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><channel><title>Nós - Fora dos Eixos &#187; Entrevista</title> <atom:link href="http://www.nosrevista.com.br/categoria/entrevista/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.nosrevista.com.br</link> <description>Revista Cultural e Literária</description> <lastBuildDate>Thu, 09 Feb 2012 15:07:33 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator> <item><title>Fundamentos da arte poética</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/06/28/os-fundamentos-da-arte-poetica/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/06/28/os-fundamentos-da-arte-poetica/#comments</comments> <pubDate>Tue, 28 Jun 2011 20:54:01 +0000</pubDate> <dc:creator>Gregory Cotrim</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category> <category><![CDATA[Geral]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=16942</guid> <description><![CDATA[Entrevista exclusiva com o escritor, editor e poeta João Carlos Taveira. Por Marco Polo O poeta João Carlos Taveira, nascido em Caratinga, MG, reside em Brasília desde 1969. Ao longo dos anos, tem participado de vários movimentos culturais, contribuindo ativamente com suas ideias e ações para a consolidação de algumas das mais importantes entidades literárias [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p
style="text-align: center;">Entrevista exclusiva com o escritor, editor e poeta <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><em><strong>João Carlos Taveira</strong></em></a>.</p><p><strong><em>Por Marco Polo</em></strong></p><p><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/06/joao_carlos_taveira.jpg"><img
class="size-full wp-image-17247      alignnone" title="joao_carlos_taveira" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/06/joao_carlos_taveira.jpg" alt="Escritor João Carlos Taveira" width="523" height="406" /></a></p><p>O poeta <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">João Carlos Taveira</a>, nascido em Caratinga, MG, reside em Brasília desde 1969. Ao longo dos anos, tem participado de vários movimentos culturais, contribuindo ativamente com suas ideias e ações para a consolidação de algumas das mais importantes entidades literárias da Capital da República. Com formação em Letras Neolatinas, trabalha atualmente como revisor, copidesque e conselheiro editorial. Tem publicados os seguintes livros de poesia: <strong><em>O prisioneiro</em></strong> (1984), <strong><em>Na concha das palavras azuis</em></strong> (1987), <strong><em>Canto só</em></strong> (1989), <strong><em>Aceitação do branco</em></strong> (1991), <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/1123/a-flauta-em-construcao/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong><em>A flauta em construção</em></strong></a> (1993) e <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/1491/arquitetura-do-homem/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong><em>Arquitetura do homem</em></strong></a> (2005). Participa com seus poemas de várias antologias nacionais e estrangeiras e figura no <em>Dicionário de Escritores de Brasília</em>, de Napoleão Valadares, no <em>Dicionário de Poetas Contemporâneos</em>, de Francisco Igreja, e<em> </em>na <em>Enciclopédia de Literatura Brasileira</em>, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa. Pertence à Academia Brasiliense de Letras, à Associação Nacional de Escritores e ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Em 1994, recebeu do Governo do Distrito Federal a Comenda da Ordem do Mérito Cultural de Brasília, pela relevância de serviços prestados à comunidade artística e cultural.</p><p><strong>MARCO POLO</strong> – <em>Como você vê a poesia nesse mundo ultramoderno da Internet?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JOÃO CARLOS TAVEIRA</a></strong> – Do ponto de vista da divulgação, vejo com bons olhos. A Internet propicia rápido acesso aos poetas e seus poemas, com maior facilidade de procura e economia de tempo. A leitura acaba sendo favorecida também pelo conhecimento deste ou daquele nome que, de outra forma, dificilmente chegaria ao público comum do livro impresso.</p><p><strong>MP</strong><em> – A poesia segue firme com o seu papel revolucionário?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong> – Primeiro é bom que se diga uma coisa: a poesia só é revolucionária dentro da linguagem escrita, área a que está circunscrita enquanto criação artística. E por isso continua seu papel revolucionário de subverter a linguagem, enriquecendo-a e muitas vezes garantindo a sobrevivência da língua escrita.</p><p><strong>MP</strong> – <em>Muitos jovens rapidamente se veem deslumbrados com o mundo literário e também rapidamente se desiludem com ele. A maturidade ainda é essencial para a bagagem literária, ou perseverar nesse meio é quase impossível?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong>– Nada é impossível, desde que haja trabalho e dedicação. O que o jovem precisa saber é que sem estudo, sem conhecimento, nada neste mundo será possível. A literatura está cheia de grandes exemplos de jovens que souberam perseverar e que venceram. Quando há aptidão, não há desânimo, não há cansaço. Só desiste de alguma coisa aquele que procura certos caminhos por comodismo ou por questão de vaidade. O que vem de dentro, nascido de uma visão sincera do mundo que nos cerca, certamente encontrará um porto seguro de afirmação e cristalização. E digo isso com relação a todo tipo de manifestação artística, mas principalmente com relação à literatura, que é a área de nossa atuação.</p><p><strong>MP</strong> –<em> A poesia tem como material os </em><em>sentimentos. Existem sentimentos nobres que devem ser tratados na poesia ou para a poesia não existe nobreza?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong> – Marco Polo, você me fez lembrar Manuel Bandeira. Em princípio, todo tema é válido. O que dá nobreza ou não a um tema qualquer é o tratamento oferecido dentro da linguagem. Nas mãos de um mau poeta, um tema nobre pode cair na vala comum do mau gosto. Quanto aos sentimentos, posso dizer que são necessários, mas não primordiais. Aliás, às vezes até atrapalham. O mundo está cheio de falsa poesia, de falsa literatura, e tudo em nome dos mais puros sentimentos.</p><p><strong>MP</strong> – <em>Além da musicalidade, do ritmo e da métrica, o que mais não pode faltar na poesia moderna? Ou a poesia moderna não precisa de nada disso?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong> – Toda poesia precisa de ritmo, de musicalidade. Veja a poesia barroca, a poesia clássica. Talvez a poesia moderna precise um pouco mais dessa estrutura básica, pois hoje vivemos num mundo cuja base é a tecnologia, a rapidez das comunicações. Imagine um texto desengonçado — de poesia ou não —, sem ritmo, sem pé nem cabeça, veiculando à sua frente. Quem irá lê-lo até o fim, principalmente na Internet? Creio que será abandonado pelo primeiro leitor. Quanto à métrica, diria apenas uma coisa: esse substantivo, para certos poetas, como eu, é interpretado ao pé da letra como “a arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos”. E verso medido não tem nada a ver com escola, estilo ou período histórico. Não fico aborrecido, mas me torno um pouco repetitivo toda vez que essa pergunta me é feita, pois acho muito estranho poeta não conhecer os fundamentos da arte poética; músico não conhecer os fundamentos da música; médico não conhecer os fundamentos da medicina; jogador de futebol não conhecer os fundamentos desse esporte dentro e fora das quatro linhas do campo. Em toda área das atividades humanas é necessário um mínimo de conhecimento dos fundamentos básicos.</p><p><strong>MP</strong> – <em>No </em><em>livro </em><a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/1491/arquitetura-do-homem/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">Arquitetura do Homem</a><em>, você trabalha o verso de</em><em> maneira esmerada. Isso é uma coisa especificamente sua, ou uma característica da sua poesia?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong> – Olhe, toda a minha poesia procura síntese, desde o primeiro livro. É basicamente uma característica minha. A contenção alcançada nos meus poemas é o resultado de um esforço e de um trabalho ao longo da vida. Nada cai do céu. Tudo é resultado de procura, de abnegação, de entrega. Vivo poesia vinte e quatro horas por dia e o resultado não podia ter sido outro: uma poesia simples, direta e objetiva.</p><p><strong>MP</strong> –<em> Agora, uma última pergunta: quando sairá o próximo livro?</em></p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/joao-carlos-taveira/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">JCT</a></strong> – Quem sabe? Tenho quatro livros prontos para edição. Mas tudo depende de uma série de coisas que você conhece bem. O mercado editorial anda muito confuso em nosso país, que ainda não se libertou de certas dependências externas. Por isso, publicar aqui não tem sido fácil, mas a gente vai pelejando&#8230; Este ano estou pretendendo ver publicado um livro de artigos sobre autores e livros, com textos escritos nos últimos trinta anos. No mais, tudo são sonhos que o tempo se encarregará de transformar ou não em realidade.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/06/28/os-fundamentos-da-arte-poetica/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> <item><title>Entrevista com José Lins – Escritor do Livro de Poesias: Versos de Muito Amor &amp; Outras Poesias</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/24/entrevista-com-jose-lins-%e2%80%93-escritor-do-livro-de-poesias-versos-de-muito-amor-outras-poesias/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/24/entrevista-com-jose-lins-%e2%80%93-escritor-do-livro-de-poesias-versos-de-muito-amor-outras-poesias/#comments</comments> <pubDate>Tue, 24 May 2011 15:46:16 +0000</pubDate> <dc:creator>Gregory Cotrim</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category> <category><![CDATA[Eventos]]></category> <category><![CDATA[Geral]]></category> <category><![CDATA[Lançamentos]]></category> <category><![CDATA[Poesia]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=16488</guid> <description><![CDATA[José Lins Albuquerque Nascimento: 6/8/1920 Profissães: Engenheiro Filiação: Edgard Albuquerque e Francisca Cavalcante de Albuquerque José Lins Albuquerque, nascido em 6 de agosto de 1920, cearense de Crateús, ocupou grandes cargos políticos. Entre os anos de 1979 e 1991 foi senador por seu estado e Deputado Federal Constituinte. Trabalhou como engenheiro na Companhia de Força [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/IMG_4335.jpg"><img
class="alignleft size-medium wp-image-16489" title="IMG_4335" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/IMG_4335-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-lins/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">José Lins Albuquerque</a></strong><br
/> Nascimento: <strong>6/8/1920</strong><br
/> Profissães: <strong>Engenheiro</strong><br
/> Filiação: <strong>Edgard Albuquerque e Francisca Cavalcante de Albuquerque</strong></p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jose-lins/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">José Lins</a> Albuquerque, nascido em 6 de agosto de 1920, cearense de Crateús, ocupou grandes cargos políticos. Entre os anos de 1979 e 1991 foi senador por seu estado e Deputado Federal Constituinte. Trabalhou como engenheiro na Companhia de Força e Luz de Minas Gerais e chegou a ser diretor da Escola de Engenharia da UFC. Atualmente, aposentado, se dedica exclusivamente as suas paixões; ler, escrever e sua família. Pai de oito filhos, tem hoje 22 netos e dois bisnetos. Apaixonado por sua esposa Maria Nise, José Lins faz um bela homenagem a sua eterna amada ao lançar o livro “Versos de Muito Amor &amp; Outras Poesias. A seguir veja trechos de um bate papo totalmente descontraído com esses senhor que tem muitas histórias e grande amor pela família.</p><p><em>Por Gregory Cotrim </em></p><p><strong>- Senhor José Lins, o que o senhor apontaria de diferencial em sua obra? </strong></p><p><strong><em> </em></strong></p><p><strong><em>José Lins: </em></strong>Muitos versos de amor e poesia (risos). Outro detalhe é que são duas obras em uma única publicação. Os leitores podem estranhar a forma como eu escrevi as poesias porque meu estilo é mais antigo. Sou do interior do Ceará e por isso não pude acompanhar as evoluções da escrita poética. Pode-se dizer que minhas poesias são “a moda antiga”.</p><p><strong>- A que ou a quem o senhor recorreu para conseguir inspiração para escrever?</strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/CLJL.jpg"><img
class="alignright size-medium wp-image-16494" title="CLJL" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/CLJL-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a></p><p><strong><em> </em></strong></p><p><strong><em>José Lins: </em></strong>A inspiração para escreve, eu acredito, que brota naturalmente. Não é necessário um grande amor ou uma passagem da nossa vida para poder colocar no papel nossos sentimentos. Ao escrever eu não penso em um público específico para atingir, pois eu escrevo o que brota naturalmente. As pessoas que lerem meu livro podem ter certeza que escrevi para todos os gêneros, classes, idades e personalidades. Graças a Deus, fiz tudo o que tinha para fazer na minha vida. Atualmente tenho mais tempo para ler e escrever. Sempre tive muito gosto por escrever. Agora, fora da vida pública, ficou bem mais fácil eu me dedicar a essa delícia.</p><p><strong>- O livro não segue uma ordem cronológica, mas mesmo assim têm um ritmo bem agradável para ler, como o senhor explica essa construção?</strong></p><p><strong> </strong></p><p><strong><em>José Lins: </em></strong>Como havia explicado anteriormente, são duas obras em uma só edição. A primeira parte eu dediquei exclusivamente para versos de Amor. Essa parte pode ser comparada a um menino apaixonado. Além de relembrar a forma de amar do passado coloco meu coração ao escrever o livro. Entre os versos que mais tenho apreço está o “Zé do Nada”, que aparece na segunda parte. Nessa parte pode se encontrar poesias referentes a vida, pessoas e família. Tanto é que essas obras foram escritas em forma de homenagens.</p><p><strong>- Essas homenagens o senhor deixa bem claro nos livros. Tanto é que antes de começar a ler as partes podemos perceber que o senhor caprichosamente deixa a dedicatória. O senhor poderia explicar essas homenagens? </strong></p><p><strong><em> </em></strong></p><p><strong><em>José Lins: </em></strong>Lógico que explico. A primeira parte eu dedico especialmente para minha querida esposa. Durante anos esteve ao meu lado e hoje está ao lado do Pai. Sem ela eu não poderia alcançar minhas maiores felicidade e dedicar a segunda parte. A segunda eu dedico especialmente para meus oito filhos que me agraciaram com 22 netos e dois bisnetos, ao meu pai e meus irmãos. Acredito que isso seja o mínimo que poderia fazer para todas as pessoas que mais amo.</p><p><strong>- Para finalizar, o senhor gostaria de indicar alguma poesia em especial para os seus leitores?</strong></p><p><strong><em> </em></strong></p><p><strong><em>José Lins: </em></strong>Ultima Canção que cantei antes do terremoto e Primeira canção que cantei depois do terremoto.</p><p>Versos de Muito Amor &amp; Outras Poesias</p><p>Data: 26 de maio de 2011 (quinta-feira)</p><p>Horário: A partir das 19h</p><p>Local: Carpe Diem da 104 sul</p><p>Informações: (61) 3344-3738 – <a
href="http://www.thesaurus.com.br/">www.thesaurus.com.br</a></p><p><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Convite.jpg"><img
class="alignnone size-medium wp-image-16495" title="Convite" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Convite-300x141.jpg" alt="" width="472" height="221" /></a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/24/entrevista-com-jose-lins-%e2%80%93-escritor-do-livro-de-poesias-versos-de-muito-amor-outras-poesias/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Entrevista com o Embaixador Francisco Seixas da Costa</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/19/entrevista-com-o-embaixador-francisco-seixas-da-costa/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/19/entrevista-com-o-embaixador-francisco-seixas-da-costa/#comments</comments> <pubDate>Thu, 19 May 2011 15:48:20 +0000</pubDate> <dc:creator>Gregory Cotrim</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=16439</guid> <description><![CDATA[Por Francisco Alegre Duarte &#8211; ASDP (com adaptações) 1. São conhecidos o seu gosto pela escrita e a sua capacidade de reflexão sobre os grandes temas de política externa nos quais trabalhou &#8211; nomeadamente as questões européias e agora, mais recentemente, as relações entre Portugal e o Brasil. Como vê o estado atual da capacidade de [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><em>Por <a
href="http://www.asdp.pt/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=13:entrevista-ao-embaixador-francisco-seixas-da-costa&amp;catid=7:entrevistas&amp;Itemid=6" target="_blank">Francisco Alegre Duarte &#8211; ASDP</a> (com adaptações)<a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/fotos-Emb_-FSC-017-738392.jpg"><img
class="alignright size-medium wp-image-16441" title="fotos-Emb_-FSC-017-738392" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/05/fotos-Emb_-FSC-017-738392-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a></em></p><p><strong>1. São conhecidos o seu gosto pela escrita e a sua capacidade de reflexão sobre os grandes temas de política externa nos quais trabalhou &#8211; nomeadamente as questões européias e agora, mais recentemente, as relações entre Portugal e o Brasil. Como vê o estado atual da capacidade de reflexão escrita dos diplomatas portugueses?</strong></p><p>Continuo a pensar o que já tenho dito em outras ocasiões: os diplomatas portugueses escrevem pouco sobre as opções possíveis em matéria de política externa para Portugal e, as mais das vezes, quando o fazem, têm um tropismo excessivo para &#8220;estarem com o vento&#8221;, para dizerem aquilo que acham que o poder político gosta de ler.</p><p>Não sou ingênuo: há promoções, há colocações, há boas e más vontades que é preciso mobilizar ou evitar, há nas Necessidades &#8220;capelinhas&#8221; de grupo, com chefes que não gostam da saliência dos subordinados. Sempre foi assim&#8230;</p><p>Mas a minha própria experiência &#8211; e já publiquei três livros e outro está a caminho &#8211; mostrou-me que pode ser-se, simultaneamente, disciplinado e criativo. Disciplinado, para trabalhar dentro daquilo que são as grandes opções definidas por quem tem a legitimidade de marcar as orientações do país em matéria externa. Criativo, através da apresentação de propostas e caminhos para dar substância a essas mesmas orientações e, nas áreas em que elas não existam, promover sugestões, sem com isso procurar condicionar as opções que venham a ser tomadas. E &#8211; ponto importante &#8211; respeitar e passar a defender abertamente estas em público, em absoluto, logo que definidas, sem prejuízo de, interna e discretamente, se poder fazer &#8220;subir&#8221; sugestões de correção de percurso.</p><p>Contrariamente ao que se possa pensar, não acho que a nossa revista &#8220;Negócios Estrangeiros&#8221; seja o veículo ideal para esses exercícios mais criativos. Nessa publicação, de natureza oficiosa, entendo que haveria toda a vantagem, até para &#8220;memória futura&#8221;, que os intervenientes diplomáticos, presentes e atuantes em certos exercícios práticos, viessem a dar regular conta, mais ou menos detalhada, das ações ou negociações importantes em que estiveram envolvidos. Embora, neste caso, sem, necessariamente, terem obrigatoriamente de chegar sempre à conclusão de que Portugal acabou por sair pela porta grande, no saldo dessas aventuras diplomáticas. Mais do que elegias à glória passada, textos em que às vezes alguns parecem sair apenas aos ombros de si próprios, torna-se importante fazer o inventário dos erros, do que foi mal feito e poderia ter sido melhor executado, das opções alternativas que não se seguiram e que a experiência posterior mostrou que teriam sido melhores. Tudo isso com um bisturi crítico, profissional, informado, documentado, isento de tentações de fazer a hagiografia dos autores políticos.</p><p>Os textos mais criativos escritos por funcionários diplomáticos &#8211; e por alguns excelentes técnicos que existem no MNE &#8211; deveriam, a meu ver, ser reservados para as publicações de &#8220;think tanks&#8221;, como a &#8220;Política Internacional&#8221;, as &#8220;Relações Internacionais&#8221; ou outras, portuguesas ou estrangeiras. É importante ver esses órgãos de reflexão frequentados pelos nossos colegas, porque isso também faz transparecer que os seus trabalhos têm uma qualidade que é aceite num horizonte que vai para além das publicações caseiras, onde o crivo é, por óbvias razões, menor.</p><p><strong>2. Foi embaixador na capital de uma potência emergente que fala português e agora regressa à Europa, para uma França que não desiste de preservar a sua influência e estatuto. Conte-nos um pouco da sua experiência no Brasil de Lula &#8211; designadamente quanto às perspectivas para o relacionamento entre Portugal e o Brasil &#8211; e partilhe as suas primeiras impressões sobre a França de Sarkozy.</strong></p><p>O Brasil é um caso atípico no quadro das nossas relações externas. É um país com o qual Portugal tem uma das suas mais complexas e assimétricas ligações, no seu quadro internacional. O Brasil faz parte do &#8220;politicamente correto&#8221; de qualquer programa de governo português, em matéria de política externa. Porém, no Brasil, nem com lupa alguém encontrará uma referência a Portugal num texto oficial ou particular relativo à sua a sua projeção diplomática. Má vontade? Não, apenas mero realismo.</p><p>O Brasil tem um destino global que não comporta Portugal como uma alavanca relevante. Nem sequer mesmo a CPLP. Trata-se de um país que, tendo atingido um estádio de maturidade política democrática de alguma solidez, ainda que com disfunções institucionais importantes, com um perfil de desenvolvimento que o coloca já à soleira de outro modelo no mundo econômico-social, com um processo interno de atenuação das desigualdades que lhe reduz progressivamente as lógicas de conflitualidade interclassista, é movido por uma saudável ambição de afirmação à escala global. Essa ambição espelha-se numa diplomacia muito preparada, consciente dos seus interesses, patriótica e orgulhosa, ativa a vários azimutes (curiosamente, sem uma hierarquia muito evidente entre eles), assente ideologicamente numa doutrina &#8220;sulista&#8221; (OMC, questões de desenvolvimento, Direitos Humanos), que sempre procura instrumentalizar como catalisador político da sua proteção.</p><p>Idealmente, o Brasil desejaria promover a integração sul-americana (não latino-americana, porque esse é um conceito, por várias razões, menos conveniente à sua estratégia) e partir daí para uma liderança do sub-continente, assumindo-se como contraponto, que não pretende conflitar mas conviviam, com o norte do continente. Sendo essa integração sul-americana progressivamente difícil, por razões de conjuntura que dou por adquiridas, o Brasil multiplica as parcerias multilaterais ou bi-regionais (países árabes, países africanos, Europa, IBAS, etc), não se multiplica à escala bilateral mais relevante (EUA, China, Rússia, Japão, Índia, etc) e mostra-se em todos os tabuleiros internacionais possíveis, por vezes, irritando, com isso, alguns parceiros.</p><p>Mas o seu objetivo central, e que justifica muita da coreografia diplomática atrás desenhada, é a obtenção de um lugar de membro permanente no CSNU. Esse é o desiderato-chave, porque o Brasil compreendeu &#8211; e bem! &#8211; que a fixação de um lugar institucional à escala global será a prateleira inamovível em que assentará toda a estratégia para alimentar a sua ambição de futuro. E já esteve muito mais longe disso&#8230;</p><p>Onde fica Portugal aqui? Portugal vê o Brasil é um parceiro essencial para que a lusofonia, um dia, dê certo e, por essa razão, tudo fará para o manter interessado numa CPLP que Brasília ainda não viu muito bem como pode integrar na sua escala de interesses. Para o Brasil, Portugal é um amigo &#8220;taken for granted&#8221; na Europa e no mundo, porque o Brasil percebeu que Portugal já percebeu que acabará sempre por ser &#8220;free rider&#8221; do seu próprio crescimento e da sua projeção à escala global. Nenhuma afirmação estratégica do Brasil é hoje conflitar com as de Portugal e, no conjunto, Portugal e Brasil representam um jogo de sinergias com vantagens mútuas.</p><p>Sendo que, na economia, e por muito que se possa vir a progredir (investimentos, comércio, turismo), as coisas entre Portugal e Brasil não têm hipóteses de evoluir de forma muito mais significativa, em especial na presente conjuntura, é a cultura &#8211; e, neste caso, a Língua Portuguesa, sejamos realistas! &#8211; que pode vir a representar um sólido caminho comum no futuro. Tudo o que se possa pensar para além disto, depende de variáveis que seria imprudente projetar desde já.</p><p>Mas também isso passa, uma vez mais, pela efetiva consagração institucional do Brasil no quadro da ONU. E essa é, também, uma das razões pelas quais Portugal tanto tem batalhado para ajudar o seu parceiro do outro lado do Atlântico a conseguir firmar-se. O apoio essencial dado por Portugal à criação da Parceria Estratégica da UE com o Brasil aí esteve para demonstrar bem onde estamos &#8211; aliás, onde sempre estivemos, com imensa coerência de princípios e de lealdade para com o Brasil.</p><p>Você fala-me agora da França. Ainda estou na &#8220;infância&#8221; do posto em Paris, pelo que não posso ir muito longe.</p><p>A França é hoje, talvez mesmo muito mais do que há uns tempos, um eixo fundamental do futuro do processo europeu. Isso terá sido percebido pelo Presidente Sarkozy, que acabou por ser protagonista de uma Presidência da UE com grande dinamismo e bastante eficácia. Num mundo que &#8220;está à espera&#8221; da nova América, a França deixou já claro o seu interesse em romper com um certo imobilismo passado, em especial na importante questão da segurança e defesa, com a vontade de integrar militarmente a NATO &#8211; um passo que pode, com surpresa para alguns, auxiliar a um reforço da dimensão &#8220;segurança &amp; defesa&#8221; européia..</p><p>Por outro lado, Paris pode ser vital para o trabalho, que também é essencial, de se conseguir o restabelecimento de uma relação de uma maior estabilidade com a Rússia, o que implica, simultaneamente, uma tarefa complexa junto de outros novos parceiros europeus, que têm com Moscovo uma relação mais fria e distante. França e Alemanha, porque o percurso do Reino Unido é mais incerto, podem ter um papel essencial nesta dissolução de tensões com um vizinho decisivo para o futuro do continente.</p><p>Mas os desafios europeus não passam apenas por estas dimensões estratégicas de grande dimensão, situam-se noutras vertentes mais humanas e culturais, na gestão das quais a França, por um conjunto muito variado de razões, tem uma palavra muito própria a dizer. Refiro-me às políticas relativas à livre circulação, à imigração, ao tratamento das minorias, à luta contra a xenofobia e a intolerância. Sem uma França muito ativa (e positiva) nestes domínios &#8211; onde quase sempre foi um farol, quando outros estiveram bem longe &#8211; a Europa dos povos não irá longe. Este é um dos maiores testes que a França do presidente Sarkozy tem perante si própria. E, sejamos claros: se a França não estiver no eixo de uma abordagem generosa e progressista neste domínio, confesso que temo pela capacidade do resto da Europa de garantir esse percurso.</p><p>É nesta &#8220;Europa ética&#8221; que acho que Portugal, como porto tradicional de muitos povos e de muitas gentes, tem a obrigação histórica de afirmar uma política de forte adesão aos princípios de defesa das liberdades e da tolerância, sem quaisquer tibiezas. E espero, sinceramente, que seja possível encontrarmo-nos com a França em todos estes caminhos da defesa da civilização européia, lutando contra os que se possam sentir tentados a desviar-se dessa leitura aberta da Europa, a única pela qual, verdadeiramente, vale a pena lutar.</p><p>Neste campo, porém, a crise que aí está pode ter, na Europa em geral, o efeito colateral de potenciar os egoísmos, de estimular os populismos, de afetar, por um protecionismo pateta e de vistas curtas, os equilíbrios de um mercado interno que deu muito trabalho construir, e onde assenta a base material de todo o projeto europeu. Esse é um projeto de solidariedades cruzadas e de vantagens/desvantagens que compete aos dirigentes políticos explicarem às suas opiniões públicas, não devendo, como frequentemente acontece, tornar Bruxelas o bode expiatório das suas fragilidades políticas internas.</p><p>Tenho esperança de vir a assistir, aqui em Paris, a uns anos de reconstrução de uma sólida política européia, em que Portugal se possa encontrar regularmente com a França no cultivo e na promoção de uma Europa de valores.</p><p><strong>3. Que avaliação faz da integração dos emigrantes portugueses em França? Foi reconhecido, nomeadamente pelo atual Presidente Sarkozy, o potencial de influência política (leia-se votos) da comunidade portuguesa em França &#8211; quais as possíveis consequências desta realidade nas relações entre Portugal e França?</strong></p><p>Ainda não tenho dados que me permitam ter certezas sobre o potencial daquela que é a 3ª geração portuguesa em França. Tenho feito alguns contactos, mas só daqui a algumas semanas poderei formar uma opinião mais concreta sobre o que existe, o que já foi feito e, eventualmente, sobre o que se possa vir a fazer ainda melhor.</p><p>Uma certeza tenho para mim como muito clara: a política externa portuguesa para a Comunidade portuguesa e luso-descendente em França tem de se assumir com uma forte matriz cultural e de visão estratégica. Não pode ser tentada a três coisas: a um seguidismo acrítico face aos padrões de organização de certas estruturas de enquadramento da Comunidade, o que, no passado, muito contribuiu para congelar a evolução do respectivo paradigma sócio-cultural; a qualquer tipo de instrumentalização política, qualquer que seja a lateralização ideológicas para que aponte; e, finalmente, à criação e alimentação de quaisquer desproporcionadas ilusões sobre o futuro papel relativo da Comunidade emigradas ou luso-descendente na sociedade portuguesa, nomeadamente no domínio econômico. Deixo isto muito claro, para que não haja ilusões sobre o que vou ou não fazer.</p><p>Portugal deve imenso às suas Comunidades no exterior e, por isso, deve-lhes, desde logo, políticas de verdade, respeito pelos seus interesses e muita atenção aos seus problemas. Como em qualquer política, temos de ouvir os utentes e desenhar as soluções à luz da interpretação racional dos seus anseios.</p><p>E é isso que, em França, vou procurar fazer com a Comunidade, bem como com as novas gerações de luso-descendentes, trabalhando com estas últimas na justa medida do seu interesse em terem as estruturas oficias portuguesas a agir a seu lado, não tencionando ser &#8220;patronizing&#8221; e dirigista, enquadrador ou intromissor numa realidade que é, antes de tudo, francesa e deles. Faremos com essas pessoas, nomeadamente com os luso-descendentes com responsabilidades políticas a vários domínios, nem mais nem menos do que observarmos ser a sua vontade. Não pretendo projetar nenhuma tutela, nem servir de &#8220;farol&#8221;. Quero que isto fique claro.</p><p>Esse é, aliás, o melhor caminho para preservar a estabilidade, e até um novo vigor, se tal vier a ser viável, do excelente quadro das relações que se vivem entre Portugal e França.</p><p><strong>4. Foi um Secretário de Estado dos Assuntos Europeus que marcou o lugar, pela conjugação de capacidade política com competência diplomática. Gostou da sua passagem pela política? Pondera nova incursão?</strong></p><p>Cada coisa tem o seu tempo. Saí do Governo há cerca de 8 anos e já tive oportunidade de provar que não estou interessado em regressar à vida política. Hoje, a diplomacia é a minha vida, a 100%. E sê-lo-á até à minha saída da carreira, pelos imperativos da lei.</p><p>A minha passagem pela política foi um tempo muito interessante, de que me não arrependo, até porque tive o privilégio de trabalhar com imensa liberdade. António Guterres e Jaime Gama estimularam essa autonomia, sempre exercida no quadro das orientações gerais que estabeleciam. Foi um período ímpar, em que atravessei vários momentos importantes da vida européia. Hoje, à distância, entendo que acabei por estar tempo demais no Governo, o que prejudicou a minha carreira profissional. Particularmente para quem, como eu, teve sempre &#8211; mas sempre! &#8211; como objetivo bem claro regressar à diplomacia.</p><p>Mas há uma coisa que quero que fique muito claro, até porque há muita gente que não pensa o mesmo: enquanto estive na política não fui um diplomata &#8220;em comissão de serviço&#8221;. Fiz apenas política. Da mesma maneira que, agora, só exerço funções diplomáticas. Como disse: cada coisa no seu tempo, sem misturas. E sempre a 100%&#8230;</p><p><strong>5. Também foi sindicalista-diplomata. Quais são as questões da agenda sindical-diplomática que mais o preocupam? Que sugestões daria à ASDP?</strong></p><p>Não posso dizer que tivesse tido uma ação sindical destacada dentro do MNE. Fui apenas vice-presidente da direção da ASDP, por um curto período. Mas ainda me recordo de ter sido o autor dos estatutos do Prêmio Aristides de Sousa Mendes, que alguns colegas queriam que viesse a ter um nome rotativo, diferente todos os anos. Ameacei demitir-me, se isso acontecesse. É que posso imaginar o que se pretendia e o que iria sair dali!</p><p>A minha vida sindical acabou de forma inesperada: estava a meio de uma reunião de direção da ASDP, quando recebi o convite para integrar o Governo&#8230; Num minuto, passei para o &#8220;patronato&#8221;!</p><p>Já agora, aproveito para lembrar que, aí por 1978, quando se criou a primeira estrutura associativa dos diplomatas, mobilizei vários jovens colegas com vista a evitar que a integrassem, pelo fato dos seus proponentes não quererem então qualificá-la como &#8220;sindical&#8221;. Não me apetecia fazer parte de uma espécie de &#8220;clube&#8221; diplomático, envergonhado em assumir-se como reivindicativo. E não fiz parte dessa associação até ao dia em que ela se assumiu como uma estrutura sindical.</p><p>Tendo integrado três grupos de trabalho que prepararam e discutiram com o poder político projetos de Estatuto do Diplomata, assumo que a experiência me veio a ensinar que cometemos alguns erros, naquilo que era a suposta defesa dos interesses da carreira.</p><p>Em muitos casos, acabamos por criar &#8220;coletes de força&#8221; que protegem hoje os maus funcionários, aqueles que exploram, à letra, a panóplia de pequenos direitos que hoje enredam o quotidiano administrativo, com recursos e mais recursos, os quais, muitas das vezes, acabam por defender os medíocres e os incompetentes e criar obstáculos à progressão dos mais capazes e dedicados. É sempre preciso prevenir o arbítrio e a discricionariedade dos dirigentes, mas o sistema que hoje existe é mau, pouco transparente e está, mais do que nunca, a criar um caos no funcionamento da carreira.</p><p>O anterior Secretário-Geral teve a coragem de tentar mudar as coisas e estou certo que o atual Secretário-Geral está empenhado, com o pleno apoio de muitos de nós, em dar sequência e desenvolvimento ao produto desse excelente trabalho. O reforço do papel do Secretário-Geral, como figura central da gestão da carreira, é, a meu ver, a única solução com algumas condições de poder &#8220;dar a volta&#8221; à casa. Mas esse poder do SG tem de estender-se a todas as áreas do MNE e não pode haver feudos setoriais a escaparem a esse controlo. Um estatuto e uma lei orgânica do MNE têm de cobrir todas as suas áreas. Alguma delas ficar de fora representará uma óbvia fragilidade para todo o sistema.</p><p>Quanto à carreira, devo confessar que hoje tenho a tendência a privilegiar o interesse do Estado face ao interesse individual do funcionário. Em especial, é-me completamente incompreensível que a vontade de cada um, em matéria de escolha de postos, se possa sobrepor ao interesse do Ministério em ter os funcionários que considera mais adequado em cada posto. Com as necessárias compensações de rotatividade bem expressas na lei e na prática, bem entendido. Penso que, se as coisas acabassem por ir por esse caminho no plano legal, o Ministério prestigiar-se-ia muito mais e todos acabariam por ganhar. Minto: não ganhariam os incompetentes, os absentistas, os &#8220;calaceiros&#8221; e todos quantos hoje se aproveitam do encosto às franjas da lei, do fato de fazerem parte do &#8220;grupo dos amigos de X&#8221;, para sobreviverem em sinecuras, mais ou menos protegidas.</p><p>Penso que a  ASDP deveria centrar a sua luta na defesa das questões mais especificas da carreira: os seguros de saúde, os problemas escolares, as questões dos cônjuges, o problema dos reformados, etc. Deveria preocupar-se também com a formação contínua, com o rigor nas avaliações, com uma maior seletividade e rigor nas promoções, em tentar pôr termo às subidas de categoria &#8220;por piedade&#8221;, em colocar em causa a obrigatoriedade legal de saída para o estrangeiro de pessoal entreparado, em permitir uma maior flexibilidade ao Secretário-Geral para a gestão de pessoal, facilitar a introdução de meios para interromper comissões no estrangeiro de quem, manifestamente, representa mal o país.</p><p>A ASDP ganharia igualmente credibilidade se mostrasse exigente na fiscalização severa do modo como são gastas as representações no estrangeiro, de como é tratado o absentismo e se sobrecarregam os colegas que têm de assegurar substituições, do modo como (não) se trabalha em certas áreas da Secretaria de Estado e em muitos postos.</p><p>Defender a carreira é, desde logo, defender quem trabalha bem, quem é dedicado ao serviço público, quem se esforça. Confesso que quase 35 anos de carreira me cansaram, definitivamente, dos colegas do estilo &#8220;from-nine-to-five&#8221;, que cada dia parece serem mais, que não estão disponíveis para ir a um aeroporto a um fim-de-semana, que acham certas tarefas abaixo dos seus pergaminhos, que não lêem um livro ou um jornal, que vivem na ostentação e na preocupação de alimentar o usufruto dos sinais exteriores da carreira, que se deslumbram como patetas com o acesso social que a condição diplomática lhes concede, que abusam de forma saloia das imunidades diplomáticas, que acumulam multas de tráfego, etc.</p><p>A sensação que tenho é que a nossa estrutura sindical se encontra hoje refém de uma agenda algo burocrática, a qual se converte, sem que tal seja assumido abertamente, numa triste luta de classes etárias, angustiada a mais nova pelos estrangulamentos da carreira, menos por razões de uma procurada eficácia funcional e mais por interesses corporativos e pessoais de curto prazo, como se a ascensão ao topo fosse um direito divino. Com todo o respeito e amizade que tenho por muitos que hoje se dedicam, com empenhamento, à ADSP, entendo que mais do que assumir uma agenda seguiduista, de cumulação de interesses corporativos, deveria ser assumida uma agenda reformista e radical, rumo à modernização da carreira e ao saneamento dos seus vícios. É por aqui que passa a preservação do nosso prestígio enquanto corpo profissional.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/05/19/entrevista-com-o-embaixador-francisco-seixas-da-costa/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Voar sem medo: como o EMDR pode ajudar você a levantar vôo</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2011/01/21/voar-sem-medo-como-o-emdr-pode-ajudar-voce-a-levantar-voo/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2011/01/21/voar-sem-medo-como-o-emdr-pode-ajudar-voce-a-levantar-voo/#comments</comments> <pubDate>Fri, 21 Jan 2011 13:25:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Victor Tagore</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=15671</guid> <description><![CDATA[Se você tem medo de andar de avião, não está sozinho. Aproximadamente 40% da população brasileira sofre do mesmo mal. Veja como uma nova forma de psicoterapia pode lhe ajudar a alçar vôo. Por Adriana Kortlandt* Entrevista com Esly Regina de Carvalho, mestre em Psicologia, e Treinadora de EMDR, reconhecida pelo EMDR Institute dos Estados [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Se você tem medo de andar de avião, não está sozinho. Aproximadamente 40% da população brasileira sofre do mesmo mal. Veja como uma nova forma de psicoterapia pode lhe ajudar a alçar vôo.</strong></p><p>Por<strong> <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriana-kortlandt/?affid=nosrevista" target="_blank">Adriana Kortlandt*</a><br
/> </strong></p><div
id="attachment_15672" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/01/foto_entrevista_esly.jpg"><img
class="size-thumbnail wp-image-15672" title="foto_entrevista_esly" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2011/01/foto_entrevista_esly-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p
class="wp-caption-text">Esly Regina de Carvalho, mestre em Psicologia, e Treinadora de EMDR</p></div><p><em>Entrevista com Esly Regina de Carvalho, mestre em Psicologia, e Treinadora de EMDR, reconhecida pelo EMDR Institute dos Estados Unidos. Esly tem consultório em Brasília e viaja com freqüência para dar cursos de formação em EMDR para psicólogos e psiquiatras.</em></p><p><span
style="text-decoration: underline;">Adriana Kortlandt</span>: O que é EMDR?</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Esly Carvalho</span>: EMDR são as siglas do inglês (Eye Movement Desenzitization and Reprocessing) que significam Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares. Entendendo que traumas e lembranças dolorosas são armazenados de forma inadequada no cérebro, o EMDR é capaz de reprocessar, através da integração da informação que se encontra separada nos dois hemisférios cerebrais. Medos, fobias, terrores e ansiedades vinculados às lembranças difíceis, mantém as pessoas presas aos fantasmas do passado. De forma acelerada e adaptativa, o EMDR “imita” de certa maneira o que acontece durante a etapa do sono REM (<strong><em>R</em></strong><em>apid <strong>E</strong>ye <strong>M</strong>ovement</em> – movimento rápido ocular), quando o cérebro processa informação diária, arquivando-a no passado. Por alguma razão ainda não completamente compreendida, em determinadas situações as pessoas não conseguem realizar este processamento de forma normal e saudável. Isso possivelmente determina os pesadelos, sobressaltos, pensamentos intrusivos e obsessivos, ataques de pânico e, em casos mais graves, o Transtorno de Estresse Pós-traumatica (TEPT) e suas conseqüências. Em casos excepcionais pode ocasionar Transtornos Dissociativos de Identidade, quando existem histórias crônicas de traumas repetitivos e constantes, especialmente na infância.</p><p><strong> </strong></p><p><span
style="text-decoration: underline;">Adriana Kortlandt</span>: EMDR também pode ajudar pessoas com medo de voar?</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Esly Carvalho</span>: Sim. É frequente que o medo de voar tenha sua origem em experiências reais anteriores (vôos difíceis, turbulência, etc.) ou medos afins, como a claustrofobia (medo de estar em lugares encerrados); ou mesmo fantasias do que poderia acontecer uma vez que o avião levanta vôo. O EMDR ajuda a reprocessar estes medos que estão alojados de forma inadequada no cérebro e “dissolve” neuro-quimicamente essas lembranças que impedem as pessoas de desfrutarem uma maior qualidade de vida.</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Adriana Kortlandt</span>: O tratamento é demorado?</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Esly Carvalho</span>: O EMDR tem uma forma mais acelerada de “metabolizar” a vivência difícil de vôo e os receios relacionados a isso, do que psicoterapias convencionais. É comum que os medos simples de voar sejam resolvidos em poucas sessões. Vale ressaltar que casos mais complexos vão levar mais tempo. Cada caso merece uma avaliação por um profissional devidamente certificado.</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Adriana Kortlandt</span>: Como funciona o tratamento?</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Esly Carvalho</span>: Pede-se que a pessoa pense no evento chave ou nos momentos difíceis que enfrenta, segundo um protocolo determinado. Aplicando-se a estimulação bilateral (visual, auditiva ou tátil) o cérebro recebe o “empurrão” necessário para desenvolver o processamento que já “sabe” fazer, mas que por alguma razão ficou bloqueado. Uma vez reprocessada a lembrança, a perturbação vinculada a ela costuma desaparecer ou diminuir consideravelmente. As vezes é preciso várias sessões para que a lembrança fique zerada. Um comportamento mais adequado costuma surgir espontaneamente.</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Adriana Kortlandt</span>: Quem pode aplicar este tratamento?</p><p><span
style="text-decoration: underline;">Esly Carvalho</span>: Como há riscos de dissociação ou re-traumatização, recomenda-se apenas os profissionais devidamente treinados e credenciados pelos representantes do EMDR Institute. No Brasil há mais de mil terapeutas reconhecidos em convênio com a EMDR Brasil/EMDR ibero-América/EMDR Institute. Pode-se conseguir uma lista completa no site, <a
href="http://www.emdrbrasil.com.br/">www.emdrbrasil.com.br</a> . A EMDR Treinamento e Consultoria Ltda. oferece cursos de formação nessa modalidade para psicólogos e psiquiatras.</p><p><span
id="more-15671"></span><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/adriana-kortlandt/?affid=nosrevista" target="_blank">*<strong>Adriana Kortlandt</strong> </a>é psicologa e escritora.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2011/01/21/voar-sem-medo-como-o-emdr-pode-ajudar-voce-a-levantar-voo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Poesia Sem Crítica Não Existe</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/08/18/poesia-sem-critica-nao-existe/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/08/18/poesia-sem-critica-nao-existe/#comments</comments> <pubDate>Wed, 18 Aug 2010 04:45:45 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=14065</guid> <description><![CDATA[O poeta Chacal conversa com o escritor M.P.Haickel, que prepara livro novo, Falando de Literatura, que reúne uma série de bate-papos com escritores “que versejam sobre o fazer literário.” Por M. P. Haickel* Especial Para Nós – Fora dos Eixos Durante o Café Literário da 26ª Feira de Brasília conversei com o poeta Chacal sobre [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>O poeta Chacal conversa com o escritor M.P.Haickel, que prepara livro novo, Falando de Literatura, que reúne uma série de bate-papos com escritores “que versejam sobre o fazer literário.”</p><div
id="attachment_14066" class="wp-caption alignnone" style="width: 491px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/chacal-cronopios.zonabranca.blog_.uol_..jpg"><img
class="size-full wp-image-14066" title="chacal-cronopios.zonabranca.blog.uol." src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/chacal-cronopios.zonabranca.blog_.uol_..jpg" alt="" width="481" height="363" /></a><p
class="wp-caption-text">Chacal, por cronopios.zonabranca.blog.uol.</p></div><p>Por <strong>M. P. Haickel</strong>*</p><p>Especial Para <strong>Nós – Fora dos Eixos</strong></p><p>Durante o Café Literário da 26ª Feira de Brasília conversei com o poeta Chacal sobre poesia e contemporaneidade.  Chacal é autor de diversos poemas escritos durante os anos de chumbo no Brasil, poeta da geração marginal, da poesia mimeógrafo, e que atualmente lidera uma plêiade de poetas no Rio de Janeiro através do CEP 20.000, um projeto que congrega as mais diversas manifestações poéticas, artísticas da cidade maravilhosa.</p><p>Num bate-papo entre uma apresentação e outra na 26ª Feira do Livro de Brasília, Chacal nos falou sobre seu modo particular de ver a poesia e o mundo, encharcado pelo consumismo. Abaixo os melhores momentos desse nosso bate-papo literário.</p><p><strong>Chacal como você vê a poesia hoje</strong> <strong>com todo o avanço</strong> <strong>tecnológico? Isso tem facilitado a vida para a turma que vêm da poesia mimeografo?</strong></p><p>Chacal – Eu sou um pouco descrente do mundo. Eu acho que o mundo da mercadoria ela&#8230; E numa Feira como esta, a gente percebe que é avassaladora, sabe? Ela domina todas as coisas&#8230; Por outro lado, ela permite também a gente trabalhar melhor – se tiver de bom humor, logicamente – e se divertir mais criando. Agora, no fundo, na essência mesmo, é que a gente vive esse problema de estar encharcado de opções, de tecnologias, que são úteis, mas que ao mesmo tempo é&#8230; Ela parece que é fruto de uma sociedade que parece que terminou, já está em estado terminal&#8230; A mercadoria nos avassala, sabe! Tudo vira mercadoria, tudo vira produto, tudo vira em desejos ou sonho de consumo. Eu acho que existe sim uma diferença. Dos anos de hoje para os anos 70, principalmente nesse sentido: naquela época, talvez a mercadoria ainda não tivesse pego a gente pelo pé, a gente ainda tinha mais sonhos, utopias de irmandade, de camaradagem, o sonho hippie&#8230;</p><div
id="attachment_14081" class="wp-caption alignright" style="width: 406px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/hippie.tipos_.com_.br_.jpg"><img
class="size-full wp-image-14081" title="hippie.tipos.com.br" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/hippie.tipos_.com_.br_.jpg" alt="" width="396" height="298" /></a><p
class="wp-caption-text">Hippie, por tipos.com.br</p></div><p><strong>A crítica literária</strong>, <strong>geralmente academicista, eles falam que o que caracteriza essa poesia hoje é a falta de um inimigo comum! Por exemplo, àquela época tinha-se um inimigo comum, que era a Ditadura. Hoje, como não se tem mais esse inimigo comum a Literatura acaba sendo muito fragmentada, fractal&#8230; essas coisas&#8230; Pra você, faz sentido a opinião da crítica? </strong></p><p>Chacal:<strong> </strong>Eu tenho esse pensamento também, que a utopia acabou porque não se tem esse inimigo comum. A comparação que eu faço é do espantalho e do agrotóxico. Antigamente você tinha um inimigo fora, era um espantalho, que a gente via, e identificava no militar, marechal, coronel, e hoje em dia você não tem mais esse inimigo e parece que esse espantalho virou o agrotóxico. Então você engole esse agrotóxico e o inimigo está dentro de você! É por isso que essa coisa da mercadoria, do consumo, consumo&#8230; é tudo largado e imoral&#8230;</p><p><strong>Aquela coisa do ter e não do ser?</strong> <strong> </strong></p><p>Chacal&#8230; Do desejar, né?! Porque nem ter&#8230; as pessoas que desejam ter&#8230; mas é uma cultura do desejo! Do consumo desenfreado&#8230; e da pouca espiritualidade, do pouco pensamento&#8230; parece que a gente já acorda com uma mola que nos empurra para o primeiro shopping para adquirir coisas; pelo menos com o desejo de&#8230; e com isso o senso crítico vai indo pro espaço! E poesia sem crítica não existe. O primeiro que é abalado é a poesia. Então é&#8230; apesar de estar nesse momento bom; lançaram minha antologia completa, ganhei o prêmio da Petrobrás, momento que está tudo dando certo pra mim, eu tenho esse mau humor, esse ceticismo, que a mercadoria nos corrompe, sabe?!</p><p><strong></p><div
id="attachment_14082" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/mphaickel9.jpg"><img
class="size-thumbnail wp-image-14082" title="mphaickel" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/08/mphaickel9-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></strong><p
class="wp-caption-text">M.P. Haickel, divulgação.</p></div><p>O consumismo na poesia aparece muitas vezes como um recurso de imediatismo, por exemplo: há quem diga e que fale que é uma utilização do poeta das logomarcas de marketing para poder chegar ao público, daí vem o vazio da poesia hoje? Será que a poesia não serveria também pra denunciar essa falta de ideologia?</strong></p><p>Chacal<strong> </strong>– Ela também precisa ser consumida&#8230; Pela própria poesia&#8230; você não escreve para você mesmo! Então você trabalha com esse desejo do consumo. Ao mesmo que você precisa ter o tempo para&#8230; aquela coisa da teoria e da prática. Você vive a vida, mas precisa ter um tempo para conceituar, pensar as tuas vivências, a tua prática, até mesmo para poder transformar essa prática através da teoria: dialética marxista. No entanto você hoje parece não ter mesmo tempo ou desejo de reconceituar as coisas, ou incapacidade teórica, as ferramentas, a intelectualidade faliu, o marxismo faliu , sabe?! E não se encontram outras ferramentas, então é o consumo, consumo&#8230; então eu penso que a gente vive o momento terminal, apesar de que todo essa coisa da Era Digital parece uma coisa de redenção da humanidade, de possibilidades mil, do desbloqueio de celulares, da propriedade privada&#8230; sabe, você tem a possibilidade de uso comum dos modos de produção, aquela coisa barata e tal, mas ao mesmo tempo, o desejo, o pra quê que serve aquilo? Você não tem mais! Qual é produção que vamos fazer a não ser fotografar? Ligar o computador! Gravar as coisas!&#8230; Isso que você está fazendo, você que está aí do outro lado da tela que tá me vendo&#8230; Então pra que serve isso? Por isso que eu acho que a gente tem que repensar esse mundo! Parar um pouco e o mundo não tem tomada para a gente desligar&#8230; computador ainda tem o plug ali, onde eu tiro do interruptor&#8230; isso significa que o mundo não tem, esse mundo louco não tem esse plug, sabe?! Então é complicado!</p><p><strong>Chacal você poderia nos falar um pouco de como está o panorama da Poesia no Rio de Janeiro?</strong></p><p>Chacal – A Poesia no Rio tá muito bem, obrigado! Ela tá funcionando bem sim, na medida do possível, na medida do que é hoje fazer poesia! O CEP 20.000 que é um evento que eu produzo a 17 anos, que é um encontro mensal, multimídia, que mistura música com teatro, dança, vídeo, tá muito bem. Eu e outros já estamos na quarta geração de poetas, e poetas de tradição oral, principalmente poetas que gostam do palco, que gostam de falar seus poemas. Um bom exemplo é poetas como João Menamede, que é dos cara que se revelaram no CEP, Caze Pecinni, Bianca Ramonedo&#8230; esse lado tá bom, e outro lado também tá muito bom, quer dizer a poesia escrita no papel com o trabalho da Editora 7 Letras, ou seja, os vários poetas que a 7 Letras publica, o Carlito Azevedo tem um papel fundamental nesse sentido, que é editor da 7 Letras, editor também do meu livro&#8230; então acho que tá muito bem. As pessoas, por incrível que pareça, continuam falando e fazendo poesia.</p><p><strong>Chacal e o seu contato?</strong> <strong> </strong></p><p>Chacal – Através dos meus dois blogs. Através dos blogs você tem acesso ao meu e-mail. O endereço do blog é <a
href="http://www.cep.zip.net/">www.cep.zip.net</a> que é o blog do CEP 20.000, e o outro é <a
href="http://www.chacalog.zip.net/">www.chacalog.zip.net</a>, que é o meu blog pessoal, onde eu digo minha vida é blog aberto, tudo que eu escrevo hoje em dia vai pro blog&#8230; não tenho mais essa coisa de trabalhar pra por comida em casa&#8230;</p><p><strong>Chacal dá pra deixar uma poesia pra gente?</strong></p><p>Chacal –</p><p>Muitos lutam por uma causa justa</p><p>Eu prefiro uma bermuda larga</p><p>Só quero que não me encham o saco</p><p>Luto pelas pedras fora do sapato.</p><p>*<strong>M.P.Haickel</strong> é autor dos livros Cinza da Solidão e O Amor do Mariano, publicados pela Thesaurus Editora.</p><p><strong>Serviço</strong></p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/">www.thesaurus.com.br</a></p><p><a
href="mailto:mphaickel@gmail.com">mphaickel@gmail.com</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/08/18/poesia-sem-critica-nao-existe/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>A Metapoesia de Anderson Braga Horta</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/07/07/a-metapoesia-de-anderson-braga-horta/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/07/07/a-metapoesia-de-anderson-braga-horta/#comments</comments> <pubDate>Wed, 07 Jul 2010 21:03:02 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category> <category><![CDATA[Lançamentos]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=13167</guid> <description><![CDATA[Um dos escritores mais premiados do DF lança Signo, Antologia Metapoética, no dia 4 de agosto, no restaurante Carpe Diem, em Brasília Por Menezes y Morais * O poeta Anderson Braga Horta está com livro novo: Signo, Antologia Metapoética (Thesaurus, 2010), que se compõe de poesia sobre poesia e o poeta. Por e-mail, o poeta, [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Um dos escritores mais premiados do DF lança <em>Signo, Antologia Metapoética</em>, no dia 4 de agosto, no restaurante Carpe Diem, em Brasília</p><div
id="attachment_13168" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Anderson-Braga-Horta-9.jpg"><img
class="size-medium wp-image-13168" title="Anderson Braga Horta 9" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Anderson-Braga-Horta-9-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Anderson Braga Horta, por Victor Tagore.</p></div><p>Por <strong>Menezes y Morais</strong> *</p><p>O poeta Anderson Braga Horta está com livro novo: <em>Signo, Antologia Metapoética</em> (Thesaurus, 2010), que se compõe de poesia sobre poesia e o poeta. Por e-mail, o poeta, contista, tradutor, revisor e professor, “falou” sobre sua nova obra.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Por que <em>Signo – Antologia Metapoética</em>, que tem lançamento marcado?</p><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – Signo é, em última instância, a palavra. E a antologia é metapoética porque se compõe de poemas sobre a poesia e o poeta, sobre a linguagem e o canto, enfim – sobre a palavra, considerada sub specie poesis. As “Palavras Prévias” informam o leitor sobre esse viés do livro.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> O que lhe motivou a escolha desses poemas, para essa antologia? O poeta precisa refletir mais sobre o próprio ofício poético?</p><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – O poeta moderno sentiu, creio que bem mais do que seus antecessores, a necessidade de refletir, no próprio poema, sobre a essência e os meandros do fenômeno poético e do fazer poético. Em alguns de nossos poetas, como João Cabral de Melo Neto, essa necessidade parece-me quase obsessiva. <a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Anderson-Braga-Horta-Signo-Convite-JPG1.jpg"><img
class="alignleft size-full wp-image-13172" title="Anderson Braga Horta Signo-Convite JPG" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Anderson-Braga-Horta-Signo-Convite-JPG1.jpg" alt="" width="640" height="288" /></a></p><p>Revendo minha produção no gênero, verifiquei que também ela –sem pretender nenhuma emulação absurda&#8230;– se rende amiúde a esse tipo de reflexão. Levando a busca às minhas iniciações poéticas, achei possivelmente interessante registrar em seqüência tais reflexões, daí nascendo a ideia da antologia.</p><div
id="attachment_13169" class="wp-caption alignright" style="width: 181px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/drummond.foto_.jpg"><img
class="size-full wp-image-13169" title="drummond.foto" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/drummond.foto_.jpg" alt="" width="171" height="139" /></a><p
class="wp-caption-text">Carlos Drummond de Andrade</p></div><p>Não sei se o poeta precisa refletir mais sobre o próprio ofício. Talvez devesse dizer mais&#8230; Por outro lado, poetas como Drummond e João Cabral, quando refletem sobre poesia, estão dizendo poesia.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Poeta, tradutor, ensaísta, revisor, contista&#8230; O que você pretende publicar agora?</p><p><strong> </strong></p><div
id="attachment_13175" class="wp-caption alignleft" style="width: 355px"><strong><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Manuel-Bandeira.jpg"><img
class="size-full wp-image-13175" title="Manuel Bandeira" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Manuel-Bandeira.jpg" alt="" width="345" height="350" /></a></strong></strong><p
class="wp-caption-text">Manuel Bandeira</p></div><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – Tenho ainda um livro de poemas no gatilho. É provável que saia em 2011. E já cogito de uma nova edição de poemas reunidos, a exemplo dos <em>Fragmentos da Paixão</em>, que estão comemorando dez anos.</p><p><strong> </strong></p><p><strong> </strong></p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Está escrevendo um livro novo?</p><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – Sim, estou ultimando nova coletânea de ensaios.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Brasília, 50 anos, identidade cultural consolidada? Nesse ritmo atual, chegaremos ao primeiro centenário com uma Literatura marcante, a exemplo de Rio e de São Paulo, respeitando as proporções?</p><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – Brasília é um amálgama fecundo, como, de resto, Rio e São Paulo o são. Sim, acredito que chegaremos lá.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Acrescente o que desejar. Ou fale mais do Signo.</p><div
id="attachment_13177" class="wp-caption alignright" style="width: 224px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/anderson-braga-horta.2.jpg"><img
class="size-full wp-image-13177" title="anderson braga horta.2" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/07/anderson-braga-horta.2.jpg" alt="" width="214" height="320" /></a><p
class="wp-caption-text">Anderson Braga Horta e Menezes y Morais, na redação da Nós, por Victor Tagore.</p></div><p><strong>Anderson Braga Horta</strong> – A capa do volume, bela concepção de Victor Tagore, resumindo na contraface o essencial das “Palavras Prévias”, dá boa idéia do caminho percorrido pelo autor. Transcrevo: “Signo descreve uma trajetória poética em que se representam as tendências do século, desde o romantismo tardio dos primeiros poemas até uma profissão de fé simbolista, e desde o ideologismo da lira social até o formalismo das vanguardas.”</p><p>* <strong>Menezes y Morais</strong> é jornalista, escritor, professor, historiador e editor da <strong>Nós &#8211; Fora dos Eixos</strong>. É autor, entre outros, de <em>Diário da Terra &amp; Cenas da Cidade Sitiada</em> (poesia) e <em>Por Favor, Dirija-se a Outro Guichê</em> (teatro) e <em>Na Micropiscina da Lágrima Feliz </em>(poesia).</p><p><strong>Serviço</strong></p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/">www.thesaurus.com.br</a></p><p><a
href="mailto:menezesymorais@gmail.com">menezesymorais@gmail.com</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/07/07/a-metapoesia-de-anderson-braga-horta/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Wellington Lavareda, um Escritor de Bem Com a Literatura e às Turras com a Doença de Parkson</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/04/06/wellington-lavareda-um-escritor-as-turras-com-a-doenca-de-parkson/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/04/06/wellington-lavareda-um-escritor-as-turras-com-a-doenca-de-parkson/#comments</comments> <pubDate>Tue, 06 Apr 2010 18:56:57 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=10538</guid> <description><![CDATA[Por Menezes y Morais * O escritor Wellington Lavareda, 64 anos, nove livros publicados, tem uma nova obra literária na praça. Treze Dias (novela). Nele, o Autor trabalha, com desenvoltura, a questão do 13 de agosto, da sorte e do azar. A revista Nós – Fora dos Eixos, Wellington Lavareda falou da sua obra e [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p><div
id="attachment_10539" class="wp-caption alignleft" style="width: 360px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-2-.jpg"><img
class="size-full wp-image-10539" title="Wellington-2-" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-2-.jpg" alt="" width="350" height="414" /></a><p
class="wp-caption-text">Wellington Lavareda, dois livros novos lançados em março. Fotos: Thiago Sarandy.</p></div><p>Por <strong>Menezes y Morais</strong> *</p><p>O escritor Wellington Lavareda, 64 anos, nove livros publicados, tem uma nova obra literária na praça. <em>Treze Dias</em> (novela). Nele, o Autor trabalha, com desenvoltura, a questão do 13 de agosto, da sorte e do azar. A revista <strong>Nós – Fora dos Eixos,</strong> Wellington Lavareda falou da sua obra e um pouco da vida de escritor, que fica um tanto prejudicada com a doença de Parkson, quando esta lhe impede de escrever a mão, mas não de usar o computador.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Este ano você já lançou dois livros, duas novelas, <em>O Beijo </em>e <em>Treze Dias</em>. Você chama Treze Dias de novela, mas, no índice sistemático, está escrito romance. O que é, afinal?</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: É uma novela. Eu acho que existe um preconceito bravo, falar em novela – parece aqueles dramalhões do SBT, da TV Globo, essas coisas assim. Tecnicamente <em>Treze Dias</em> é uma novela.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Você prefere trabalhar mais a novela ou o romance?</p><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> A novela deixa mais espaço para o escritor interagir com o leitor. O romance, a meu ver, limita muito a atuação do leitor. Talvez seja um preconceito meu.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Você começou como poeta, a exemplo de Machado de Assis, e depois descambou para a prosa. A Poesia lhe abandonou?</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: Meu primeiro livro foi de conto, <em>Ana Cristina</em> (1994), o nome da minha esposa, eu fiz pra ela, na verdade. É um pequeno livro de contos. Todos os erros que eu pude cometer estão contidos lá. Depois veio no ano 2000 a primeira novela, <em>O Último Encontro</em>. Eu tive a honra de ser prefaciado pela professora amiga e escritora Zita de Andrade Lima. Depois, em 2001, foi <em>Ventania</em> (poesia), edição bilíngue, português/espanhol. Em 2002 veio <em>Limbo</em> (contos), 2003, veio <em>Dívida de Honra</em> (novela, 1ª edição, está na 3ª). Em 2005, a 2ª edição DH. Em 2008, <em>A</em><em> Cigana</em> (contos), junto com a 3ª do DH. No ano de 2009, publiquei <em>Peça de Museu</em> (contos) e agora, 2010, <em>O Beijo</em> (novela) e <em>Treze Dias</em> (novela), vieram de enxurrada. Vieram os dois, um atropelando o outro. <em>O Beijo</em> saiu no começo de março e <em>Treze Dias</em> no final.</p><div
id="attachment_10540" class="wp-caption alignright" style="width: 410px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-1-.jpg"><img
class="size-full wp-image-10540" title="Wellington-1-" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-1-.jpg" alt="" width="400" height="449" /></a><p
class="wp-caption-text">Lavareda: o autor independente ainda enfrenta preconceitos.Arquivo.</p></div><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Você escreveu O Beijo e Treze Duas ao mesmo tempo?</p><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> Treze Dias estava guardado, faltava só acabamento. O outro eu já vinha trabalhando. Entre 2006 e 2008 eu escrevi três livros quase simultâneo, <em>Treze Dias</em>, <em>O Beijo</em> e outro, que eu ainda estou trabalhando nele. Abria um arquivo, fechava outro. É meio anárquica a minha produção. Não tenho disciplina, atitude metódica em relação a isso. Vem a estória, a inspiração, coloco no papel e saio desenvolvendo ela.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Você está se dedicando só a escrever?</p><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> Só. E trabalhar nas escolas. O primeiro momento é o contato com os coordenadores pedagógicos, falando do meu trabalho. Depois me coloco a disposição para falar com os alunos, para atraí-los à leitura.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Como é o contato com os alunos?</p><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> Eu procuro chamar atenção deles para duas coisas: minha formação profissional, eu brinco dizendo e desafiando a dizerem qual é a minha profissão profissional, que é extremamente ligada a literatura, sou economista, com pós-graduação na área de economia rural. Fiz na Universidade de Viçosa (MG) a graduação em Brasília, no CEUB.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> O que levou largar a profissão de economista para dedicar-se a Literatura, num país onde não se reconhece a profissão de escritor?</p><p><strong> </strong></p><div
id="attachment_10541" class="wp-caption alignleft" style="width: 360px"><strong><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-3-.jpg"><img
class="size-full wp-image-10541" title="Wellington-3-" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-3-.jpg" alt="" width="350" height="430" /></a></strong></strong><p
class="wp-caption-text">Wellington Lavareda: Érico Veríssimo e Morris West entre os autores favoritos.</p></div><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> Larguei tudo, entrei com pedido no Conselho Regional de Economia, pedindo o meu cancelamento profissional. Eu não queria virar uma página, eu queria encerrar um livro. Tive muito sucesso em todas as empresas onde trabalhei, inclusive no serviço público. Tive cargos de chefia, mas tinha uma coisa, um bichinho corroendo não sei se meu cérebro, minha medula.,.. O fato é que eu pedi demissão da empresa onde eu trabalhava, era gerente numa área administrativa, acumulando a função de diretor de um fundo de pensão, pedi demissão para me dedicar exclusivamente à literatura.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Quando e onde você nasceu?</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: Em Belém do Pará, no dia 4/01 de 1946, de lá fui para Macapá (minha mãe foi a primeira médica mulher no então Território do Amapá) a família foi, depois minha mãe, Rossicler, nos mandou estudar em Fortaleza (CE), passei três anos no colégio interno, onde aprendi a viver e a conviver e de lá viemos para Brasília, toda a família (quatro comigo) em 1960, estava gostoso demais. Morei durante 20 anos, fui para Belo Horizonte (MG), morei nove anos e em 1989 voltei e estou aqui até as minhas cinzas serem espalhadas ao vento.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Brasília é um bom ambiente para escritor?</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: Eu acho que sim. Uma coisa, um poço das atitudes que eu tenho, andar no Parque da Cidade para pensar, fazer exercício, meu caso, para olhar, ver, perceber, sentir, além do&#8230; Sem nenhum eufemismo, Brasília tem o mais bonito por de sol que pode inspirar qualquer escritor. Não tem mar, mas tem céu.</p><p><strong> </strong></p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>O urbanista<strong> </strong>Lúcio Costa dizia que o céu é o mar de Brasília&#8230;</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: O por do sol aqui é mais bonito nos meses de agosto, setembro, final de julho, tem um por do sol maravilhoso.</p><p><strong> </strong></p><div
id="attachment_10542" class="wp-caption alignright" style="width: 249px"><strong><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-4-.jpg"><img
class="size-medium wp-image-10542" title="Wellington-4-" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Wellington-4--239x300.jpg" alt="" width="239" height="300" /></a></strong></strong><p
class="wp-caption-text">Livro novo: capa de Marconi Martins.</p></div><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>Cite alguns<strong> </strong>autores que você gosta de ler&#8230;</p><p><strong>Wellington Lavareda</strong>: Eu confesso ter me arrependido do momento de ter feito uma imensa besteira na vida, eu tinha a coleção completa, cheguei a ter por vontade própria, do Érico Veríssimo, um autor que me chamou muito atenção, a forma com que ele contava as histórias carregadas de emoção, alegria, dor, tristeza e eu dei essa coleção para uma pessoa que tempos depois me disse que não chegou a ler nem o segundo livro, uma coleção de 42 volumes e eu que nunca mais tive a oportunidade de refazer essa coleção. Gosto de ler Morris West, um autor australiano, já falecido, me chamou muito atenção foi que ele tinha um assunto recorrente em quase todos os livros dele, trata da relação da Igreja católica com um personagem da história, de amor e ódio, de submissão, coloca de forma inusitada essa relação, sem se tornar repetitivo. Mas já tive oportunidade der ler muitos autores brasileiros, portugueses e outros internacionais.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>Conheci um poeta, o piauiense H. Dobal, que tinha a doença Parkinson. Você é o segundo escritor que eu conheço que convive com esse problema. Como é?</p><p><strong> </strong></p><div
id="attachment_10544" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><strong><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/morris_west1.jpg"><img
class="size-full wp-image-10544" title="morris_west" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/morris_west1.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a></strong></strong><p
class="wp-caption-text">Morris West, escritor.Arquivo.</p></div><p><strong>Wellington Lavareda:</strong> Recentemente foi diagnosticado tremores nas mãos e nos pés que me impedem as vezes de escrever a mão, mas não me impedem de escrever digitando. Já tive a oportunidade de perceber um pouco o receio das pessoas, quando me veem tremer, de forma assustada, como seu tivesse um ataque epiléptico. Uma coisa que me chamou muito atenção foi perceber isso. Barreira inicial. Isso me chateava, me deixava um pouco frustrado. Mas eu tive a oportunidade de ler um autor americano. Randy Pausch, que tinha um câncer incurável, faleceu um ano depois de lançar o livro <em>Á Última Lição</em> e aí ele dizia: Se você tem um elefante na sua sala de visitas e chega alguém à sua casa, apresente o elefante, ou seja: não como esconder um elefante de alguém. E a primeira coisa que eu faço hoje é dizer para as pessoas que eu tenho Parkson, é uma doença incurável, degenerativa, o medicamento que eu tomo é apenas para diminuir a velocidade da agressão que a doença provoca. Mas digo também que ela não e transmissível, nem hereditária. Em alguns casos afeta o cérebro, a memória, não é o meu caso, eu só percebo claramente parece que falta palavra, dá um vazio. A doença é provocada pela falta de dopamina, produzida pelo cérebro. Isso ataca primordialmente a área motora. As vezes ataca também (muito raro) a área cognitiva (uso da linguagem, memória, conhecimento, desenvolvimento intelectual) mas ela ataca 97 a 98% a área motora.</p><div
id="attachment_10549" class="wp-caption alignright" style="width: 373px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/EricoVerissimo.jpg"><img
class="size-full wp-image-10549" title="EricoVerissimo" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/EricoVerissimo.jpg" alt="" width="363" height="460" /></a><p
class="wp-caption-text">Érico Veríssimo, autor de Olhai Os Lírios dos Campos.</p></div><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>Machado de Assis sofria de epilepsia, tinha ataques, caía&#8230; Você acha que a sociedade ainda não está preparada para aceitar esse tipo de problema de saúde?</p><p><strong>Wellington Lavareda: </strong>Eu acho que não está. A sociedade não está preparada para aceitar certas doenças, com o AIDS, tem outras doenças.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>Mudando de assunto, como você ver a produção literária no Brasil hoje?</p><p><strong>Wellington Lavareda: </strong>Eu vejo A literatura no Brasil muito comercial, não provocada pelos autores, mas pelos editores, eles farejam um assunto, um filão de assunto e buscam pessoas que possam desenvolver aquelas ideias de uma forma que seja o que certas pessoas gostariam de ler. Não é o que eu penso, a minha inspiração, escreve sobre uma porta, um assunto dominante no momento. Eu vejo a literatura muito comercializada neste sentido. Não estou buscando argumentos para justificar uma volta ao Renascimento, Arcadismo ou qualquer outro movimento literário, mas sim uma constatação.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>E a escolha de autores como temas de vestibular, como você ver essa questão?</p><p><strong> </strong></p><p><strong>Wellington Lavareda: </strong>Eu vou fazer uma critica a uma percepção, uma coisa que eu pego, um assunto, um comportamento; eu estive fazendo divulgação do meu trabalho há quatro, cinco anos em Goiânia (GO). E uma coisa que eu descobri, as escolas se direcionavam para no vestibular para o conhecimento das obras dos autores goianos; isso também acontece no Rio Grande do Sul e não acontece em Brasília, embora nós tenhamos autores aqui em Brasília (DF) detentores de prêmios literários tão ou mais importantes que outros autores que não moram em Brasília. E não lhes é dado a oportunidade de conhecerem o trabalho dos autores que moram no DF.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos: </strong>Seus livros resgatam um selo, Edição do Autor, que a geração de escritores como Vinicius de Moraes usou no início&#8230; Você é um autor independente?</p><div
id="attachment_10545" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/menezes-y-morais_por_ivaldo-cavalcante_.jpg"><img
class="size-thumbnail wp-image-10545" title="menezes-y-morais_por_ivaldo-cavalcante_" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/04/menezes-y-morais_por_ivaldo-cavalcante_-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p
class="wp-caption-text">Menezes y Morais, por Ivaldo Cavalcante.</p></div><p><strong>Wellington Lavareda: </strong>Há um preconceito significativo contra o autor independente, Se ele não tiver ligado a uma editora, grande, média ou pequena, ele não tem valor. Essa é a maior barreira que eu tenho encontrado para divulgar o meu trabalho.</p><p>* <strong>Menezes y Morais</strong> é jornalista,</p><p>escritor, professor,</p><p>historiador e editor da</p><p>Nós – Fora dos Eixos.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/04/06/wellington-lavareda-um-escritor-as-turras-com-a-doenca-de-parkson/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Jarbas Junior, a Escrita Como Forma de Compulsão da Criação Literária</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/29/jarbas-junior-a-escrita-como-forma-de-compulsao-da-criacao-literaria/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/29/jarbas-junior-a-escrita-como-forma-de-compulsao-da-criacao-literaria/#comments</comments> <pubDate>Mon, 29 Mar 2010 18:25:38 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=10324</guid> <description><![CDATA[Por Menezes y Morais * Jarbas Junior (da Silva Mota) é um escritor cearense (Fortaleza) de nascimento &#8211; e brasiliense por opção – que usa a escrita como forma de compulsão da criação literária. Desde 1990 saiu de Fortaleza (CE) com a família para viver em Brasília (DF). Aqui, divide seu tempo em escrever, dá [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div
id="attachment_10325" class="wp-caption alignleft" style="width: 487px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/matsuo-bashô_3_.jpg"><img
class="size-full wp-image-10325" title="matsuo bashô_3_" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/matsuo-bashô_3_.jpg" alt="" width="477" height="600" /></a><p
class="wp-caption-text">Escultura de Matsuo Bashô, o maior poeta do Japão, &quot;discípulo da poesia:&quot; deu dimensão universal ao haicai.</p></div><p>Por <strong>Menezes y Morais</strong> *</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank">Jarbas Junior </a>(da Silva Mota) é um escritor cearense (Fortaleza) de nascimento &#8211; e brasiliense por opção – que usa a escrita como forma de compulsão da criação literária.</p><p>Desde 1990 saiu de Fortaleza (CE) com a família para viver em Brasília (DF). Aqui, divide seu tempo em escrever, dá aulas, proferir palestras e escrever, escrever e escrever.</p><p>Autor de nove livros publicados, jornalista, professor, está com um livro novo <em>O Mistério das Pérolas de Bashô e Outros Escritos</em> (poesia e prosa, Thesaurus, 2010), depois de editar <em>As Marchas do Chicote</em> (poemas, 2008), pela mesma editora.</p><p>Jarbas, como é mais conhecido, tem 40 títulos inéditos e está escrevendo, simultaneamente, três livros diferentes. De 1980, quando publicou Perfeição Humana (poemas), não parou mais.</p><p>As Pérolas de Bashô, por exemplo, ele escreveu quase todo na editora Thesarus, numa sala ao lado da lada</p><div
id="attachment_10335" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><img
class="size-medium wp-image-10335" title="jarbas junior_1" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/jarbas-junior_11-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Jarbas Junior, poeta, romancista e ensaísta.</p></div><p>onde funciona a redação da Nós – Fora dos Eixos.</p><p>Numa bela manhã de segunda-feira, Jarbas abordou-me, com os olhos de ressaca do domingão, para falar de Matsuo Bashô (1644-1694), poeta que deu dimensão universal ao haicai. Da mesma forma que Bob Marley deu dimensão internacional ao reaggue e Luiz Gonzaga deu dimensão nacional e mundial ao baião.</p><p>Qual não foi a minha surpresa: a conversa que tivemos sobre Bashô naquela manhã virou um minicapítulo do livro <em>As Pérolas de Bashô</em>, sobre o qual Jarbas Júnior fala um pouco nesta entrevista.</p><p>À revista <strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>, Jarbas falou também um pouco sobre sua vida e obra, E de uma cigana que encontrara em Salvador (BA), que lhe disse, nas entrelinhas, que ele é o futuro ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.</p><p><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/jarbas_junior_capa_bashô.jpg"><img
class="alignleft size-medium wp-image-10327" title="jarbas_junior_capa_bashô" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/jarbas_junior_capa_bashô-282x300.jpg" alt="" width="282" height="300" /></a>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Você publicou recentemente o livro de ensaios As Perólas de Bashô, pela Thesaurus.</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: A palavra “ensaios” não me parece muito adequada, soa acadêmica. <em>O Mistério das Pérolas de Bashô e Outros escritos</em> é um livro que mescla, de modo sincrético, biografia, narrativa de ficção e poemas, principalmente, haicais; é uma obra múltipla, impregnada de espiritualismo oriental e realismo mágico.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> O que o levou a mergulhar na obra desse clássico japonês, que deu dimensão universal ao haicai?</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: As afinidades seletivas, identificação poética; sempre gostei muito dos mestres da concisão expressiva marcada de raro sortilégio verbal. E as leituras do assunto em Octavio Paz, Cecília Meireles, o próprio Millôr Fernandes, Manuel Bandeira, Mário Quintana. E sempre me fascinou a figura de “Professor de Poesia”, de</p><div
id="attachment_10328" class="wp-caption alignleft" style="width: 271px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/millor-fernandes_jpg1.jpg"><img
class="size-medium wp-image-10328" title="millor fernandes_jpg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/millor-fernandes_jpg1-261x300.jpg" alt="" width="261" height="300" /></a><p
class="wp-caption-text">Millor Fernandes, escritor, cartunista e tradutor.</p></div><p>ex-samurai do Divino Bashô, peregrino do haicai. Um romance convencional seria pouco para revelar a grandeza zen dessa poesia síntese do belo e do bem! Bashô, Tagore, Li Pó, Dom Dinis são figuras impressionantes em termos de inexcedível grandeza poética que atinge o sentido pleno da sabedoria transformada em luz e perfume.<br
/> <strong> </strong></p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Quem é  Bashô?</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: O poeta. E da mesma dimensão universal de Poe, Baudelaire, Drummond, Byron, Pond, Whitman, Lorca, Herman Hesse, Augusto dos Anjos. Eu os considero os trezentos de Atenas, defensores da terra sagrada dos deuses do Parnaso.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Poeta, romancista, ensaísta, qual desses gêneros, que você pratica, lhe dá mais prazer intelectual?</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: Notadamente a poesia. Porém, o que não é poesia em Guerra e Paz, nos Miseráveis, em Jubiabá, em Clarissa, Vidas Secas? O discurso é que importa, isto é, a sugestão de beleza gloriosa da alma humana diante da dor, do ser e do destino.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Você tem a mania de escrever mais de um livro ao mesmo tempo: o que está produzindo agora?</p><div
id="attachment_10329" class="wp-caption alignright" style="width: 222px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cecília_meireles_desenho.gif"><img
class="size-full wp-image-10329" title="cecília_meireles_desenho" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cecília_meireles_desenho.gif" alt="" width="212" height="288" /></a><p
class="wp-caption-text">Cecília Meireles</p></div><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: A minha média é de quatro, geralmente, um de poesias e os outros, romances. No momento, componho: Perigo – Poesia! E as seguintes narrativas de prosa de ficção: O Tesouro Fenício, As Marcas do Chicote, Cristo Apenas e a Flauta de Crisna.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos:</strong> Quem é Jarbas Júnior?</p><p><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: Alguém que não consegue parar de escrever! São mais de quarenta livros inéditos na gaveta e oito editados (três romances e cinco de poemas). Coisa, talvez, de psicografia, basta ter papel e caneta, e muito tempo livre, começo e não paro, vinte horas ou mais de escrita compulsiva, passo de um tema para outro, sem dificuldade alguma. Sinto-me predestinado ao mister, um escriba das duas vidas. Algo cabalístico ,misterioso, olvido problemas, entro em transe e escrevo, escrevo; quando canso, imito Balzac, bebo café e continuo. O fenômeno me deixa feliz, vivo dentro da eternidade!<br
/> <strong> </strong></p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>:Acrescente algo que julgar necessário.</p><p><strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/1562/a-jangada-de-orson-welles/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><img
class="alignleft size-full wp-image-10330" title="jarbas_junior_capa_ a jangada..." src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/jarbas_junior_capa_-a-jangada....jpg" alt="" width="200" height="201" /></a></strong><a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a>: Talvez, seja motivo de chacota, mas vou contar. Aconteceu em Salvador (BA), vinha do bairro Rio Vermelho, da casa de Jorge Amado, conta vinte anos de idade, na passarela de acesso da rodoviária ao “shoping” Iguatemy, fui abordado por uma cigana muito sensual de olhos verdes hipnóticos; leu-me a mão, dizendo que eu seria o primeiro escritor do Brasil a ganhar o mais importante prêmio literário do mundo: “seu moço, vejo no seu futuro – a mão dela na minha, tão quente e macia, causava-me certo frenesi libidinoso – eu ouvia o vaticínio dela dividido entre o ceticismo e o calor do desejo lúbrico. “Há um auditório repleto de” pessoas ricas – prosseguia revelando as imagens da sua quiromancia – você recebe um diploma junto com um cheque milionário, você sorri triunfante, saboreando o prestígio do momento – pensei que visão quixotesca, porém, a impressão mágica dela permanece comigo até agora. Oxalá, se cumpra.</p><p>* <strong>Menezes y Morais</strong> é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da <strong>Nós – Fora dos Eixos.</strong> <a
href="http://www.thesaurus.com.br/livro/1855/as-marcas-do-chicote/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><img
class="alignright size-medium wp-image-10332" title="jarbas_junior_capa_as marcas_pg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/jarbas_junior_capa_as-marcas_pg-282x300.jpg" alt="" width="282" height="300" /></a></p><p><strong>Serviço</strong></p><p>Pela Thesaurus, <a
href="http://www.thesaurus.com.br/autor/jarbas-junior-silva-motta/?affid=nosrevista_gc" target="_blank"><strong>Jarbas Júnior</strong></a> publicou</p><p>os livros <em>Navio Português, As Marchas do</em> <em>Chicote</em> (poesia),</p><p>A Jangada de Orson Welles (romance) e</p><p><em>As Pérolas de Bashô</em>.</p><p>Confira: <a
href="http://www.thesaurus.com.br/">www.thesaurus.com.br</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/29/jarbas-junior-a-escrita-como-forma-de-compulsao-da-criacao-literaria/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Afonso Ligório: ‘Verdade e Ficção Estão na Mesma Trilha da História’</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/afonso-ligorio-%e2%80%98verdade-e-ficcao-estao-na-mesma-trilha-da-historia%e2%80%99/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/afonso-ligorio-%e2%80%98verdade-e-ficcao-estao-na-mesma-trilha-da-historia%e2%80%99/#comments</comments> <pubDate>Wed, 03 Mar 2010 15:29:31 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=9610</guid> <description><![CDATA[O escritor e pesquisador, autor de Terra do Gado &#8211; A conquista da capitania na pata do boi, leva o Piauí para a Academia Brasiliense de Letras. Por: Menezes y Morais * O escritor Afonso Ligório Pires de Carvalho é o mais novo integrante da Academia Brasiliense de Letras. Jornalista, contista, professor e pesquisador piauiense, [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p><p>O escritor e pesquisador, autor de <em>Terra do Gado &#8211; A conquista da capitania na pata do boi</em>, leva o Piauí para a Academia Brasiliense de Letras.</p><div
id="attachment_9623" class="wp-caption alignright" style="width: 410px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-45.jpg"><img
class="size-full wp-image-9623" title="Posse-Ligorio-web-4" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-45.jpg" alt="" width="400" height="676" /></a><p
class="wp-caption-text">Afonso Ligório</p></div><p>Por: <strong>Menezes y Morais *</strong></p><p>O escritor Afonso Ligório Pires de Carvalho é o mais novo integrante da Academia Brasiliense de Letras. Jornalista, contista, professor e pesquisador piauiense, sua posse na ABL ocorreu dia 23 de fevereiro, na cadeira do conterrâneo H. Dobal.</p><p>Afonso Ligório, como é conhecido, em sua obra, mistura ficção, realidade e o ensaio histórico. Ele nasceu em Luzilândia (PÍ). Ficou lá dois anos, quando sua família migra para a capital, Teresina, onde viveu até a adolescência, de lá foi para Recife (PE).</p><p><strong>Pernambuco e DF</strong></p><p>“Minha família mudou de novo”. Em Recife, Ligório ingressou na vida adulta, mas uma nova viagem (Brasília) estava escrita no seu destino. Até então, gostava muito de biologia, mas, no Distrito Federal, decidiu-se pelo Direito.</p><p>“Cheguei a Brasília em 1966. No Ceub – Centro Universitário de Brasília, estudei seis semestres de biologia, correspondentes a três anos, num curso de quatro anos. Eu estava semibiológo e de repente resolvi que a minha atividade era jornalística e não de investigador da vida.”</p><p>E a Literatura? “A literatura sempre esteve presente na minha vida. Eu sempre estive ligado aos movimentos literários, embora de um modo sem escrever, eu fiz jornalzinho, participei com produção literária, mas somente em Brasília que veio acontecer”.</p><p><strong>Projeção literária</strong></p><p>A partir de então sugiram os livros. <em>Só Esta Vez</em> (1977), que ele define como “histórias passadas na minha terra, quando meninice e na adolescência. Depois escrevi o romance <em>Capitânia do Açúcar</em>”.</p><div
id="attachment_9629" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-32.jpg"><img
class="size-medium wp-image-9629" title="Posse-Ligorio-web-3" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-32-300x249.jpg" alt="" width="300" height="249" /></a><p
class="wp-caption-text">O editor Victor Alegria, na posse de Afonso Ligório.</p></div><p>Ligório já tinha alcançado projeção literária. <em>Só Esta Vez</em> foi traduzido para o inglês e o espanhol. E teve lançamento nos Estados Unidos, na Feira do Livro de Miami.</p><p>Em seguida publicou o livro de pesquisa histórica, <em>Tempos de Leônidas Melo, </em>publicado na década de 1960. “É um ensaio histórico sobre a figura do ex-governador Leônidas Melo, que governou o Piauí durante 15 anos, na época da ditadura do Estado Novo (1934-45)”.</p><p><strong>Sociologia do gado e do açúcar</strong></p><p>“Eu ainda era garoto. Depois escrevi <em>Outros Tempos</em> (1978) e o romance <em>Capitania do Açúcar</em>, sobre a formação do patriarcado rural açucareiro em Pernambuco. A partir da fundação da capitânia até a invasão holandesa são 200 anos de historia de Pernambuco”.</p><p>O pesquisador Afonso Ligório continua no livro seguinte, <em>Terra do Gado &#8211; A conquista da capitania na pata do boi</em>, que o Autor define como “ensaio histórico narrando como ocorreu a ocupação do Piauí na pata do boi”.</p><div
id="attachment_9632" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-21.jpg"><img
class="size-medium wp-image-9632" title="Posse-Ligorio-web-2" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-21-300x202.jpg" alt="" width="300" height="202" /></a><p
class="wp-caption-text">Alan Viggiano, Valdir Aquino Ximenes e  João Carlos Taveira, na posse de Ligório.</p></div><p>Ligório não faz diferença entre a ficção e realidade. “Ficção não é mentira, não é invenção, é um acréscimo provável sobre um fato real. A ficção no sentido sobre a história”.</p><p>– Não é a criação de um Robson Crusoé – acrescentou –. A história é constituída de fatos que ocorreram e o que eu faço na minha ficção é reconstruir, se possível, aquelas lacunas que se encontra na história, é uma recriação. Verdade e ficção na mesma trilha da história.</p><p><strong>H. Dobal</strong></p><p>Acadêmico, este piauiense de Luzilândia se diz orgulhoso por suceder o poeta H. Dobal, seu conterrâneo na Academia Brasiliense de Letras, cuja cadeira tem como patrono Rui Barbosa.</p><p>“Substituir H. Dobal, meu amigo de juventude, é uma honra. Nos primeiros manifestações literárias, eu comecei amizade com ele. Dobal sem dúvida é um dos maiores poetas do Piauí.”</p><div
id="attachment_9631" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-11.jpg"><img
class="size-medium wp-image-9631" title="Posse-Ligorio-web-1" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Posse-Ligorio-web-11-300x194.jpg" alt="" width="300" height="194" /></a><p
class="wp-caption-text">José Santiago Naud, Jarbas Marques, Alan Viggiano e Adirson Vasconcelos, na posse de Ligório.</p></div><p>Afonso Ligório é sócio correspondente Academia Pernambucana de Letras e sócio efetivo Academia Piauiense de Letras, além de compor a diretoria da ANE – Associação Nacional de Escritores. Também é sócio do Instituto Histórico Geográfico do DF.</p><p>* <strong>Menezes y Morais</strong> é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da <strong>Nós – Fora dos Eixos.</strong></p><p><strong>Serviço<a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/afonso-ligório_capa_terra_jpg2.jpg"><img
class="alignright size-thumbnail wp-image-9633" title="afonso ligório_capa_terra_jpg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/afonso-ligório_capa_terra_jpg2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></strong></p><p><em>Terra do Gado &#8211; A conquista da capitania na pata do boi</em> -</p><p>Afonso Ligório Pires de Carvalho – pesquisa histórica <em>sobre o Piauí. </em></p><p>Confira este e os demais livros de Afonso Ligório, editados pela  Thesaurus:<a
href="http://www.thesaurus.com.br/"> www.thesaurus.com.br</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/afonso-ligorio-%e2%80%98verdade-e-ficcao-estao-na-mesma-trilha-da-historia%e2%80%99/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Angela Delgado: ‘Inspirada no Que Me Rodeia, Registro Fatos e Sentimentos’</title><link>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/angela-delgado-%e2%80%98inspirada-no-que-me-rodeia-registro-fatos-e-sentimentos%e2%80%99/</link> <comments>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/angela-delgado-%e2%80%98inspirada-no-que-me-rodeia-registro-fatos-e-sentimentos%e2%80%99/#comments</comments> <pubDate>Wed, 03 Mar 2010 13:02:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Expediente</dc:creator> <category><![CDATA[Entrevista]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.nosrevista.com.br/?p=9605</guid> <description><![CDATA[Por: Menezes y Morais * A cronista e tradutora Ângela Delgado vivia entre filhos e livros escritos por outros autores. Mas um belo dia, ao ler uma notícia de jornal com o editor Victor Alegria, resolveu conhecer melhor os bastidores da indústria cultural daqueles que fazem da escrita o seu ofício. E depois da conversa [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<div
id="attachment_10605" class="wp-caption alignleft" style="width: 131px"><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Angêla-Delgado_escritora_3_jpg.jpg"><img
class="size-full wp-image-10605" title="Angêla Delgado_escritora_3_jpg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Angêla-Delgado_escritora_3_jpg.jpg" alt="" width="121" height="166" /></a><p
class="wp-caption-text">Ângela Delgado, escritora e leitora compulsiva.</p></div><p>Por<strong>: Menezes y Morais *</strong></p><p>A cronista e tradutora Ângela Delgado vivia entre filhos e livros escritos por outros autores. Mas um belo dia, ao ler uma notícia de jornal com o editor Victor Alegria, resolveu conhecer melhor os bastidores da indústria cultural daqueles que fazem da escrita o seu ofício.</p><p>E depois da conversa com o editor da Thesaurus, convenceu-se: “Eu também posso ser escritora.” E adotou a crônica como linguagem, publicou três livros e hoje, esta carioca de nascimento e brasiliense por opção há 39 anos, afirma, com um sorriso, que é feliz e vive entre filhos, netos e livros.</p><p>Por e-mail, Ângela Delgado afirmou que &#8220;Os livros são extensão do meu corpo e da minha alma&#8221; e concedeu esta entrevista a <strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>.</p><p><strong> </strong></p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Cronista com três livros publicados, o que os leitores podem esperar de Ângela Delgado em 2010?<a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_a-segunda_.jpg"><img
class="alignright size-full wp-image-9659" title="angela delgado_capa_a segunda_" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_a-segunda_.jpg" alt="" width="106" height="166" /></a></p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: Estou batalhando a publicação de uma tradução que fiz de um livro belíssimo &#8220;&#8216;Ópera do poeta e do Bárbaro&#8221;, cuja autoria é de um tio falecido. A edição será bilíngue, português/francês.</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Como a crônica entrou na sua vida?</p><p><strong>Angela Delgado</strong>: Gosto muito de escrever e, inspirada pelo que me rodeia, fui registrando fatos e sentimentos, aí a porta se abriu&#8230;</p><p><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_crônicas_jpg.jpg"><img
class="alignleft size-full wp-image-9660" title="angela delgado_capa_crônicas_jpg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_crônicas_jpg.jpg" alt="" width="166" height="166" /></a>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Por que você se tornou escritora?</p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: Meu irmão mais velho, que escreve muito bem e que inaugurou um blog há pouco, <a
href="http://luizottoni.wordpress.com/">http://luizottoni.wordpress.com</a>, dissera que o que eu andava escrevendo daria um livro. Quando li no jornal uma matéria sobre Victor Alegria, bati na porta da Thesaurus, onde me ensinaram o caminho do FAC. Então, a culpa é desse meu irmão e do FAC&#8230;</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Por que a crônica?</p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: Crônica (prosa) é estilo que combina mais comigo.</p><p><strong> Nós – Fora dos Eixos</strong>: Brasília, véspera do primeiro cinquetenário, tem uma identidade literária própria? Por quê?</p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: O que se escreve por aqui se resume a um somatório de sensibilidades formadas nos diversos &#8220;Brasis&#8221;. Mesmo porque são poucos os que ficam acantonados o tempo todo aqui ou acolá.</p><p><strong></p><div
id="attachment_10606" class="wp-caption alignleft" style="width: 178px"><strong><a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/victor_alegria_.jpeg"><img
class="size-medium wp-image-10606" title="victor_alegria_" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/victor_alegria_-168x300.jpg" alt="" width="168" height="300" /></a></strong><p
class="wp-caption-text">Victor Alegria, editor de Ângela Delgado.</p></div><p>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Quem é Ângela Delgado?<a
href="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_ephemeris_jpg.jpg"><img
class="alignright size-full wp-image-9661" title="angela delgado_capa_ephemeris_jpg" src="http://www.nosrevista.com.br/wp-content/uploads/2010/03/angela-delgado_capa_ephemeris_jpg.jpg" alt="" width="86" height="166" /></a></p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: É a quarta filha entre dez irmãos, carioca, feliz, radicada em Brasília há quase quarenta anos, tradutora da língua francesa, que antes vivia entre filhos e livros e agora entre estes e netos. Além de ler, gosta muito de música. É do tempo em que a mulher, ao se casar, se dedicava ao marido, à casa e aos filhos e assim o fez, mas, tendo sempre um livro por perto.</p><p><strong> Nós – Fora dos Eixos</strong>: Acrescente algo que julgar necessário.</p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: Você vai gostar dos meus livros:</p><p><strong>Nós – Fora dos Eixos</strong>: Fale um pouco dos seus livros.</p><p><strong>Ângela Delgado</strong>: Do primogênito, <em>Idade do Nunca</em>, que, como disse Alexandra Rodrigues, é um roteiro de viagem pelo continente da vida; <em>De Crônicas &amp; Sabores,</em> onde encontrará receitas e dará risadas deliciosas e, fechando a trilogia, do caçula <em>A Segunda se fez Quarta</em>, cujo título fez com que um dos meus netos perguntasse se eu começara a escrevê-lo na segunda e o terminara na quarta.</p><p>* <strong>Menezes y Morais</strong> é jornalista, escritor, professor, historiador e  Editor da <strong>Nós – Fora dos Eixos.</strong></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.nosrevista.com.br/2010/03/03/angela-delgado-%e2%80%98inspirada-no-que-me-rodeia-registro-fatos-e-sentimentos%e2%80%99/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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