truques</strong>, em muitos países, que subestimam a elevação dos preços: a) alterar a cesta de produtos que compõem os índices de inflação, e o respectivo peso; b) supor que toda modificação de produto significa melhora técnica; c) quando da substituição, no consumo, de bem ou serviço de maior valor por outro de menor qualidade, devido a aumento de preço daquele, considerar que não houve elevação.</p><p>3. No Brasil, além de algumas dessas modalidades de manipulação, as taxas de crescimento do PIB deram alguns saltos, desde o final dos anos 60, em função de alterações nos critérios dos cálculos, o que transmite a impressão enganosa de rápido progresso a partir dessa época.</p><p>4.  Além das distorções em moedas nacionais, as variações nas taxas de câmbio afetam em muito os dados comparativos. O câmbio do real está supervalorizado. Em média, sua taxa foi, em 2010, R$ 1,70, enquanto se estima em R$ 2,50 a que poderia melhorar a posição competitiva dos bens  industriais produzidos no País. Corrigido o câmbio nessa proporção, o PIB cairia muitas posições para abaixo da 10ª.</p><p>5. O mais importante, porém, é que o PIB registra o que é produzido no País, sem considerar, de um lado, quanto dessa produção pertence aos residentes e a empresas locais, e, de outro lado, quanto pertence a residentes no exterior e a empresas estrangeiras.</p><p>6. Portanto, há muitíssimo tempo, o PIB se tornou quase irrelevante, em razão de ter sido a produção transnacionalizada, mormente no Brasil, onde isso é patológico.</p><p>7. O PNB (produto nacional bruto) daria ideia menos distorcida das coisas, pois em seu cálculo  é deduzido do PIB o que  residentes no exterior e empresas estrangeiras ganham com a produção no País, e adicionado o que residentes no Brasil e empresas brasileiras auferem no exterior.</p><p>8. Entretanto, quase não se fala do PNB.  Além disso, no Brasil, ele sempre foi subestimado, porquanto grande parte das empresas controladas de fora do País  figura nas estatísticas  com participação de capital estrangeiro inferior à real, já que é registrada em nome de laranjas.</p><p>9. A apuração oficial do PNB  é ainda muito  mais distante da realidade, por ter sido criminosamente  suprimida a distinção entre empresas de capital nacional e de capital estrangeiro, quando da “reforma” do capítulo econômico da Constituição de 1988, encomendada pela oligarquia  estrangeira a FHC e a demais asseclas.</p><p>10. Ora,  o Brasil é um dos países em que é mais alta e, na realidade, predominante a parte da renda produzida no País sob o capital estrangeiro, grande parcela da qual é anualmente transferida para o exterior, não só como lucros e dividendos oficiais, mas também em outras contas das transações correntes, através de  bens e serviços superfaturados na importação e subfaturados na exportação.</p><p>11. A economia brasileira já estava grandemente controlada por empresas transnacionais no início dos anos 70. Depois, o País sofreu  devastação decorrente da crise das contas externas no final dos anos 70. Ao longo dos anos 80, a elevação absurda dos juros da dívida externa com  a fraude à Constituição de 1988, que fez privilegiar o “serviço da dívida externa”.</p><p>12. Esse, desde então, nos custou quantia próxima a R$ 10 trilhões em valores atualizados. Nos anos 90, houve a avalanche das privatizações, que aceleraram a desnacionalização. Desde então, elevados  ingressos acumulados de investimentos diretos estrangeiros. Estimo, pois, que o PNB não equivale a sequer 60% do PIB. Como este também é muito superestimado, não passa de 40% do sugerido pelas cifras do PIB a renda das pessoas físicas e jurídicas brasileiras.<br
/> 13. Ao se comemorar que o PIB do Brasil tenha passado o da Inglaterra, a enganação é ainda maior que  a acima desmascarada, porquanto esse país-sede  da oligarquia financeira, há mais de trezentos anos, representa extremo oposto ao do Brasil.</p><p>14. De fato, o Reino Unido é único país cujo produto fora de suas fronteiras supera o realizado dentro delas. A produção interna segue estagnada, mas a oligarquia britânica nada em lucros, entre outros, os de manipular os mercados financeiros mundiais, além de contar com valiosos ativos em todo o mundo, inclusive  minas de ouro e de outros minérios preciosos no Brasil.</p><p>15. Em última análise, as mídias local e estrangeira fazem troça do Brasil quando destacam o crescimento do PIB brasileiro, como que fazendo nosso povo rir de sua própria miséria, sem de nada saber.</p><p>16. Nem falemos do poder bélico e político do Reino Unido. Recordemos apenas que sua oligarquia, coadjuvada por outras da OTAN, tem exercido pressão, praticamente sem resistência, sobre  “governos” brasileiros, para separar, de fato, do território nacional imensas e riquíssimas áreas da Amazônia, a pretexto de “proteger” indígenas (até importados para lá) e o meio ambiente.</p><p><strong>Desnacionalização e desindustrialização</strong></p><p>17.  No Brasil a produção ainda cresce, mas a serviço quase que exclusivo de bancos, muitos estrangeiros, inclusive os britânicos HSBC e Santander (que passa por espanhol),  e das empresas transnacionais, que controlam cada vez mais ativos no País e transferem os ganhos para o exterior, especialmente nos paraísos fiscais, quase todos em  ex-colônias  britânicas.</p><p>18. Beneficiário da escandalosa privatização do BANESPA, o maior banco estadual do mundo, entregue por nada pela troupe tucana encastelada em São Paulo, o Santander foi agora agraciado pelo CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda – com a isenção de quatro bilhões de reais devidos à Receita Federal.</p><p>19. Em vez de se iludir com estatísticas conjunturais, o Brasil deveria atentar para as graves distorções de estrutura acumuladas desde 1954, as quais estão a pôr a casa em sério risco. Elas se manifestam na desindustrialização decorrente da desnacionalização da economia.</p><p>20.  Que outra coisa poderia ter acontecido, se, desde aquela época, as políticas públicas subsidiam, incessante e crescentemente, transnacionais sediadas no exterior?  Vez por outra, empresas nacionais foram ajudadas, mas, em geral, a maioria delas foi massacrada, enquanto as transnacionais nunca ficaram sem os favores da política econômica.</p><p>21. O Brasil tem agora um dos mais altos déficits de transações correntes com o exterior. Além disso, as reservas cambiais não são bem nossas, ao contrário das da China, da Alemanha e de outros que têm competitividade tecnológica e cujas reservas resultam de saldos positivos naquelas transações.  As reservas do Brasil são constituídas, em grande parte, por dólares convertidos em reais para aplicações em títulos financeiros, e elas podem deixar o Banco Central  aos primeiros sinais de crise externa.</p><p>22. Conforme dados do Banco Mundial, a participação no total mundial do valor adicionado pela indústria no Brasil permanece, desde 2000, parado em 1,7%. Enquanto isso, o mesmo indicador na China elevou-se de 6,7% em 2000 para 9,8% em 2005 e para 14,5% em 2009.</p><p>23. Segundo a mesma fonte, as  importações brasileiras de bens de alta tecnologia não chegam a US$ 40 bilhões, e as exportações não atingem sequer US$ 10 bilhões. No caso da China, as importações e as exportações somavam, cada uma, US$ 50 bilhões em 1996, e alcançaram, em 2008, US$ 325 bilhões e US$ 450 bilhões, respectivamente.</p><p>24. O modelo econômico dependente, baseado em tecnologia estrangeira  não-absorvida no País e em financiamentos geridos pelo Banco Mundial, a custos materiais e financeiros elevados, ademais de privilegiar os grandes produtores mundiais de equipamentos, inviabilizou o desenvolvimento de empresas médias e pequenas de capital nacional nos programas de investimentos públicos, como o elétrico e o siderúrgico.</p><p>25. As privatizações agravaram o quadro, tendo acabado com o espaço de empresas privadas locais tecnologicamente promissoras que, antes, forneciam equipamentos e componentes às estatais.</p><p>26. Até no âmbito da Petrobrás &#8211; por pouco privatizada com a venda de ações a estrangeiros e os diversos atentados contra ela decorrentes da Lei 9.478 -  foram revertidas políticas fomentadoras de firmas brasileiras. Conforme observou o Eng. Fernando Siqueira, da AEPET, a Petrobrás, nos anos 70, sob Geisel,  havia criado, através de transferência de tecnologia, um parque fornecedor com cinco mil empresas, que competiam com grandes multinacionais no estado da arte.</p><p>27. Diz ele: “Collor, na linha do Consenso de Washington, reduziu em mais de 30% as tarifas de importação, e  FHC jogou a pá de cal ao criar o REPETRO, pelo decreto 3161, que isentou as empresas estrangeiras de todos os impostos: II, IPI, ICMS, PIS, Cofins, tudo. Com isto, liquidou essas 5.000 empresas. As que restaram foram adquiridas pela GE.”</p><p>28. Não há espaço aqui para resumir os variados e imensos subsídios com que a política econômica presenteia as transnacionais montadoras de veículos e outras transnacionais em todos os setores da economia, sendo as benesses federais complementadas pelas estaduais e municipais. Há poucos dias, noticiou-se que o prefeito do Rio doará à General Electric dos EUA terreno de 45.000 m², na ilha do Fundão.</p><p>29. Os financiamentos do BNDES constituem vultoso subsídio às grandes  transnacionais que, cada vez mais, controlam o mercado brasileiro e recebem do banco estatal trilhões de reais a taxas favorecidas. A Thyssen, da Alemanha, líder de cartéis  mundiais, formou “joint venture” para produzir energia elétrica poluente à base de carvão, em “associação” com o multiusos Eike Batista, com 75% dos recursos providos pelo BNDES.</p><p>30. Além de subsidiar as transnacionais, o governo planeja privatizar aeroportos e “trabalha” para acentuar a dependência tecnológica do País, reduzindo para 2% o imposto de importação sobre extensa gama de bens de capital. A fabricação no País desses bens chegara, nos anos 70, a prover 60% da demanda  interna, proporção que caiu a menos de 40%, sem falar na queda substancial da participação de empresas de capital nacional.</p><p>31. Cada vez mais o Brasil  exporta recursos naturais com pouco ou nenhum processamento industrial, até no setor agroindustrial. Dos minérios estratégicos, como o quartzo e o nióbio, em que a quase totalidade da matéria-prima está concentrada no Brasil, exportam-se insumos a preços subfaturados e que não representam sequer 1/50 do valor unitário (por peso) dos bens finais em que são utilizados.</p><p>32. As exportações dependem cada vez mais das  commodities. Estas  atingiram, em 2010,  70% de participação na pauta total, além estarem representadas por componente crescente de produtos básicos, inclusive nos cinco maiores grupos: minério de ferro; petróleo; soja; açúcar; café. De resto, permanece em vigor a espantosa Lei Kandir/Collor, que isenta de ICMS a exportação de bens primários.</p><p>*  <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriano-benayon" target="_blank">Adriano Benayon </a>é Doutor em Economia e autor de “<a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento/?affid=nosrevista_tg" target="_blank"><em>Globalização versus Desenvolvimento</em></a>”  a venda no site da <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento/?affid=nosrevista_tg" target="_blank">Thesaurus Editora</a> – abenayon.df@gmail.com</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/30/18342/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Duas figuras, dois personagens de Brasília</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/24/duas-figuras-dois-personagens-de-brasilia/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/24/duas-figuras-dois-personagens-de-brasilia/#comments</comments> <pubDate>Tue, 24 Jan 2012 11:27:41 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category> <category><![CDATA[Brasília]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18337</guid> <description><![CDATA[Por Marcelo Torres  Brasília tem dois tipos de moradores que são a cara da cidade. Dois retratos, duas“instituições” que marcam o cotidiano da capital do país. O primeiro não é benquisto por essas bandas, um tipo meio maldito e bastante temido. Ele é um jovem brasiliense, ainda vai fazer 17 anos, e pode ser visto [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><span
style="font-size: small;"><span
style="text-decoration: underline;"><strong>Por Marcelo Torres</strong></span><em><span
style="text-decoration: underline;"><br
/> </span></em></span></p><div> <span
style="font-size: small;">Brasília tem dois tipos de moradores que são a cara da cidade. Dois retratos, duas“instituições” que marcam o cotidiano da capital do país. </span></div><p><span
style="font-size: small;">O primeiro não é benquisto por essas bandas, um tipo meio maldito e bastante temido. Ele é um jovem brasiliense, ainda vai fazer 17 anos, e pode ser visto na cidade a cada dois quilômetros. Está sempre firme, ligado. É um tipinho imponente, todo-poderoso, infalível, absoluto. E mais: é um tipinho frio, calculista, impassível, rigoroso. Mas, reconheçamos, ele faz a lei num piscar de olhos &#8211; dura <em>lex, sede lex</em>. </span></p><p><span
style="font-size: small;">Ele é um dos olhos da lei. Seus inimigos e desafetos, que não são poucos, vivem reclamando que ele só age às escondidas, meio disfarçado entre árvores, sempre à espreita para entrar em ação. Escondido ou não, é tido e havido como uma estranha criatura, um ser esquisito, parece até um extra-terrestre. As pessoas, sejam elas do bem ou do mal, tomam todo o cuidado do mundo ao passar pela figura. Pelo que se sabe, ele nunca matou índio nem garçom, e ainda assim é temido, muito temido esse jovem brasiliense.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Já o outro tipo, o seu xará, não tem lá esse poder todo. Nem é maldito ou temido; ao contrário, parece um coligado seu, um amigo que entra na sua casa e come à mesa. Uns o veem como um folgado, um entrão. Mas a maioria o tem em boa conta. Ele nasceu na Europa há um bom tempo, portanto já é um velhinho. Chegou ao Brasil pelo Rio de Janeiro, chamado para combater a febre amarela. Foi um dos pioneiros de Brasília, onde vive de comer migalhas e restos de comida.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Uns místicos e supersticiosos falam que a presença deste segundo tipo atrai insucessos, desgraças, infortúnios. Outros dizem que ele é querido e bem recebido em alguns países europeus; quando ele chega lá e canta, é sinal de boas novas, uma chuva esperada, uma surpresa agradável, um desejo realizado.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Bom, meus caros, antes que vocês morram de curiosidade, eu vou lhes dizer quem são esses tipinhos de Brasília: são os pardais. Sim, os pardais. Dois tipos de pardais que habitam essa cidade (o pardal passarinho, que tem asas, penas e não multa; e o pardal radar, que não tem asas, não tem pena e multa sem pena).</span></p><p><span
style="font-size: small;">Os pardais dos primeiros parágrafos são os radares que fotografam placas de carros que ultrapassam os limites de velocidade. Já os pardais dos outros parágrafos são aquelas aves de nome científico <em>passer domesticus</em>, ou seja, os pardais pardais </span></p><p><span
style="font-size: small;">Os primeiros (os radares) vivem presos nos postes, não têm asa nem pena, portanto não voam &#8211; mas multam sem pena, multam que é uma beleza. Já os outros (passarinhos) vivem soltinhos da silva, folgados que só eles &#8211; têm asa e pena, portanto voam, mas não multam ninguém.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Os de pena e asas foram pioneiros em Brasília, como se Dom Bosco lhes tivesse revelado em primeira mão o suposto sonho que falava de uma terra prometida, que seria aqui nesses paralelos, de onde haveria de jorrar leite e mel &#8211; só que até agora não jorrou foi nada.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Os pardais povoam a cidade, às vezes parecendo os únicos habitantes. Ou os últimos.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Os de pena velam mortos nas cercas do cemitério, disputam milho com pombos na Praça dos Três Poderes e vivem cagando na cabeça da “Ceguinha” &#8211; o apelido da escultura que fica na frente do prédio do Supremo Tribunal Federal.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Eles ficam olhando a tudo e todos do alto dos prédios e fios elétricos. Depois voam para as árvores e para os parques, para cantarem com as gralhas, com as cigarras, com os bem-te-vis. Não raro beliscam migalhas na solidão do asfalto.</span></p><p><span
style="font-size: small;">É cena comum, em Brasília, um pardal entrar na sua casa ou apartamento, no momento em que você senta para tomar café ou almoçar. Ele chega em silêncio, pousa à janela e fica olhando. Se você o espanta, ele voa, vai embora. Se você cala -como a consentir -, ele pula para a mesa ou para o chão, bica uns tiquinhos de alimentos, dá três saltinhos e voa de volta para a rua, feliz da vida.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Mas não pense você que é fácil a vida do <em>passer domesticus</em> em Brasília, essa cidade cheia de prédios espelhados, como se fosse a cidade dos espelhos. Nesses edifícios, eles não entram de jeito nenhum. Ao contrário, muitos deles morrem ao se chocarem com as paredes espelhadas. Um desses prédios é a suntuosa sede da Procuradoria Geral da República (PGR), onde todos os dias um funcionário recolhe, sobre os pés das paredes, dezenas de passarinhos mortos. </span></p><p><span
style="font-size: small;">Por outro lado, os pardais multadores (radares) têm uma história curiosa. Eles nasceram em Brasília, portanto são brasilienses &#8211; ou candangos. Aqui eles surgiram em 1996, no Eixão. Foram dois: um na 111 Norte, outro na 110 Sul. Ou seja, os pardais nasceram nas asas desse avião chamado Brasília.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Quem deu o apelido de pardal foi um tal Moysalvo Albergaria, que era motorista de Luiz Miúra, diretor do Detran à época. A história é narrada pelo jornalista Antonio Vidal, no livro “É possível: as realizações do engenheiro Cristovam Buarque rumo a uma nova esquerda”, publicado pela Geração Editorial em 2006.</span></p><p><span
style="font-size: small;">Li no livro que o então diretor do Detran queria que o nome do aparelhinho fosse pica-pau. Chegou a chamá-lo por esse nome, mas a ideia não vingou. Eu fico cá pensando: esse aparelhozinho deveria ser chamado de corvo, ou águia, ou urubu, ou coruja, corujão, corujinha, falcão. Mas o que “pegou” mesmo foi pardal.</span></p><blockquote><p><span
style="font-size: small;"><em><span>Moysalvo era alvo de gozações e cobranças sempre que levava o chefe para algum evento e ficava aguardando a hora de ir embora no meio de outros motoristas. &#8216;Pô, Moysalvo, seu chefe quer acabar com a gente. Agora é multa toda hora&#8217;, diziam. Em um desses encontros, Moysalvo respondeu que o sistema agora estava mais sofisticado. &#8216;É melhor vocês terem mais cuidado ainda porque, de agora em diante, o diretor está contratando uns <strong><span
style="text-decoration: underline;">pardaizinhos</span></strong> que vão ficar nos postes e vão dedurar quem correr demais&#8217;, disse. O diretor do Detran contou o caso a um jornalista, que publicou a história e o nome pegou. Os radares viraram pardais e são chamados assim em praticamente todo o país. Anos depois, já aposentado, o ex-diretor do Detran não resistiu e fotografou uma placa que viu no interior do Rio Grande do Sul. “Rodovia fiscalizada por pardal”. Mandou a foto para Moysalvo</span></em>.&#8221; [VIDAL, 2006, p.163]</span></p></blockquote><p><span
style="font-size: small;">Eis aí a história desses xarás que são personagens da vida brasiliense. Aqui, não tem jeito, todo dia, de dia ou à noite, você vê os pardais. E não adianta você se esconder, pois eles também estão de olho em você. Sorria, você está sendo filmado. Filmado pelos pardais.</span></p><div> <strong><em><span
style="font-size: small;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</span></em></strong></div><p><em><span
style="font-size: small;"><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/marcelo-torres/?affid=nosrevista_tag" target="_blank">Marcelo Torres</a>, autor do livro “<a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2781/o-be-a-ba-de-brasilia-dicionario-de-coisas-e-palavras-da-capital/?affid=nosrevista_TG" target="_blank">O bê-á-bá de Brasília</a>” &#8211; </span><a
href="mailto:marcelocronista@gmail.com"><span
style="color: #0000ff; font-size: small;">marcelocronista@gmail.com</span></a><span
style="font-size: small;"> [se for repassar, não mude o texto nem a autoria]. </span></em></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2012/01/24/duas-figuras-dois-personagens-de-brasilia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Apologia de Brasília</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/17/apologia-de-brasilia/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/17/apologia-de-brasilia/#comments</comments> <pubDate>Sat, 17 Dec 2011 14:42:08 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18324</guid> <description><![CDATA[Por Gilberto Freyre José Adirson de Vasconcelos escreveu sobre Brasília um livro liricamente apologético. Quase um poema em prosa. Brasileiro de Pernambuco (&#8230; cearense) integrado em Brasília, nele há alguma coisa daqueles “cantadores” do Nordeste cuja espontaneidade e cujo talento de improvisação vêem exaltados numa das páginas do seu “Julgamento de Brasília”. Sua atitude em [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Por<strong> Gilberto Freyre</strong></p><p><a
href="www.thesaurus.com.br/autor/adirson-vasconcelos/?affid=nosrevista" target="_blank">José Adirson de Vasconcelos</a> escreveu sobre Brasília um livro liricamente apologético. Quase um poema em prosa.</p><p>Brasileiro de Pernambuco (&#8230; cearense) integrado em Brasília, nele há alguma coisa daqueles “cantadores” do Nordeste cuja espontaneidade e cujo talento de improvisação vêem exaltados numa das páginas do seu “Julgamento de Brasília”. Sua atitude em face de Brasília é a do lírico, a do cantador, a do trovador que louva a bem amada.</p><p>De modo que o título do livro parece a alguns de nós inexato: apologia é o que ele é. Louvação. Exaltação. Nunca um julgamento. Nem julgamento nem análise: apologia.<br
/> Apologia que Brasília merece da parte dos jovens que, vindo de diferentes partes do Brasil, estão encontrando na nova Capital da República uma espécie de “happy end” para a sua busca romântica de uma cidade sem os defeitos das antigas. Nova. Novíssima. Com os seus próprios defeitos ao lado das suas próprias virtudes. Condição que Brasília realiza: seus principais defeitos são especificamente seus. Suas principais virtudes também são peculiarmente suas.</p><div
id="attachment_18325" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/CAPA_nomes_de_brasilia_2012.jpg"><img
class="size-medium wp-image-18325" title="CAPA_nomes_de_brasilia_2012" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/CAPA_nomes_de_brasilia_2012-198x300.jpg" alt="" width="198" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Capa do livro &quot;Conheça Brasília lendo Adirson Vasoncelos&quot;</p></div><p><a
href="www.thesaurus.com.br/autor/adirson-vasconcelos/?affid=nosrevista" target="_blank">José Adirson de Vasconcelos</a> exalta essas virtudes. E o faz com a sinceridade de quem ligou a mocidade à Brasília como a uma dama que o acolhesse com o seu melhor amor.<br
/> Conheci, mais de perto em Brasília, esse admirável José Adirson de Vasconcelos. Ele não é em pessoa senão a confirmação do que é como autor de livro: um constante apologista de Brasília.</p><p>Levou-nos, a mim e a minha mulher, a ver meia-Brasília, como quem nos revelasse aspectos de uma cidade ideal. E confesso que quando nos fez visitar uma das escolas primárias da nova Capital brasileira senti-me verdadeiramente numa cidade ideal. Nunca me esquecerei da manhã que passamos nessa escola encantadora: tão de Brasília, tão dos Brasis, tão do Brasil. Nem da escola nem de José Adirson Vasconcelos, espectador do meu encantamento diante da escola a que nos conduzira. Era como se dissesse o tempo todo: “Veja que não exagero quando exalto Brasília”. Naquele particular, não exagerava. Escolas de Brasília como aquela fazem que até os pessimistas confiem em Brasília: no seu futuro.<br
/> O seu destino de cidadão de Brasília, é o de viver Brasília amorosamente, liricamente, voltado intensamente para o futuro da cidade.</p><p>Pela voz desse livro falam muitas vozes de jovens brasileiros de diferentes origens, agora cidadãos de Brasília. É bom que eles sejam, como José Adirson de Vasconcelos, entusiastas, amorosos, quase fanáticos, da sua cidade ideal. E saibam mostrar aos visitantes de Brasília as escolas primárias: as encantadoras escolas primárias de Brasília. Aquelas escolas em que Brasília está se formando para dar exemplos da ética e da arte da cidadania às demais cidades do Brasil.</p><p><strong>Gilberto Freyre</strong> é  sociólogo, nome brasileiro de projeção internacional, escreveu este Prefácio em 1966. Adirson Vasconcelos considera-se um seguidor do mestre Dr. Gilberto, a exemplo do que ocorre com muitas outras personalidades brasileiras, entre as quais o senador Marco Maciel e o ministro Marcos Vinicios Vilaça, este atual presidente da Academia Brasileira de Letras.</p><p><strong>Consulte os nomes que fizeram e fazem a história de Brasília</strong> no site: <a
href="http://www.adirsonvasconcelos.com.br" target="_blank">www.adirsonvasconcelos.com.br</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/17/apologia-de-brasilia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Bancos apossam-se da Europa</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/14/bancos-apossam-se-da-europa/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/14/bancos-apossam-se-da-europa/#comments</comments> <pubDate>Wed, 14 Dec 2011 11:47:51 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18306</guid> <description><![CDATA[Por Adriano Benayon* &#8211; 13.12.2011 A oligarquia financeira está empurrando, goela abaixo da União Européia (UE), um “acordo” que estabelece regras rígidas para que a Europa seja governada (ou desgovernada), de forma absoluta, por bancos, liderados pelo Goldman Sachs, de Nova York. 2. Embora as modificações desse acordo aos Tratados da UE dependam  de aprovação [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Por <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriano-benayon" target="_blank">Adriano Benayon</a>* &#8211; 13.12.2011</p><p>A oligarquia financeira está empurrando, goela abaixo da União Européia (UE), um “acordo” que estabelece regras rígidas para que a Europa seja governada (ou desgovernada), de forma absoluta, por bancos, liderados pelo Goldman Sachs, de Nova York.</p><p>2. Embora as modificações desse acordo aos Tratados da UE dependam  de aprovação legal em cada país membro -  processo que poderia durar anos &#8211; os manipuladores financeiros assumiram o poder na marra e irão em frente, a menos que o impeça a resistência dos povos, ainda sem organização.</p><p>3. Com a experiência da pequena Islândia, em duas consultas ao povo, a última em abril de 2011, os predadores perceberam que qualquer outra, em qualquer país, implica a derrota de suas proposições. Bastou o ex-primeiro-ministro da Grécia falar em referendo  para ser demitido.</p><p>4. Mesmo antes de 09.12.2011 &#8211; quando foi encenada “reunião de cúpula”, e Sarkozy (França) e Angela Merkel (Alemanha) anunciaram o tal “acordo” -  o Goldman Sachs (GS) já havia posto três de seus prepostos em posições-chave: Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, primeiro-ministro da Itália; Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia, envolvido em operações do Goldman Sachs com a dívida grega resultantes em sua elevação.</p><p>5. Os países da Zona Euro (os 17 membros da UE cuja moeda é o euro) serão obrigados a aceitar o “acordo”. Sarkozy e Merkel dizem que os dirigentes dos outros 15 países foram consultados, mera formalidade. Nove outros Estados participam da União Europeia, mas não adotam o euro: Reino Unido e Dinamarca (isentos), e mais sete que poderiam ainda aderir à Zona.</p><p>6. Aqueles portavozes apresentaram o pacote envolto neste rótulo: “salvar o euro”; “reforçar e harmonizar” a integração fiscal e orçamentária da Europa. Na realidade, trata-se de destruir a Europa econômica e politicamente, sem garantir a sobrevida do euro, além de aprofundar a depressão, com o arrasamento das políticas de bem-estar social, instituindo uma espécie de “lei de responsabilidade fiscal”, como a que manieta o Brasil.</p><p>7. O “acordo” impõe duras sanções aos países que não o cumpram, ademais de ser  fiscalizados pelo Tribunal Europeu de Justiça. Os Chefes de Estado e de governo passam a reunir-se mensalmente durante a crise. Com isso, reduz-se o poder dos burocratas da Comissão Europeia, mas essa mudança nada altera, dado que estes também executam fielmente os desejos oligarquia anglo-americana.</p><p>8. Sarkozy é cópia piorada de Mussolini, pois este pôs os bancos sob  controle do Estado – e não o contrário, como se faz agora com a Europa, EUA etc. Submisso às diretivas da oligarquia financeira, o presidente da França declara que os benefícios sociais não são sustentáveis, na hora em que eles são mais necessários que nunca, dado o desemprego grassante.</p><p>9. O pacote quer obrigar, punindo os que não o cumpram, que os países da Zona Euro reduzam seus déficits orçamentários para 0,5% do PIB, ou seja, seis vezes menos que o limite de 3%, prescrito no Tratado de Maastricht.</p><p>10. Isso significa que Grécia, Itália, Espanha, Portugal e outros terão de cortar ainda mais despesas, depois de já as terem cortado, fazendo, assim, a depressão aprofundar-se. A depressão já causou queda nas receitas fiscais. Combinada a queda das receitas fiscais com o crescimento do serviço da dívida pública, decorrente da alta das taxas de juros, temos, juntos, dois fatores de elevação do déficit orçamentário.</p><p>11. Que fazer? Cortar toda despesa que não as da dívida, desmantelando as políticas sociais e deixando de investir na infra-estrutura econômica e na social.  Isso trará, entre outros danos irreparáveis, o aumento da disparidade entre membros mais e menos desenvolvidos, inviabilizando a permanência destes na Zona Euro, o que implica sua desintegração.</p><p>12.  A periferia europeia está, pois, ingressando no Terceiro Mundo, caminho aberto também ao restante da Europa, já que acaba de lhe ser prescrita a receita usual do FMI, a qual ajudou a manter o Brasil e outros no subdesenvolvimento.</p><p>13. A dupla franco-alemã infla seus egos brincando de diretório europeu, mas Merkel, obedecendo aos bancos alemães, rejeitou a possibilidade de o  Banco Central Europeu (BCE) emitir títulos para substituir os dos países devedores. Os bancos querem continuar emprestando aos governos, para faturar os juros.</p><p>14. Essa rejeição deve levar ao fim do euro, se este já não está perto do fim mesmo sem ela. Traz consequências danosas para a própria Alemanha e para a França, pois obriga os devedores mais problemáticos a continuar pagando taxas de juros demasiado elevadas nos seus títulos.</p><p>15. Isso promove crise ainda maior de suas dívidas, com o que credores &#8211; bancos alemães, franceses e norte-americanos -  chegarão mais rápido ao colapso. Mostra-se, portanto, quimérica outra pretensão do “acordo”: a de enquadrar os países no limite de 60% do PIB para suas dívidas.</p><p>16. Não é para a União Europeia que os países europeus  estão perdendo a soberania.  É em favor da oligarquia financeira que renunciam formalmente, através de atos irresponsáveis de seus chefes de governo.</p><p>&nbsp;</p><p>17. A perda de soberania não se restringe às regras draconianas citadas, por si sós conducentes à ruína financeira e econômica. Inclui também que os países devedores liquidem – a preço de salvados do incêndio – inalienáveis patrimônios do Estado, como já foi determinado à Grécia e a outros. É a privatização, objeto das mais colossais corrupções vistas na história do Brasil.</p><p>&nbsp;</p><p>18. Os analistas ligados ao sistema de poder atribuem a crise dos países europeus mais pobres a terem estes gastado acima de suas possibilidades, e mesmo economistas mais sérios oferecem explicações para a <em>débâcle</em> europeia que omitem sua causa principal.</p><p>&nbsp;</p><p>19. Essa causa é a depressão econômica mundial, resultante do colapso financeiro armado pela finança oligárquica centrada em Nova York e Londres. Ele eclodiu em 2007, iniciando a depressão que se desenha como a mais profunda e longa da História, se não for interrompida pela terceira guerra mundial, planejada pelo complexo financeiro-militar dos EUA.</p><p>20. Martin Feldstein, professor de Harvard, aponta diferenças institucionais e nas políticas monetária e fiscal entre os EUA e a UE. Ele e muitos, como Delfim Neto, atribuem grande importância à taxa de câmbio. Argumentam que os europeus em crise não têm como desvalorizar a moeda para se tornarem mais competitivos, uma vez que adotaram o euro.</p><p>21. Robert Solow, prêmio Nobel, salienta que a UE transfere recursos de pequena monta aos membros menos avançados, pois o orçamento unificado da UE equivale a só 1% de seu PIB. Já nos<strong> </strong><strong>EUA</strong><strong> </strong><strong>o </strong>governo federal fez vultosas transferências de recursos aos Estados e para regiões críticas.</p><p>22. Ainda assim, Itália, Espanha, Grécia, Portugal suportaram a situação até surgir a depressão mundial.  Tendo exportações de menor conteúdo tecnológico que Alemanha, Holanda, França, e dependendo do turismo, foram duramente atingidos até pela queda da produção e do emprego nos países ditos ricos, inclusive extra-continentais, como EUA e Japão.</p><p>23. A depressão, por sua vez, adveio das bandalheiras financeiras geradas a partir de Wall Street e bases off-shore, sem regulamentação, atuantes no esquema da City de Londres, desembocando no colapso financeiro que eclodiu em 2007 e se direciona para novo estágio, mais destrutivo.</p><p>24. Os europeus envolveram-se na onda dos derivativos, quando bancos suíços e alemães adquiriram alguns bancos de investimento de Wall Street. Mesmo assim, os bancos dos EUA estão tão ou mais encalacrados que os europeus nos títulos podres resultantes da abusiva criação dos derivativos.</p><p>25. Ademais, Grécia, Espanha, Itália e outros foram enrolados pela engenharia financeira de Wall Street, Goldman Sachs à frente, que lesou investidores, camuflando os riscos, além de proporcionar créditos àqueles países, ao mesmo tempo em que fazia hedge, jogando contra seus devedores, com o resultado de elevar os juros das dívidas.</p><p>26. O assaltante está tendo por prêmio ficar com a casa do assaltado. Mas, antes da ocupação dos governos pelos bancos, agora ostensiva, as pretensas democracias ocidentais já não tinham autonomia, mesmo com parlamentos eleitos escolhendo o primeiro-ministro.</p><p>27. Como os principais partidos políticos são controlados pela oligarquia financeira – na Europa, nos EUA etc. &#8211; e se diferenciam apenas por ideologias pró-forma, acomodáveis a qualquer prática, pode-se dizer que a escolha eleitoral se limita à marca do azeite com o qual os eleitores serão fritados.</p><p>28.  O “acordo” agora imposto à Europa surge como culminação de uma guerra financeira que completa o trabalho realizado nas duas primeiras Guerras Mundiais. Estas destruíram a Alemanha e a França como grandes potências. O império anglo-americano só não conseguira retirar esse “status” da Rússia, mas o logrou, ao final da Guerra Fria (1989), conquanto a  Rússia busque agora recuperá-lo.</p><p>29. Para que a Europa não afunde, terá de tomar rumo radicalmente diferente daquele em que foi colocada e no qual segue em aceleração impulsionada pelo  “acordo” a ser celebrado, a pretexto de salvar a moeda única.</p><p>30. O General De Gaulle, nos anos 60, insurgiu-se contra o privilégio dos EUA, de cobrir seus enormes déficits externos, simplesmente emitindo dólares, e exigiu a conversão para o ouro das reservas da França. Profeticamente advertiu que a entrada da Inglaterra na UE seria uma operação “cavalo de Troia”.</p><p>31. Hoje o dólar continua sendo sustentado pela condição de divisa internacional, instituída em 1944 (acordos de Bretton Woods), e mais ainda pelo poder militar.  Os EUA forçam, por exemplo, que  seja liquidado em dólares o petróleo comerciado entre terceiros países.</p><p>32. Percebe-se o móvel de desviar para a Europa o foco da crise econômica e financeira, que deveria estar nos EUA e do Reino Unido. Ele foi posto na Eurolândia, através de jogadas dos bancos de Wall Street com suas subsidiárias baseadas no grande paraíso fiscal que é a City de Londres.</p><p>33. Os mercados financeiros parecem teatro do absurdo. Se não, como explicar que os títulos de longo prazo norte-americanos paguem juros de menos de 2% aa., enquanto os da Itália, de dois anos de prazo, subiram para 8% aa.? E como explicar que a cotação do risco de crédito da Alemanha e da França esteja sendo rebaixada, enquanto isso não se dá com os títulos norte-americanos?</p><p>34. Deveria ser o contrário, pois: 1) as emissões de dólares em moeda  e em títulos públicos são muito maiores que as de euros; 2) a dívida pública dos EUA atinge 120% do PIB (muito mais que os países da Zona Euro), e seria muitíssimo maior sem as enormes compras de títulos do Tesouro dos EUA pelo FED e as emissões desbragadas do FED; 3) o déficit orçamentário dos EUA supera 10% do PIB, enquanto a média europeia é 4%. 4) o déficit nas transações com o exterior dos EUA, em 2010, correspondeu a 3,9% do PIB, enquanto a Alemanha teve superávit de 5,7% do PIB, e os déficits da França e da Itália foram 2% e 3% do PIB.</p><p>35. Não bastasse, os grandes bancos americanos têm vultosas  carteiras de títulos podres (sobre tudo derivativos), mesmo depois de grande parte deles ter sido comprada pelo FED e por agências do governo dos EUA, em operações caracterizadas por grau incrível de corrupção.</p><p>36. Como aponta o Prof. Michael Hudson, um quarto dos imóveis nos EUA vale menos que suas hipotecas. Cidades e Estados estão em insolvência, grandes companhias falindo, fundos de pensão com pagamentos atrasados.</p><p>37. A economia britânica também cambaleia, mas os títulos governamentais pagam juros de só 2% aa., enquanto os membros da Zona Euro enfrentam juros acima de 7% aa, porque não têm a opção “pública” de criar dinheiro.</p><p>38. O artigo 123 do Tratado de Lisboa proíbe o BCE fazer o que os bancos centrais devem fazer: criar dinheiro para financiar déficits do orçamento público e rolar as dívidas do governo.  Tampouco o pode o banco central alemão, por força da Constituição da Alemanha (país ocupado).</p><p>39. Conclui Hudson: <em>“se o euro quebrar será porque os governos da UE pagam juros aos banqueiros, em vez de se financiar através de seus próprios bancos centrais.”</em>  Dois poderes caracterizam o Estado-Nação: criar dinheiro e governar a política fiscal. O primeiro já não existia para os europeus, e o segundo está sendo cassado com o presente “acordo”.</p><p><img
class="alignleft" src="http://www.thesaurus.com.br/media/capas/2833.jpg" alt="" width="134" height="200" />*  <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriano-benayon" target="_blank">Adriano Benayon </a>é Doutor em Economia e autor de “<a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento/?affid=nosrevista_tg" target="_blank"><em>Globalização versus Desenvolvimento</em></a>”  a venda no site da <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento/?affid=nosrevista_tg" target="_blank">Thesaurus Editora</a> &#8211; abenayon.df@gmail.com</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/14/bancos-apossam-se-da-europa/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Ana Toscano lança livro de viagem sobre a Provence com roteiro democrático e que foge ao lugar-comum</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/05/ana-toscano-lanca-livro-de-viagem-sobre-a-provence-com-roteiro-democratico-e-que-foge-ao-lugar-comum/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/05/ana-toscano-lanca-livro-de-viagem-sobre-a-provence-com-roteiro-democratico-e-que-foge-ao-lugar-comum/#comments</comments> <pubDate>Mon, 05 Dec 2011 15:54:26 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category> <category><![CDATA[Lançamentos]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18299</guid> <description><![CDATA[Fonte: www.querocomer.com.br Por Naiobe Quelem A primeira viagem que Ana Toscano (foto ao lado), chef do Villa Borghese, fez à Provence foi por meio dos relatos de Peter Mayle, ainda no início da década de 1990. Mas, muito antes do ex-publicitário e escritor inglês se mudar para o sudeste da França e descrever seus encantamentos [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div
id="attachment_18300" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/2011112520627.jpg"><img
class="size-medium wp-image-18300" title="Ana Toscano" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/2011112520627-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Ana Toscano, chef de cousine e escritora.</p></div><p>Fonte: <a
href="http://www.querocomer.com.br/noticia/?a=ana-toscano-lanca-livro-de-viagem-sobre-a-provence-com-roteiro-democratico-e-que-foge-ao-lugar-comum&amp;c=081F0F00027E595B475051475346545C495F5B5B575W5B465606A58E37C26009" target="_blank">www.querocomer.com.br</a> <em>Por Naiobe Quelem</em></p><p>A primeira viagem que Ana Toscano (<em>foto ao lado</em>), chef do Villa Borghese, fez à Provence foi por meio dos relatos de Peter Mayle, ainda no início da década de 1990. Mas, muito antes do ex-publicitário e escritor inglês se mudar para o sudeste da França e descrever seus encantamentos sobre essa região em <em>Um ano na Provence</em>, ela tinha certeza de que também passaria uma temporada por lá.</p><p>Nada tão prolongado nem tão corrido. Um período certamente mais modesto, mas que lhe permitiria viver o lugar com a calma que ele pede: com endereço fixo, tempo para percorrer seus arredores e revisitá-los, para interagir com os moradores e trocar receitas, para cozinhar, conhecer restaurantes (não apenas os com estrelas Michelin) ou ir às várias feiras ― uma a cada dia da semana, em diferentes vilarejos e cidades.</p><p>“Tenho uma lista de sonhos que vivem se insinuando para mim. O desejo de conhecer a Provence vinha desde a adolescência. Neste momento, foi possível realizá-lo. Mas em outras épocas, era inviável. Para passar um período em outro lugar é preciso que vários fatores estejam em acordo. É necessário, sobretudo, planejamento”, avalia Ana, que ficou dois meses deste ano na região, de maio ao fim de junho.</p><p>Essa saborosa experiência está registrada no livro <em>Férias na Provence ― Você Pode!</em>, que será lançado pela Thesaurus Editora nesta segunda-feira (05/12), na Escola de Gastronomia de Brasília. O título, que custa R$ 40, poderá ser adquirido a R$ 28, <a
href="http://www.querocomercomdesconto.com.br/" target="_blank">na pré-venda realizada pelo Querocomer com Desconto</a>. Mais que um roteiro de viagem, a autora convida os leitores a revisitar os seus sonhos e a trabalhar para que eles aconteçam. “Isso é uma obrigação do ser humano, independentemente do tamanho do que se almeja”, defende.</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2901/ferias-na-provence-voce-pode"><img
class="alignleft" title="Capa do livro Férias na Provence" src="http://www.thesaurus.com.br/media/capas/2901.jpg" alt="Férias na Provence" width="194" height="300" /></a>“O Férias na Provence foi uma conseqüência. Não saí daqui para escrevê-lo. Quando estava no fim dos preparativos para a viagem, o Victor Alegria (da Thesaurus) me disse: ― Isso dá um livro! Na hora, eu me lembrei que várias pessoas, quando ficavam sabendo do meu projeto, diziam: ― Ah, mas você pode, né? Então, pensei imediatamente em um livro que pudesse democratizar a Provence e mostrar que é possível viajar para lá. Bastar se programar”, garante Ana.</p><p>Ela não foi só. Viajou com o marido e um casal de amigos, que os acompanharam pelo primeiro mês. Chegaram na primavera ― época em que o clima melhora, os dias ficam mais quentes, e os festivais, feiras e a vida nas cidades se tornam mais intensos. É também quando as cerejeiras se vestem de flores brancas para dar seus primeiros frutos logo no início do verão, no fim de junho.</p><p>A base foi escolhida estrategicamente: uma casa medieval, localizada em uma região central, entre Avignon e Isle-sur-la-Sorgue. “O lugar, todo entrecortado por um rio, abrigou monges que trabalhavam com a lã de carneiro no século XVI. O sítio ficou abandonado por décadas até que foi reformado para dar conforto aos visitantes, sem perder o estilo rústico e provençal, com muita delicadeza. As flores brancas perfumavam o ambiente, deixando tudo aquilo em clima de total fantasia”, descreve Ana. Era deste cenário que ela partia, de carro, diariamente para os diferentes roteiros com o grupo.</p><p>As atrações prediletas eram as feiras ― uma a cada dia, em um lugar diferente. Bancas de frutas, verduras, queijos, azeites, azeitonas, pães&#8230; Tudo bem fresquinho e comprado em pequenas porções para a próxima refeição.</p><p>O título traz ainda 12 receitas provençais. Dentre elas, algumas comuns na região, outras saboreadas em restaurantes e reproduzidas pela chef, ou repassadas por moradores do lugar. “No livro, ensino o pain au raisin ― um pão com passas muito tradicional de lá. Comi um maravilhoso em uma feira e quase pedi de joelhos para a vendedora me dizer como era feito. Deu certo”, conta Ana. Entre as delícias, há ainda torta de maçã, mousseline de queijo com frutas vermelhas, pernil de cordeiro e quiche de legumes.</p><p><span
id="more-18299"></span><strong>Férias na Provence ― Você Pode!</strong><br
/> (De Ana Toscano; Thesaurus Editora; 2011)<br
/> Lançamento em 5 de dezembro, a partir da 20h, na Escola de Gastronomia de Brasília<br
/> 201 Sul, Bl. A, Lj. 33; (061) 3226-5650.<br
/> Preço médio: R$ 40 (no dia do lançamento) ou R$ 28 na pré-venda pelo <a
href="http://www.querocomercomdesconto.com.br/" target="_blank">Querocomer com Desconto</a>.</p><p><em>Fotos: Gui Teixeira (livro e Ana Toscano).</em></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/05/ana-toscano-lanca-livro-de-viagem-sobre-a-provence-com-roteiro-democratico-e-que-foge-ao-lugar-comum/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>A crise acaba com o capitalismo?</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/02/a-crise-acaba-com-o-capitalismo/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/02/a-crise-acaba-com-o-capitalismo/#comments</comments> <pubDate>Sat, 03 Dec 2011 00:17:41 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18293</guid> <description><![CDATA[Por Adriano Benayon* Ninguém que tenha apreço pelo bem-comum suporta o capitalismo, sistema cuja característica é não estabelecer limite algum à concentração da economia por grupos privados. 2. Eliminá-lo não implica, porém, excluir a propriedade privada dos meios de produção. Esta pode existir em sistema não-capitalista, se não estiver cartelizando os mercados e não ocupar [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Por <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriano-benayon" target="_blank">Adriano Benayon</a>*</p><p><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/600px-Capitalism_graffiti_luebeck1.jpg"><img
class="alignleft size-full wp-image-18297" title="A crise acaba com o capitalismo?" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/12/600px-Capitalism_graffiti_luebeck1.jpg" alt="" width="360" height="360" /></a>Ninguém que tenha apreço pelo bem-comum suporta o capitalismo, sistema cuja característica é não estabelecer limite algum à concentração da economia por grupos privados.</p><p>2. Eliminá-lo não implica, porém, excluir a propriedade privada dos meios de produção. Esta pode existir em sistema não-capitalista, se não estiver cartelizando os mercados e não ocupar setores de grande porte, como a infra-estrutura e as indústrias de base, nem atividades estratégicas, como bancos, inteligência e defesa.</p><p>3. O que não é realista é falar em acabar com o domínio capitalista, que envolve seu corolário imperialista, sem desmontar as bases de seu poder. Para afastar ressurgimento daquele domínio, a sociedade, através do Estado, tem que manter a vontade de impedir a concentração do capital e dispor dos meios para isso.</p><p>4. Do contrário, não se extingue a opressão concentradora e saqueadora, nem o controle total do processo político pela oligarquia, como ocorre nas principais sedes imperais (anglo-americanas), nos satélites europeus e asiáticos, e em áreas de dominação colonial, entre as quais o Brasil.</p><p>5. A essa tirania global, a oligarquia dá nomes enganosos, como “nova ordem mundial”, “governança global”. Totalitária, fala em democracia, enquanto manipula e compra eleições, além de organizar golpes de Estado. Faz intervenções genocidas, dizendo defender direitos humanos.</p><p>6. O capitalismo tem menos virtudes do que lhe atribuem, inclusive Marx e seguidores. Como exponho em <em>“Globalização versus Desenvolvimento”, </em>o desenvolvimento econômico e tecnológico dos países que o alcançaram, se deveu à direção do Estado, a investimentos deste e à proteção a empresas privadas nacionais, formadoras da economia de mercado.</p><p>7. Esta não deve ser confundida com a superestrutura concentradora, i.e., o capitalismo. Este a explora e suga, até destruí-la, ao longo do processo de concentração, que acaba com o desenvolvimento, viável quando e onde a economia de mercado é combinada com a direção do Estado e empresas estatais nos setores em que a concorrência dificilmente pode estar presente.</p><p>8. Em suma, os que têm vontade e descortino para trabalhar pelo bem-comum, devem ter consciência que o problema reside na concentração econômica, e que esta tem de ser evitada. Se todos os meios de produção são estatizados também há concentração.</p><p>9. Esta, nas mãos do Estado, teve, entretanto, papel positivo, ao habilitar países grandes, populosos e dotados de recursos naturais, como a Rússia e a China, a liberar-se da espoliação pelo capital estrangeiro e a defender-se de agressões imperiais. Depois, desenvolveu indispensáveis capacidades nucelares e balísticas, e o equilíbrio no poder mundial estabelecido pela União Soviética viabilizou a independência de muitos países, entre os quais a Índia, a Argélia, e a própria China.</p><p>10. Que a União Soviética tenha sido desmembrada e que a China tenha mudado de curso, não altera o fato crucial de esta e a Rússia serem, hoje, as únicas potências em condições de dissuadir a oligarquia anglo-americana de novas guerras imperiais e genocidas.</p><p>11. A crise provocada pelo capitalismo (o que não é o mesmo que crise capitalista), é imensa e cada vez mais profunda, como ilustra o estoque de US$ 600 trilhões em derivativos, títulos, na maioria, podres. Além disso, gerou dívidas nacionais imensas, como a dos EUA, bem maior em proporção ao PIB, que a da Grécia após a recente redução da dívida desta.</p><p>12. A dívida somente dos EUA, Japão, Reino Unido e União Europeia soma US$ 45 trilhões. Os bancos centrais começam a livrar-se dos títulos do Tesouro dos EUA, e o dólar está desacreditado, por mais que a oligarquia manipule os mercados. Pior, a depressão segue, com crescente desemprego e perda de proteção social, trazendo miséria e sofrimentos indizíveis a centenas de milhões de pessoas.</p><p>13. Vários analistas estão escrevendo sobre a crise “do capitalismo”. Sobre esse ponto, as coisas precisam ficar claras. Muitos crêem que a crise possa, por si só, implicar o fim do capitalismo, com a ideia subjacente de que, quando a acumulação capitalista se torna extrema, abrem-se as portas para a revolução que o suprimirá.</p><p>14. Não se trata de consequência inexorável, mas só de oportunidade, não tão fácil de ser aproveitada, tanto mais que a oligarquia tirânica vale-se, de modo crescente, há mais de um século, de técnicas da psicologia aplicada e de fantásticos meios da tecnologia da (des)informação e da comunicação social, para perverter, desmoralizar e anular a maior parte da humanidade, arrasando, inclusive, culturas nacionais, através desses meios.</p><p>15. Assim, por mais desastrosos que sejam os efeitos da concentração econômica e do aviltamento das condições de vida dos povos, estes encontram hoje grandes dificuldades para liberar-se, não só devido à incorporação de tecnologia às armas da repressão e das agressões imperiais, mas também devido ao desgaste psicológico e cultural.</p><p>16. Os colapsos financeiros e econômicos criados pelo capitalismo têm sido terríveis para a humanidade, mas não para ele, já que a oligarquia se serve deles para aumentar ainda mais seu poder relativo.</p><p>17. Mais: a História, desde o Século XX, mostra que os casos em que o comando político escapou das mãos da oligarquia imperial, se deram em países onde não havia grande concentração capitalista, mas, sim, contextos de guerra e invasões sofridas por esses países. Parece também demonstrado não haver casos em que a estrutura econômica tenha sido substituída na vigência do regime político pré-existente.</p><p>18. Voltando à definição do capitalismo, o afastamento dele não implica que o Estado controle todos os meios de produção. Lênin, com a Nova Política Econômica, em 1921, procurou favorecer a economia de mercado, com empresas privadas, sem que o Estado perdesse seu poder político nem o comando da produção (economia).</p><p>19. Alguns julgam que a China encetou, após 1977, o caminho do capitalismo, de Estado, ou controlado por grupos privados, formados por quadros políticos. Como quer que seja, obteve notáveis progressos econômicos e tecnológicos, e surgiu como superpotência.</p><p>20. Conseguiu-o por não ter chegado à extrema concentração que caracteriza o capitalismo, inclusive mantendo os bancos sob controle estatal, e por ter assegurado que, apesar da abertura a investimentos diretos estrangeiros (IDEs), a economia não passasse ao comando das transnacionais.</p><p>21. Estabeleceu e fez cumprir regras estritas para absorver capital e tecnologia. Esse feito, sem precedentes, deveu-se ao sistema político com direção centralizada, a salvo de eleições manipuladas pelo dinheiro.</p><p>22. Os outros únicos países que haviam logrado incorporar significativamente tecnologia estrangeira em suas empresas foram Japão, Coréia do Sul e Taiwan, para o que desestimularam os IDEs e assim evitaram entrada expressiva deles em seus mercados, impondo, ao contrário, contratos de transferência de tecnologia.</p><p>23. A China conta com empresas nacionais de ponta em todos os setores, enquanto o Brasil quase já não tem marcas nacionais, pois entregou seus mercados às transnacionais, dando-lhes capital, e pagando por tecnologia jamais adquirida. Aqui prevalece o fetiche da falsa democracia, importada das potências imperiais, que promoveram os golpes de 1945, 1954 e 1964, com o apoio da mídia e da “União <strong><em>Democrática</em></strong> Nacional” &#8211; UDN, através de militares doutrinados com o “espectro do comunismo”.</p><p>24 Após esses golpes, foram instituídos subsídios e retirados óbices ao capital estrangeiro. JK ampliou esses favores. Sob o primeiro governo militar, Roberto Campos fez destroçar o grosso das empresas de capital nacional. Depois, novos subsídios à exportação em benefício das transnacionais (Delfim Netto).</p><p>25. Por meio de fraude em seu texto, a Constituição de 1988 favorece pagamentos da dívida pública inflada por juros e taxas. A seguir, mais crimes contra o País, com os desastrosos Collor (leis de desestatização e Lei Kandir) e FHC. Este fez a União gastar centenas de bilhões de reais para entregar, de graça, fabulosos patrimônios do Estado e das estatais ao capital estrangeiro. Nenhum desses fatores de destruição da economia foi removido por Lula nem pelo atual governo.</p><p><a
title="Livro Globalização versus Desenvolvimento" href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento/?affid=nosrevista" target="_blank"><img
class="alignleft" title="GLobalização versus Desenvolvimento" src="http://www.thesaurus.com.br/media/capas/2833.jpg" alt="" width="134" height="200" /></a>* <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriano-benayon" target="_blank">Adriano Benayon</a> é Doutor em Economia e autor de “<a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2833/globalizacao-versus-desenvolvimento" target="_blank">Globalização versus Desenvolvimento</a>” &#8211; abenayon.df@gmail.com</p><p>&nbsp;</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/12/02/a-crise-acaba-com-o-capitalismo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>O Terremoto que mexeu com o Brasil</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/11/22/o-terremoto-que-mexeu-com-o-brasil/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/11/22/o-terremoto-que-mexeu-com-o-brasil/#comments</comments> <pubDate>Tue, 22 Nov 2011 14:15:21 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Artigo]]></category> <category><![CDATA[Literatura]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=18270</guid> <description><![CDATA[Sim, o Brasil tem tremores de terra! Por serem pouco conhecidos, mas não menos importantes, há tempos os nossos sismos pediam um livro para mostrar e explicar aos brasileiros este fenômeno de grande interesse em nosso País. Veloso não apenas descreve os nossos tremores de terra, mas também resgata uma importante parte da história das [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div
id="attachment_18272" class="wp-caption alignleft" style="width: 213px"><a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2899/o-terremoto-que-mexeu-com-o-brasil"><img
class="size-medium wp-image-18272" title="capa_terremoto_web" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/11/capa_terremoto_web-203x300.jpg" alt="Terremoto" width="203" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Capa do livro &quot;O terremoto que mexeu com o Brasil&quot;</p></div><p><strong>Sim, o Brasil tem tremores de terra!</strong> Por serem pouco conhecidos, mas não menos importantes, há tempos os nossos sismos pediam um livro para mostrar e explicar aos brasileiros este fenômeno de grande interesse em nosso País. Veloso não apenas descreve os nossos tremores de terra, mas também resgata uma importante parte da história das Geociências no Brasil.</p><p>Sem dúvida, a atividade sísmica que abalou o município de João Câmara na década de 80 foi excepcional tanto em termos sociais como científico: além de afetar a economia e a vida de milhares de pessoas, foi a mais longa série de tremores de que se tem notícia no Brasil e ainda hoje é tema de pesquisa dos sismólogos brasileiros. Os relatos de Veloso sobre esta dramática história vão surpreender os leitores.</p><p>Numa combinação bem balanceada entre ciência, divulgação, e casos pitorescos sobre os tremores do Brasil, este livro preenche uma lacuna importante de divulgação na área de Geofísica. Além de mostrar personagens importantes da nossa história científica (até Dom Pedro II se envolveu com estudos sismológicos!) Veloso revela alguns dados históricos inéditos até para os próprios sismólogos brasileiros. O “Terremoto que Mexeu com o Brasil” será de interesse para leigos, estudantes e até para os nossos geocientistas.</p><p>Por <strong>Marcelo Assumpção</strong> &#8211; Professor Titular do IAG/USP e  Membro da Academia Brasileira de Ciências</p><p>Serviço:</p><p>Título: <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/2899/o-terremoto-que-mexeu-com-o-brasil" target="_blank">O terremoto que mexeu com o Brasil</a><br
/> Autor: José Alberto Vivas Veloso<br
/> Editora: Thesaurus Editora</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/11/22/o-terremoto-que-mexeu-com-o-brasil/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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