Ana Toscano lança livro de viagem sobre a Provence com roteiro democrático e que foge ao lugar-comum

Ana Toscano, chef de cousine e escritora.

Fonte: www.querocomer.com.br Por Naiobe Quelem

A primeira viagem que Ana Toscano (foto ao lado), chef do Villa Borghese, fez à Provence foi por meio dos relatos de Peter Mayle, ainda no início da década de 1990. Mas, muito antes do ex-publicitário e escritor inglês se mudar para o sudeste da França e descrever seus encantamentos sobre essa região em Um ano na Provence, ela tinha certeza de que também passaria uma temporada por lá.

Nada tão prolongado nem tão corrido. Um período certamente mais modesto, mas que lhe permitiria viver o lugar com a calma que ele pede: com endereço fixo, tempo para percorrer seus arredores e revisitá-los, para interagir com os moradores e trocar receitas, para cozinhar, conhecer restaurantes (não apenas os com estrelas Michelin) ou ir às várias feiras ― uma a cada dia da semana, em diferentes vilarejos e cidades.

“Tenho uma lista de sonhos que vivem se insinuando para mim. O desejo de conhecer a Provence vinha desde a adolescência. Neste momento, foi possível realizá-lo. Mas em outras épocas, era inviável. Para passar um período em outro lugar é preciso que vários fatores estejam em acordo. É necessário, sobretudo, planejamento”, avalia Ana, que ficou dois meses deste ano na região, de maio ao fim de junho.

Essa saborosa experiência está registrada no livro Férias na Provence ― Você Pode!, que será lançado pela Thesaurus Editora nesta segunda-feira (05/12), na Escola de Gastronomia de Brasília. O título, que custa R$ 40, poderá ser adquirido a R$ 28, na pré-venda realizada pelo Querocomer com Desconto. Mais que um roteiro de viagem, a autora convida os leitores a revisitar os seus sonhos e a trabalhar para que eles aconteçam. “Isso é uma obrigação do ser humano, independentemente do tamanho do que se almeja”, defende.

Férias na Provence“O Férias na Provence foi uma conseqüência. Não saí daqui para escrevê-lo. Quando estava no fim dos preparativos para a viagem, o Victor Alegria (da Thesaurus) me disse: ― Isso dá um livro! Na hora, eu me lembrei que várias pessoas, quando ficavam sabendo do meu projeto, diziam: ― Ah, mas você pode, né? Então, pensei imediatamente em um livro que pudesse democratizar a Provence e mostrar que é possível viajar para lá. Bastar se programar”, garante Ana.

Ela não foi só. Viajou com o marido e um casal de amigos, que os acompanharam pelo primeiro mês. Chegaram na primavera ― época em que o clima melhora, os dias ficam mais quentes, e os festivais, feiras e a vida nas cidades se tornam mais intensos. É também quando as cerejeiras se vestem de flores brancas para dar seus primeiros frutos logo no início do verão, no fim de junho.

A base foi escolhida estrategicamente: uma casa medieval, localizada em uma região central, entre Avignon e Isle-sur-la-Sorgue. “O lugar, todo entrecortado por um rio, abrigou monges que trabalhavam com a lã de carneiro no século XVI. O sítio ficou abandonado por décadas até que foi reformado para dar conforto aos visitantes, sem perder o estilo rústico e provençal, com muita delicadeza. As flores brancas perfumavam o ambiente, deixando tudo aquilo em clima de total fantasia”, descreve Ana. Era deste cenário que ela partia, de carro, diariamente para os diferentes roteiros com o grupo.

As atrações prediletas eram as feiras ― uma a cada dia, em um lugar diferente. Bancas de frutas, verduras, queijos, azeites, azeitonas, pães… Tudo bem fresquinho e comprado em pequenas porções para a próxima refeição.

O título traz ainda 12 receitas provençais. Dentre elas, algumas comuns na região, outras saboreadas em restaurantes e reproduzidas pela chef, ou repassadas por moradores do lugar. “No livro, ensino o pain au raisin ― um pão com passas muito tradicional de lá. Comi um maravilhoso em uma feira e quase pedi de joelhos para a vendedora me dizer como era feito. Deu certo”, conta Ana. Entre as delícias, há ainda torta de maçã, mousseline de queijo com frutas vermelhas, pernil de cordeiro e quiche de legumes.


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A crise acaba com o capitalismo?

Por Adriano Benayon*

Ninguém que tenha apreço pelo bem-comum suporta o capitalismo, sistema cuja característica é não estabelecer limite algum à concentração da economia por grupos privados.

2. Eliminá-lo não implica, porém, excluir a propriedade privada dos meios de produção. Esta pode existir em sistema não-capitalista, se não estiver cartelizando os mercados e não ocupar setores de grande porte, como a infra-estrutura e as indústrias de base, nem atividades estratégicas, como bancos, inteligência e defesa.

3. O que não é realista é falar em acabar com o domínio capitalista, que envolve seu corolário imperialista, sem desmontar as bases de seu poder. Para afastar ressurgimento daquele domínio, a sociedade, através do Estado, tem que manter a vontade de impedir a concentração do capital e dispor dos meios para isso.

4. Do contrário, não se extingue a opressão concentradora e saqueadora, nem o controle total do processo político pela oligarquia, como ocorre nas principais sedes imperais (anglo-americanas), nos satélites europeus e asiáticos, e em áreas de dominação colonial, entre as quais o Brasil.

5. A essa tirania global, a oligarquia dá nomes enganosos, como “nova ordem mundial”, “governança global”. Totalitária, fala em democracia, enquanto manipula e compra eleições, além de organizar golpes de Estado. Faz intervenções genocidas, dizendo defender direitos humanos.

6. O capitalismo tem menos virtudes do que lhe atribuem, inclusive Marx e seguidores. Como exponho em “Globalização versus Desenvolvimento”, o desenvolvimento econômico e tecnológico dos países que o alcançaram, se deveu à direção do Estado, a investimentos deste e à proteção a empresas privadas nacionais, formadoras da economia de mercado.

7. Esta não deve ser confundida com a superestrutura concentradora, i.e., o capitalismo. Este a explora e suga, até destruí-la, ao longo do processo de concentração, que acaba com o desenvolvimento, viável quando e onde a economia de mercado é combinada com a direção do Estado e empresas estatais nos setores em que a concorrência dificilmente pode estar presente.

8. Em suma, os que têm vontade e descortino para trabalhar pelo bem-comum, devem ter consciência que o problema reside na concentração econômica, e que esta tem de ser evitada. Se todos os meios de produção são estatizados também há concentração.

9. Esta, nas mãos do Estado, teve, entretanto, papel positivo, ao habilitar países grandes, populosos e dotados de recursos naturais, como a Rússia e a China, a liberar-se da espoliação pelo capital estrangeiro e a defender-se de agressões imperiais. Depois, desenvolveu indispensáveis capacidades nucelares e balísticas, e o equilíbrio no poder mundial estabelecido pela União Soviética viabilizou a independência de muitos países, entre os quais a Índia, a Argélia, e a própria China.

10. Que a União Soviética tenha sido desmembrada e que a China tenha mudado de curso, não altera o fato crucial de esta e a Rússia serem, hoje, as únicas potências em condições de dissuadir a oligarquia anglo-americana de novas guerras imperiais e genocidas.

11. A crise provocada pelo capitalismo (o que não é o mesmo que crise capitalista), é imensa e cada vez mais profunda, como ilustra o estoque de US$ 600 trilhões em derivativos, títulos, na maioria, podres. Além disso, gerou dívidas nacionais imensas, como a dos EUA, bem maior em proporção ao PIB, que a da Grécia após a recente redução da dívida desta.

12. A dívida somente dos EUA, Japão, Reino Unido e União Europeia soma US$ 45 trilhões. Os bancos centrais começam a livrar-se dos títulos do Tesouro dos EUA, e o dólar está desacreditado, por mais que a oligarquia manipule os mercados. Pior, a depressão segue, com crescente desemprego e perda de proteção social, trazendo miséria e sofrimentos indizíveis a centenas de milhões de pessoas.

13. Vários analistas estão escrevendo sobre a crise “do capitalismo”. Sobre esse ponto, as coisas precisam ficar claras. Muitos crêem que a crise possa, por si só, implicar o fim do capitalismo, com a ideia subjacente de que, quando a acumulação capitalista se torna extrema, abrem-se as portas para a revolução que o suprimirá.

14. Não se trata de consequência inexorável, mas só de oportunidade, não tão fácil de ser aproveitada, tanto mais que a oligarquia tirânica vale-se, de modo crescente, há mais de um século, de técnicas da psicologia aplicada e de fantásticos meios da tecnologia da (des)informação e da comunicação social, para perverter, desmoralizar e anular a maior parte da humanidade, arrasando, inclusive, culturas nacionais, através desses meios.

15. Assim, por mais desastrosos que sejam os efeitos da concentração econômica e do aviltamento das condições de vida dos povos, estes encontram hoje grandes dificuldades para liberar-se, não só devido à incorporação de tecnologia às armas da repressão e das agressões imperiais, mas também devido ao desgaste psicológico e cultural.

16. Os colapsos financeiros e econômicos criados pelo capitalismo têm sido terríveis para a humanidade, mas não para ele, já que a oligarquia se serve deles para aumentar ainda mais seu poder relativo.

17. Mais: a História, desde o Século XX, mostra que os casos em que o comando político escapou das mãos da oligarquia imperial, se deram em países onde não havia grande concentração capitalista, mas, sim, contextos de guerra e invasões sofridas por esses países. Parece também demonstrado não haver casos em que a estrutura econômica tenha sido substituída na vigência do regime político pré-existente.

18. Voltando à definição do capitalismo, o afastamento dele não implica que o Estado controle todos os meios de produção. Lênin, com a Nova Política Econômica, em 1921, procurou favorecer a economia de mercado, com empresas privadas, sem que o Estado perdesse seu poder político nem o comando da produção (economia).

19. Alguns julgam que a China encetou, após 1977, o caminho do capitalismo, de Estado, ou controlado por grupos privados, formados por quadros políticos. Como quer que seja, obteve notáveis progressos econômicos e tecnológicos, e surgiu como superpotência.

20. Conseguiu-o por não ter chegado à extrema concentração que caracteriza o capitalismo, inclusive mantendo os bancos sob controle estatal, e por ter assegurado que, apesar da abertura a investimentos diretos estrangeiros (IDEs), a economia não passasse ao comando das transnacionais.

21. Estabeleceu e fez cumprir regras estritas para absorver capital e tecnologia. Esse feito, sem precedentes, deveu-se ao sistema político com direção centralizada, a salvo de eleições manipuladas pelo dinheiro.

22. Os outros únicos países que haviam logrado incorporar significativamente tecnologia estrangeira em suas empresas foram Japão, Coréia do Sul e Taiwan, para o que desestimularam os IDEs e assim evitaram entrada expressiva deles em seus mercados, impondo, ao contrário, contratos de transferência de tecnologia.

23. A China conta com empresas nacionais de ponta em todos os setores, enquanto o Brasil quase já não tem marcas nacionais, pois entregou seus mercados às transnacionais, dando-lhes capital, e pagando por tecnologia jamais adquirida. Aqui prevalece o fetiche da falsa democracia, importada das potências imperiais, que promoveram os golpes de 1945, 1954 e 1964, com o apoio da mídia e da “União Democrática Nacional” – UDN, através de militares doutrinados com o “espectro do comunismo”.

24 Após esses golpes, foram instituídos subsídios e retirados óbices ao capital estrangeiro. JK ampliou esses favores. Sob o primeiro governo militar, Roberto Campos fez destroçar o grosso das empresas de capital nacional. Depois, novos subsídios à exportação em benefício das transnacionais (Delfim Netto).

25. Por meio de fraude em seu texto, a Constituição de 1988 favorece pagamentos da dívida pública inflada por juros e taxas. A seguir, mais crimes contra o País, com os desastrosos Collor (leis de desestatização e Lei Kandir) e FHC. Este fez a União gastar centenas de bilhões de reais para entregar, de graça, fabulosos patrimônios do Estado e das estatais ao capital estrangeiro. Nenhum desses fatores de destruição da economia foi removido por Lula nem pelo atual governo.

* Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento” – abenayon.df@gmail.com

 

Lançamento do livro “Nem lindas, nem loiras”

Maestro de Brasília vence o Concurso da OSPA

O jovem maestro Jorge Lisbôa Antunes, de Brasília, foi vencedor na categoria Regentes, do 17º Concurso Ospa para Jovens Solistas e Regentes.

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre divulgou no último sábado (19/11) os nomes dos jovens premiados no Concurso Ospa. O primeiro prêmio na categoria Regente coube a Jorge Lisbôa Antunes, maestro titular da Orquestra Ars Hodierna, de Brasília.

Na primeira etapa foram selecionados dez jovens maestros. Na segunda etapa, com prova de ditado musical a quatro vozes e com a regência da 2ª Sinfonia de Beethoven, foram selecionados 4 jovens regentes. O maestro brasiliense foi declarado vencedor, na prova final, após reger a obra Variações Enigma, de Edward Elgar.

Thiago Santos da Silva, do Rio de Janeiro, é o outro jovem maestro que foi premiado. Jorge e Thiago foram convidados para reger a OSPA na temporada de 2012.

O jovem maestro Lisbôa Antunes cursou o bacharelado em Regência na UnB e atualmente conclui o mestrado em Regência Orquestral em Caracas, Venezuela.

Na categoria jovens instrumentistas solistas, foram concedidos 9 prêmios. Esses jovens músicos serão solistas em concertos da OSPA no próximo ano.

Dois outros músicos de Brasília receberam prêmios, na categoria Solista: a pianista Ligia Moreno da Mata e o saxofonista Carlos Augusto Gontijo dos Santos.

Neste ano, o Concurso recebeu inscrições dos Estados Unidos, Europa e de diversos locais do Brasil, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Estados do Nordeste.

Maiores detalhes em:

http://www.ospa.org.br/?p=3342#.TsfOQqLDwHw.twitter

e

http://www.ospa.org.br/?p=3307#.TsbMgHLrVy8.twitter

O Terremoto que mexeu com o Brasil

Terremoto

Capa do livro "O terremoto que mexeu com o Brasil"

Sim, o Brasil tem tremores de terra! Por serem pouco conhecidos, mas não menos importantes, há tempos os nossos sismos pediam um livro para mostrar e explicar aos brasileiros este fenômeno de grande interesse em nosso País. Veloso não apenas descreve os nossos tremores de terra, mas também resgata uma importante parte da história das Geociências no Brasil.

Sem dúvida, a atividade sísmica que abalou o município de João Câmara na década de 80 foi excepcional tanto em termos sociais como científico: além de afetar a economia e a vida de milhares de pessoas, foi a mais longa série de tremores de que se tem notícia no Brasil e ainda hoje é tema de pesquisa dos sismólogos brasileiros. Os relatos de Veloso sobre esta dramática história vão surpreender os leitores.

Numa combinação bem balanceada entre ciência, divulgação, e casos pitorescos sobre os tremores do Brasil, este livro preenche uma lacuna importante de divulgação na área de Geofísica. Além de mostrar personagens importantes da nossa história científica (até Dom Pedro II se envolveu com estudos sismológicos!) Veloso revela alguns dados históricos inéditos até para os próprios sismólogos brasileiros. O “Terremoto que Mexeu com o Brasil” será de interesse para leigos, estudantes e até para os nossos geocientistas.

Por Marcelo Assumpção – Professor Titular do IAG/USP e  Membro da Academia Brasileira de Ciências

Serviço:

Título: O terremoto que mexeu com o Brasil
Autor: José Alberto Vivas Veloso
Editora: Thesaurus Editora