Organizando uma livraria

Esse video feito por dois livreiros de Toronto no Canada. É incrível. Vale assitir.

Imagem de Amostra do You Tube

Apologia de Brasília

Por Gilberto Freyre

José Adirson de Vasconcelos escreveu sobre Brasília um livro liricamente apologético. Quase um poema em prosa.

Brasileiro de Pernambuco (… cearense) integrado em Brasília, nele há alguma coisa daqueles “cantadores” do Nordeste cuja espontaneidade e cujo talento de improvisação vêem exaltados numa das páginas do seu “Julgamento de Brasília”. Sua atitude em face de Brasília é a do lírico, a do cantador, a do trovador que louva a bem amada.

De modo que o título do livro parece a alguns de nós inexato: apologia é o que ele é. Louvação. Exaltação. Nunca um julgamento. Nem julgamento nem análise: apologia.
Apologia que Brasília merece da parte dos jovens que, vindo de diferentes partes do Brasil, estão encontrando na nova Capital da República uma espécie de “happy end” para a sua busca romântica de uma cidade sem os defeitos das antigas. Nova. Novíssima. Com os seus próprios defeitos ao lado das suas próprias virtudes. Condição que Brasília realiza: seus principais defeitos são especificamente seus. Suas principais virtudes também são peculiarmente suas.

Capa do livro "Conheça Brasília lendo Adirson Vasoncelos"

José Adirson de Vasconcelos exalta essas virtudes. E o faz com a sinceridade de quem ligou a mocidade à Brasília como a uma dama que o acolhesse com o seu melhor amor.
Conheci, mais de perto em Brasília, esse admirável José Adirson de Vasconcelos. Ele não é em pessoa senão a confirmação do que é como autor de livro: um constante apologista de Brasília.

Levou-nos, a mim e a minha mulher, a ver meia-Brasília, como quem nos revelasse aspectos de uma cidade ideal. E confesso que quando nos fez visitar uma das escolas primárias da nova Capital brasileira senti-me verdadeiramente numa cidade ideal. Nunca me esquecerei da manhã que passamos nessa escola encantadora: tão de Brasília, tão dos Brasis, tão do Brasil. Nem da escola nem de José Adirson Vasconcelos, espectador do meu encantamento diante da escola a que nos conduzira. Era como se dissesse o tempo todo: “Veja que não exagero quando exalto Brasília”. Naquele particular, não exagerava. Escolas de Brasília como aquela fazem que até os pessimistas confiem em Brasília: no seu futuro.
O seu destino de cidadão de Brasília, é o de viver Brasília amorosamente, liricamente, voltado intensamente para o futuro da cidade.

Pela voz desse livro falam muitas vozes de jovens brasileiros de diferentes origens, agora cidadãos de Brasília. É bom que eles sejam, como José Adirson de Vasconcelos, entusiastas, amorosos, quase fanáticos, da sua cidade ideal. E saibam mostrar aos visitantes de Brasília as escolas primárias: as encantadoras escolas primárias de Brasília. Aquelas escolas em que Brasília está se formando para dar exemplos da ética e da arte da cidadania às demais cidades do Brasil.

Gilberto Freyre é  sociólogo, nome brasileiro de projeção internacional, escreveu este Prefácio em 1966. Adirson Vasconcelos considera-se um seguidor do mestre Dr. Gilberto, a exemplo do que ocorre com muitas outras personalidades brasileiras, entre as quais o senador Marco Maciel e o ministro Marcos Vinicios Vilaça, este atual presidente da Academia Brasileira de Letras.

Consulte os nomes que fizeram e fazem a história de Brasília no site: www.adirsonvasconcelos.com.br

Livro sobre a Caixa de Pandora e outras tratantadas da política brasiliense

Pandora

Capa do livro "Pandora" de Ricardo Callado

Os seis meses que antecederam a deflagração da Operação Caixa de Pandora são o ponto de partida deste livro, que bem retrata o atual momento político da Capital do País. O jornalista Ricardo Callado, com quem tenho a grata satisfação de trabalhar, relata as entrelinhas dos acontecimentos que culminaram no maior escândalo político vivido em Brasília, seus personagens, os conchavos, as intrigas, as chantagens, a briga pelo poder, os acontecimentos que não apareceram nas matérias jornalísticas e as consequências para a cidade, como o revezamento de governadores no Distrito Federal, chegando a quatro em 2010.

Com uma linguagem simples e envolvente, Ricardo Callado coloca o leitor em alguns cenários sombrios, onde foram arquitetados o plano de derrubada do governador José Roberto Arruda e a briga pelo comando do Palácio do Buriti. Também relata episódios como o do jantar oferecido pelo ex-governador Joaquim Roriz na véspera de ser “aberta” a Caixa de Pandora.

O livro expõe, ainda, as ligações perigosas entre os principais personagens do escândalo, as negociações nada republicanas, as trapalhadas dos políticos, os erros cometidos pelo grupo que tentou tomar de assalto o GDF e a loucura de alguns que chegaram a defender a intervenção federal no Distrito Federal.

A leitura também serve de reflexão para se chegar às verdadeiras intenções do operador e delator do esquema, Durval Barbosa, e a quem ele estaria servindo. Por fim, mostra o cenário de terra arrasada na economia e na política, os bastidores das Eleições de 2010, e o retorno do Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Buriti, com a vitória do governador Agnelo Queiroz.

O jornalista Ricardo Callado presenciou alguns destes acontecimentos e retratou as entrelinhas em seus artigos no Jornal da Comunidade e em seu blog. Trata-se de um registro histórico da política de Brasília e serve de alerta para que fatos como os que seguem aqui relatados não caiam simplesmente no esquecimento e venham a se repetir na Capital da República.

Por Ronaldo Junqueira do prefácio do livro:  Pandora e outros fatos que abalaram a política de Brasília”.


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Cega, surda e ignorante

 Por Eugênio Giovenardi


Não consegui, no Google, números estatísticos sobre cegueira, surdez e ignorância de brasileiras e brasileiros, mais especificamente, da espécie brasiliense. Tenho me guiado, ultimamente, pelo óbvio evidente e ululante. Posso afirmar que o número é magno. Há milhares, se não milhões, de brasileiras e brasileiros cegos, surdos e ignorantes. Cegos ou analfabetos. Surdos ou mentalmente incapazes. Ignorantes ou espertos atentos às vantagens imediatas.

Para não cansar um possível leitor com estas considerações, restrinjo-me à atitude da espécie brasiliense (homo cerratensis) com relação ao lixo depositado nos contêineres espalhados pelas Superquadras do Plano Piloto, bairros circunvizinhos ou simplesmente jogado à beira das rodovias.

Estou em frente aos dois contêineres do Bloco T da SQS 406. Um se destina ao lixo orgânico para ser transformado em adubo. Mas o que vejo, ali, é mistura de roupa, plásticos, restos de comida, cacos de vidro, e objetos invisíveis dentro de sacos pretos ou azuis. O outro é para o denominado lixo seco. Ali, o absurdo é impressionante. Empilhados, estão isopores que envolviam eletrodomésticos, caixas de papelão, garrafas de vidro, garrafas plásticas, latas, jornais e revistas, partes de mobília, cacos de cerâmica, baldes rotos e, para completar, restos de comida.

Entre os pouco mais de 70 moradores do Bloco T há bancários, oficiais de justiça, engenheiros, professores. Quase todos os carros que servem aos moradores são novíssimos, asiáticos ou franceses. O descaso, a indiferença, a displicência da atitude dos moradores diante dos efeitos do lixo sobre o belo e frágil bioma cerrado, misturado nos contêineres e ao longo das rodovias, só podem ter um atenuante: ausência total de informação, de leis, de avisos e de consciência ambiental. A desculpa, com certeza, recai sobre as diaristas, faxineiras e empregadas domésticas. Quem as orienta? A espécie brasiliense atingiu a marca de dois milhões e seiscentos mil habitantes com direito a produzir o mesmo volume em quilos de lixo por dia.

Ao ver a confusão e a mistura de lixo nos contêineres e ao longo das rodovias, obrigo-me a concluir que a espécie brasiliense, em número alarmante, está atacada de cegueira, surdez e ignorância. Incluo, nesse número, os administradores de uma dezena de órgãos públicos criados para orientar, fiscalizar, controlar, impedir e sancionar os criminosos ambientais.

A alternativa é, com extrema urgência, curar a cegueira, a surdez e a ignorância da espécie brasiliense.
Eugênio Giovernardi é

Bancos apossam-se da Europa

Por Adriano Benayon* – 13.12.2011

A oligarquia financeira está empurrando, goela abaixo da União Européia (UE), um “acordo” que estabelece regras rígidas para que a Europa seja governada (ou desgovernada), de forma absoluta, por bancos, liderados pelo Goldman Sachs, de Nova York.

2. Embora as modificações desse acordo aos Tratados da UE dependam  de aprovação legal em cada país membro -  processo que poderia durar anos – os manipuladores financeiros assumiram o poder na marra e irão em frente, a menos que o impeça a resistência dos povos, ainda sem organização.

3. Com a experiência da pequena Islândia, em duas consultas ao povo, a última em abril de 2011, os predadores perceberam que qualquer outra, em qualquer país, implica a derrota de suas proposições. Bastou o ex-primeiro-ministro da Grécia falar em referendo  para ser demitido.

4. Mesmo antes de 09.12.2011 – quando foi encenada “reunião de cúpula”, e Sarkozy (França) e Angela Merkel (Alemanha) anunciaram o tal “acordo” -  o Goldman Sachs (GS) já havia posto três de seus prepostos em posições-chave: Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, primeiro-ministro da Itália; Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia, envolvido em operações do Goldman Sachs com a dívida grega resultantes em sua elevação.

5. Os países da Zona Euro (os 17 membros da UE cuja moeda é o euro) serão obrigados a aceitar o “acordo”. Sarkozy e Merkel dizem que os dirigentes dos outros 15 países foram consultados, mera formalidade. Nove outros Estados participam da União Europeia, mas não adotam o euro: Reino Unido e Dinamarca (isentos), e mais sete que poderiam ainda aderir à Zona.

6. Aqueles portavozes apresentaram o pacote envolto neste rótulo: “salvar o euro”; “reforçar e harmonizar” a integração fiscal e orçamentária da Europa. Na realidade, trata-se de destruir a Europa econômica e politicamente, sem garantir a sobrevida do euro, além de aprofundar a depressão, com o arrasamento das políticas de bem-estar social, instituindo uma espécie de “lei de responsabilidade fiscal”, como a que manieta o Brasil.

7. O “acordo” impõe duras sanções aos países que não o cumpram, ademais de ser  fiscalizados pelo Tribunal Europeu de Justiça. Os Chefes de Estado e de governo passam a reunir-se mensalmente durante a crise. Com isso, reduz-se o poder dos burocratas da Comissão Europeia, mas essa mudança nada altera, dado que estes também executam fielmente os desejos oligarquia anglo-americana.

8. Sarkozy é cópia piorada de Mussolini, pois este pôs os bancos sob  controle do Estado – e não o contrário, como se faz agora com a Europa, EUA etc. Submisso às diretivas da oligarquia financeira, o presidente da França declara que os benefícios sociais não são sustentáveis, na hora em que eles são mais necessários que nunca, dado o desemprego grassante.

9. O pacote quer obrigar, punindo os que não o cumpram, que os países da Zona Euro reduzam seus déficits orçamentários para 0,5% do PIB, ou seja, seis vezes menos que o limite de 3%, prescrito no Tratado de Maastricht.

10. Isso significa que Grécia, Itália, Espanha, Portugal e outros terão de cortar ainda mais despesas, depois de já as terem cortado, fazendo, assim, a depressão aprofundar-se. A depressão já causou queda nas receitas fiscais. Combinada a queda das receitas fiscais com o crescimento do serviço da dívida pública, decorrente da alta das taxas de juros, temos, juntos, dois fatores de elevação do déficit orçamentário.

11. Que fazer? Cortar toda despesa que não as da dívida, desmantelando as políticas sociais e deixando de investir na infra-estrutura econômica e na social.  Isso trará, entre outros danos irreparáveis, o aumento da disparidade entre membros mais e menos desenvolvidos, inviabilizando a permanência destes na Zona Euro, o que implica sua desintegração.

12.  A periferia europeia está, pois, ingressando no Terceiro Mundo, caminho aberto também ao restante da Europa, já que acaba de lhe ser prescrita a receita usual do FMI, a qual ajudou a manter o Brasil e outros no subdesenvolvimento.

13. A dupla franco-alemã infla seus egos brincando de diretório europeu, mas Merkel, obedecendo aos bancos alemães, rejeitou a possibilidade de o  Banco Central Europeu (BCE) emitir títulos para substituir os dos países devedores. Os bancos querem continuar emprestando aos governos, para faturar os juros.

14. Essa rejeição deve levar ao fim do euro, se este já não está perto do fim mesmo sem ela. Traz consequências danosas para a própria Alemanha e para a França, pois obriga os devedores mais problemáticos a continuar pagando taxas de juros demasiado elevadas nos seus títulos.

15. Isso promove crise ainda maior de suas dívidas, com o que credores – bancos alemães, franceses e norte-americanos -  chegarão mais rápido ao colapso. Mostra-se, portanto, quimérica outra pretensão do “acordo”: a de enquadrar os países no limite de 60% do PIB para suas dívidas.

16. Não é para a União Europeia que os países europeus  estão perdendo a soberania.  É em favor da oligarquia financeira que renunciam formalmente, através de atos irresponsáveis de seus chefes de governo.

 

17. A perda de soberania não se restringe às regras draconianas citadas, por si sós conducentes à ruína financeira e econômica. Inclui também que os países devedores liquidem – a preço de salvados do incêndio – inalienáveis patrimônios do Estado, como já foi determinado à Grécia e a outros. É a privatização, objeto das mais colossais corrupções vistas na história do Brasil.

 

18. Os analistas ligados ao sistema de poder atribuem a crise dos países europeus mais pobres a terem estes gastado acima de suas possibilidades, e mesmo economistas mais sérios oferecem explicações para a débâcle europeia que omitem sua causa principal.

 

19. Essa causa é a depressão econômica mundial, resultante do colapso financeiro armado pela finança oligárquica centrada em Nova York e Londres. Ele eclodiu em 2007, iniciando a depressão que se desenha como a mais profunda e longa da História, se não for interrompida pela terceira guerra mundial, planejada pelo complexo financeiro-militar dos EUA.

20. Martin Feldstein, professor de Harvard, aponta diferenças institucionais e nas políticas monetária e fiscal entre os EUA e a UE. Ele e muitos, como Delfim Neto, atribuem grande importância à taxa de câmbio. Argumentam que os europeus em crise não têm como desvalorizar a moeda para se tornarem mais competitivos, uma vez que adotaram o euro.

21. Robert Solow, prêmio Nobel, salienta que a UE transfere recursos de pequena monta aos membros menos avançados, pois o orçamento unificado da UE equivale a só 1% de seu PIB. Já nos EUA o governo federal fez vultosas transferências de recursos aos Estados e para regiões críticas.

22. Ainda assim, Itália, Espanha, Grécia, Portugal suportaram a situação até surgir a depressão mundial.  Tendo exportações de menor conteúdo tecnológico que Alemanha, Holanda, França, e dependendo do turismo, foram duramente atingidos até pela queda da produção e do emprego nos países ditos ricos, inclusive extra-continentais, como EUA e Japão.

23. A depressão, por sua vez, adveio das bandalheiras financeiras geradas a partir de Wall Street e bases off-shore, sem regulamentação, atuantes no esquema da City de Londres, desembocando no colapso financeiro que eclodiu em 2007 e se direciona para novo estágio, mais destrutivo.

24. Os europeus envolveram-se na onda dos derivativos, quando bancos suíços e alemães adquiriram alguns bancos de investimento de Wall Street. Mesmo assim, os bancos dos EUA estão tão ou mais encalacrados que os europeus nos títulos podres resultantes da abusiva criação dos derivativos.

25. Ademais, Grécia, Espanha, Itália e outros foram enrolados pela engenharia financeira de Wall Street, Goldman Sachs à frente, que lesou investidores, camuflando os riscos, além de proporcionar créditos àqueles países, ao mesmo tempo em que fazia hedge, jogando contra seus devedores, com o resultado de elevar os juros das dívidas.

26. O assaltante está tendo por prêmio ficar com a casa do assaltado. Mas, antes da ocupação dos governos pelos bancos, agora ostensiva, as pretensas democracias ocidentais já não tinham autonomia, mesmo com parlamentos eleitos escolhendo o primeiro-ministro.

27. Como os principais partidos políticos são controlados pela oligarquia financeira – na Europa, nos EUA etc. – e se diferenciam apenas por ideologias pró-forma, acomodáveis a qualquer prática, pode-se dizer que a escolha eleitoral se limita à marca do azeite com o qual os eleitores serão fritados.

28.  O “acordo” agora imposto à Europa surge como culminação de uma guerra financeira que completa o trabalho realizado nas duas primeiras Guerras Mundiais. Estas destruíram a Alemanha e a França como grandes potências. O império anglo-americano só não conseguira retirar esse “status” da Rússia, mas o logrou, ao final da Guerra Fria (1989), conquanto a  Rússia busque agora recuperá-lo.

29. Para que a Europa não afunde, terá de tomar rumo radicalmente diferente daquele em que foi colocada e no qual segue em aceleração impulsionada pelo  “acordo” a ser celebrado, a pretexto de salvar a moeda única.

30. O General De Gaulle, nos anos 60, insurgiu-se contra o privilégio dos EUA, de cobrir seus enormes déficits externos, simplesmente emitindo dólares, e exigiu a conversão para o ouro das reservas da França. Profeticamente advertiu que a entrada da Inglaterra na UE seria uma operação “cavalo de Troia”.

31. Hoje o dólar continua sendo sustentado pela condição de divisa internacional, instituída em 1944 (acordos de Bretton Woods), e mais ainda pelo poder militar.  Os EUA forçam, por exemplo, que  seja liquidado em dólares o petróleo comerciado entre terceiros países.

32. Percebe-se o móvel de desviar para a Europa o foco da crise econômica e financeira, que deveria estar nos EUA e do Reino Unido. Ele foi posto na Eurolândia, através de jogadas dos bancos de Wall Street com suas subsidiárias baseadas no grande paraíso fiscal que é a City de Londres.

33. Os mercados financeiros parecem teatro do absurdo. Se não, como explicar que os títulos de longo prazo norte-americanos paguem juros de menos de 2% aa., enquanto os da Itália, de dois anos de prazo, subiram para 8% aa.? E como explicar que a cotação do risco de crédito da Alemanha e da França esteja sendo rebaixada, enquanto isso não se dá com os títulos norte-americanos?

34. Deveria ser o contrário, pois: 1) as emissões de dólares em moeda  e em títulos públicos são muito maiores que as de euros; 2) a dívida pública dos EUA atinge 120% do PIB (muito mais que os países da Zona Euro), e seria muitíssimo maior sem as enormes compras de títulos do Tesouro dos EUA pelo FED e as emissões desbragadas do FED; 3) o déficit orçamentário dos EUA supera 10% do PIB, enquanto a média europeia é 4%. 4) o déficit nas transações com o exterior dos EUA, em 2010, correspondeu a 3,9% do PIB, enquanto a Alemanha teve superávit de 5,7% do PIB, e os déficits da França e da Itália foram 2% e 3% do PIB.

35. Não bastasse, os grandes bancos americanos têm vultosas  carteiras de títulos podres (sobre tudo derivativos), mesmo depois de grande parte deles ter sido comprada pelo FED e por agências do governo dos EUA, em operações caracterizadas por grau incrível de corrupção.

36. Como aponta o Prof. Michael Hudson, um quarto dos imóveis nos EUA vale menos que suas hipotecas. Cidades e Estados estão em insolvência, grandes companhias falindo, fundos de pensão com pagamentos atrasados.

37. A economia britânica também cambaleia, mas os títulos governamentais pagam juros de só 2% aa., enquanto os membros da Zona Euro enfrentam juros acima de 7% aa, porque não têm a opção “pública” de criar dinheiro.

38. O artigo 123 do Tratado de Lisboa proíbe o BCE fazer o que os bancos centrais devem fazer: criar dinheiro para financiar déficits do orçamento público e rolar as dívidas do governo.  Tampouco o pode o banco central alemão, por força da Constituição da Alemanha (país ocupado).

39. Conclui Hudson: “se o euro quebrar será porque os governos da UE pagam juros aos banqueiros, em vez de se financiar através de seus próprios bancos centrais.”  Dois poderes caracterizam o Estado-Nação: criar dinheiro e governar a política fiscal. O primeiro já não existia para os europeus, e o segundo está sendo cassado com o presente “acordo”.

Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento”  a venda no site da Thesaurus Editora – abenayon.df@gmail.com