Turiba Comemora 60 Anos com Recital no Projeto MúsicaPoética
Por: Anand Rao *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos.
O poeta Luis Turiba, 60 anos, começou a escrever poesia em 1977, quando publicou no Rio de Janeiro o livreto Kiprokó.
Ele confessa que tem como principal influencia direta nos seus trabalhos os poetas Chacal, os modernistas Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, o concreto Augusto de Campos.
Influências
Cita ainda como influência os músicos Chico Buarque de Hollanda e Caetano Veloso, e o poeta pantaneiro Manoel de Barros.
Turiba, como é mais conhecido, publicou os seguintes livros de poesia:
Clube do Ócio, em 1982, em Brasília; Cadê?, em 1998; e Bala, em 2005, pela editora de Salvador P555.
Além de ter editado, com outros companheiros, a revista Bric-a-Brac, de 1985 a 1992, tem dois livros no prelo: o infantil Luisa Lulusa, A atriz Principal; e MeiaOito, pela Coleção OIPOEMA.
Anand Rao (www.anandraobr.com) é o organizador e criador do projeto MúsicaPoética, que visa a musicar na hora no palco na frente de todos os poemas declamados pelo poeta convidado e pela platéia.
Nesta entrevista, Turiba fala sobre cultura, poesia, músicapoética, enfim, vale a pena conferir.
Anand Rao: Turiba, qual a sensação de participar do MúsicaPoética, um projeto onde seus poemas serão musicados no palco logo após serem declamados?
Turiba – Sei lá, tudo ainda vai acontecer, mas as perspectivas são as melhores possíveis. Considero Anand Rao um criador incrível. Temos umas duas canções em parceria e acho vamos fazer umas outras tantas. Estou ansioso por este novo capítulo poético em minha vida. Gosto muito desse desafio. Vamos lá…..
Anand Rao: O que acha deste processo de composição do compositor Anand Rao, essa loucura de desmistificar o processo e compor no palco na frente de todos?
Turiba – Como já disse, estou curiosíssimo para ver como funciona. Do Anand Rao podemos esperar quase tudo e tenho certeza que sairão coisas incríveis. Da minha parte, vou procurar facilitar ao máximo o trabalho musical dele, pois meus versos naturalmente já nascem com um DNA musical, repleto de quebradas interessantes. Como o Anand é uma espécie de trovador cibernético, o choque transcriativo será multifacetário e desta árvore poéticamusical os frutos nascerão maduros e doremifá fá fá…..
Anand Rao: Como você vê a literatura, especificamente a poesia, no Brasil hoje, há poetas de qualidade, a poesia é respeitada, há espaço na mídia para difusão da poesia, enfim, dê sua visão?
Turiba – A poesia é irmã rebelde e marginal da literatura. Sempre foi. Poesia não tem nada a ver com dados mercadológicos. Poesia é invenção, transcendência, susto, ou como disse recentemente o Ferreira Gullar: poesia é espanto! Nós, os poetas marginais, já estamos velhos. Alguns se consolidaram, outros não. Alguns encontraram seus caminhos, outros estão no descaminho. Enfim, daqui a pouco nos vamos ver o Chacal e o Nicolas Behr na Academia Brasileira de Letras, É inevitável. Mas o bom mesmo é fazer versos……
Anand Rao: O que pretendes apresentar no show que fará com Anand Rao?
Turiba – Poemas de meus dois novos livros: o infantil Luisa Lulusa…, que é bastante musical e quem sabe nasce um opera infantil do nosso encontro; e também poemas do livro maior que é o MeiaOito, escrito graças a Bolsa Funarte de Literatura, que ganhei em 2007. Será um encontro maravilhoso, garanto….
Anand Rao: O que achas de artistas que possuindo outros empregos se apresentam de graça, sem a cobrança de couvert, muitas vezes deixando desempregados artistas que vivem de arte. Anand Rao disse que não se apresenta de forma nenhuma gratuitamente, pois, respeita quem vive de arte. Que achas disso?
Turiba – Respeito extremamente quem vive de arte e penso que ao dizer versos em público estamos trabalhando e devemos receber por isso. Tenho um grupo, o OIPOEMA, que sempre recebe algum cachê quando se apresenta na Barca Poética. Mas às vezes a gente dá a chamada canja. Eu, por exemplo, adoro tocar cuíca em mesas de pagode e toca onde der e for possível sem cobrar nada. Então, sou a favor, mas não tão radical assim….
Anand Rao: E Brasília e a poesia depois destes escândalos políticos. Há poesia em Brasília, há espaço para a poesia, quais são os espaços, a mídia divulga a poesia?
Turiba – Sim, poesia vai estar presente nos 50 anos de Brasília e na resistência contra a corrupção. Há muitos caçadores de fantasmas e patrulheiros ideológicos soltos por aí, mas a poesia está acima de tudo isso.
A mídia divulga poesia sim. O próprio Correio Braziliense tem dado espaços generosos para esse tipo de trabalho. Domingo passado a poeta Eudoro Augusto, da minha geração e do grupo do Chacal, ocupou uma página inteira com uma belíssima reflexão sobre Poesia.
Na semana passada, o próprio CB publicou um indignado poema meu que falo sobre o quadro político do DF
Anand Rao: E as novidades para este ano, algum livro no prelo, quais as ações para este ano?
Turiba – Sim; um infantil em homenagem a Luisa Lambach, minha filha de 11 anos, que tem como título LUISA LULUSA, A ATRIZ PRINCIPAL. Um livro que escrevi desde o momento em que ela foi anunciada até completar três anos com a nascimento da mana Manuela, a Manu.
É um livro pro vovô, pra vovó, pro papai e pra mamãe; pros filhos e filhas, pros netos e netas e até pros bisnetos e bisnetas. Quem ler, de qualquer idade, vai entender e curtir, pois é uma declaração de amor às crianças por intermédio de Luisa.
Tem o ‘MEIAOITO” que talvez venha a ser o meu livro mais maduro. Há nele poemas longos, divididos em capítulos. O “MEIAOITO” mesmo é um poema de 15 páginas, em forma de roteiro de tudo o que aconteceu na mente e no coração de um jovem carioca na rebelião estudantil de 68. Tudo termina em um 69, pode?
Anand Rao :Alguma coisa ficou pendente que gostarias de colocar nesta entrevista?
Turiba – Não, só quero agradecer ao meu parceiro Anand Rao pela aventura que vamos viver no próximo dia 11. Afinal, dois dia depois entro no Clube dos Sexagenários e tenho que aproveitar muito bem esse embalo.
* Anand Rao é jornalista, escritor, cantor e compositor.
Serviço
O que: Nesta quinta, 11 de março, 21h, Café com Letras, 203 Sul, Brasília (DF), o poeta Luis Turiba se apresenta ao lado de Anand Rao no Projeto MúsicaPoética.
Quanto: couvert a R$ 10, 00.
Anand Rao Produções
Mulher: Voz da Cidadania
Por: Gustavo Dourado *
Mulher, trabalho, sonhos:
Despertar da consciência…
Luzes, parto, dores, arte:
Divindade da excelência…
Luminar da natureza:
Sua voz é transcendência…
Mulher que brota a família:
Gera o homem, humanidade…
Gere o lar, flui a virtude:
Dá amor, planta saudade…
Mulher é flor do infinito:
Que germina a eternidade…
Nas lutas do dia a dia:
Mulher na linha de frente…
Operária, camponesa:
Servidora sapiente…
A mulher nos ilumina:
Do Oriente ao Ocidente…
A mulher conquista o mundo:
É voz da cidadania…´
Eco da revolução:
Com amor e poesia…
Todo louvor à mulher:
A flor da sabedoria….
Gustavo Dourado
Anita Malfatti
Por: Redação
Comunidade cultural do DF pode ver a exposição comemorativa dos 120 anos de nascimento de Anita Malfatti até 25 abril
A mostra celebra uma das mais consagradas artistas brasileiras da história: Anita Malfatti. A curadoria é de Luzia Portinari Greggio,
A exposição conta com cerca de 120 obras entre trabalhos a óleo, desenhos, pastéis e aquarelas, abrangendo todas as técnicas utilizadas pela artista, ao longo de sua vida e contemplando as várias fases da trajetória de sua vida.
O que o público confere nesta exposição são obras que, de certa forma, relatam e ilustram a história das artes plásticas no país, do final do século XIX até meados do século XX.
Serviço
Data: até 25 de abril.
Visitação: terça a domingo, das 9h às 21h.
Local: Galeria 1 | SCES, Trecho 2, lote 22, Brasília (DF).
Agendamento de visitas monitoradas: segunda a sexta, das 8h às 18h. Telefone: (61) 3310.7480 e 3310.7420.
Recepção/Informações: terça a domingo, das 9h às 21h. Telefone: (61) 3310.7087.
Entrada Franca. Classificação: Livre.
Ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural, de terça a domingo, das 11h às 23h, saindo do Teatro Nacional Cláudio Santoro às 11h.
Influenciados pelo Folclore e o Cotidiano Urbano
A exposição Os Gêmeos – Vertigem Fica Aberta no Centro Cultural do Banco do Brasil até o dia 16 Maio.
Por: Redação
Com curadoria de Gustavo Pandolfo e Otavio Pandolfo, a dupla apresenta telas e obras interativas que brincam com os sentidos visuais, auditivos e táteis dos visitantes.
Trata-se de um painel do cenário da arte contemporânea, com personagens influenciados pelo folclore ou o cotidiano urbano brasileiro, além de objetos sonoros agrupados em uma parede que podem ser manipulados pelos espectadores.
Serviço
Data: até 16 de maio.
Visitação: terça a domingo, das 09h às 21h
Local: Pavilhão de Vidro | SCES, Trecho 2, lote 22
Agendamento de visitas monitoradas: Segunda a sexta, das 8h às 18h | Telefone: (61) 3310-7480 e 3310.7420.
Recepção/Informações: terça a domingo, das 9h às 21h. Telefone: (61) 3310.7087.
Entrada Franca. Classificação: Livre.
Sobreviventes
Por Orlando Muniz *
Quando vejo os relatos dramáticos daqueles que conseguiram escapar da morte quase certa, arrebatados por ondas gigantes de um tisunami ou de um grande terremoto, começo a imaginar como deve ter sido terrível a sensação de viver um momento que poderia ter sido o último da vida.
Nada mais do que isso, só uma fotografia congelada de sentimentos turvos e lembranças que percorrem a janela de uma vida em segundos e se reproduzem na velocidade do raio. Tudo é incerteza quando o medo e o pavor são as únicas companhias.
Ouvindo os sobreviventes com um pouco mais de atenção e mais vagar, percebo que mesmo havendo um espaço para lágrimas e ansiedades, lá no fundo, o que brota é uma energia impressionante de quem passou com louvor por mais uma etapa de vida.
Não há nada que possa ser comparado ao momento de uma certeza que tudo aquilo, por mais terrível que tenha sido, fará parte de um passado e não irá voltar.
A face bela de qualquer história de sobrevida em catástrofes — ou mesmo nos ataques fulminantes de perda de consciência — é a constatação, pela forma mais dura, de como viver é algo maravilhoso sem qualquer reparo ou emenda.
Viver, viver… viver! Tem algo mais fantástico do que acordar para a vida após um pesadelo amplo e cheio de amarras? Com certeza não tem, e não há quem não se confraternize com a própria sorte ante a certeza de que aquilo era somente um pesadelo.
Espero que aqueles que sobreviveram das profundezas de uma grande onda ou dos escombros do grande terremoto possam colocar todas as suas forças em favor do consolo àqueles que não tiveram a mesma sorte e perderam pessoas queridas nessa tragédia.
Que a força de suas almas possa servir de alento aos que não acordarão desse longo pesadelo.
* Orlando Muniz é cronista e contista. Nasceu em 1959, em Eirunepé, na foz do Rio Juruá, no Amazonas. Filho de Benedito e Maria. Formou-se em Direito na Universidade Federal do Maranhão. Advogado, procurador federal, é autor dos livros Armazém Brasil (crônicas urbanas), publicado em 2006, e de Máscara das Palavras (contos), lançado em 2009, ambos pela Thesaurus.
Serviço
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